ALMAS ERRANTES (E G R É G O R A S) — II—
ALMAS ERRANTES
(E G R É G O R A S)
— II—
O CASAL ESTAVA por conta própria. Não havia lei educacional no código penal que proibisse Paizão Coisinha de maltratar ou até matar os filhos. Era um problema socioeconômico de Paizão Bananinha. O casal estava totalmente à vontade para fazer e desfazer o que quisesse com os produtos de relações sexuais pornográficas, desde que irresponsáveis. Não havia compromisso deles com bons costumes ou com moral familiar.
PAIZÃO COISINHA parecia usufruir de imenso prazer por sentir-se um patriarca com total poder familiar no uso indiscreto de sua bananinha. Após um dia cansativo de trabalho no consultório odontológico, sentava-se numa rede de tucum na sala de jantar. Atraía então os pequenos filhos e filhas a sentarem-se em seu colo doentio de pedófilo. Passadas algumas horas nas quais ele as abraçava, a pele amaciava, os dedos das mãos em suas coxinhas indefesas, excitava a bananinha dele no traseiro delas e os orgasmos se sucediam.
A MÃE BIOLÓGICA estava a um metro e meio ou dois metros da rede, atarefada em uma máquina de costura, fazendo de conta que não via nada. Tal qual dizia minha avó materna: "sua mãe a Fulana, tudo que queria da vida era ser a marafona do Fulano, seu pai". A educação era precária, tal qual ela havia, por sua vez, sido educada.
A ALMA SODOMIZADA da mulher de Paizão Coisinha, a rainha do larbirinto, não lhe permitia vê que o marido estava simplesmente condicionando as crianças indefesas, vulneráveis a essas influências deletérias, à aceitação de uma futura obsessão por sexo, desde que aceitavam esse abuso paterno, sem ter consciência de que estavam comprometendo a intimidade futura delas mesmas, suas relações sexuais traumatizadas, em matrimônios sem afeto, sem respeito mútuo.
A EDUCAÇÃO ABUSIVA as infantilizaria para o resto de suas vidas, qualquer que fossem as profissões que estivessem registradas em seus canudos de papel de faculdades, se as fizessem. O corpo infantil abusado as acompanharia para o resto de suas existências, mesmo depois que fizessem, se fizessem, análise.
A PSICOLOGIA AVALIA, reflete sobre os acontecimentos traumáticos, mas não faz milagres. A mulher de Paizão Bananinha detestava, do ser mais fundo de sua alma modelada, esculpida e configurada nos miseráveis meandros de uma criação familiar carente de tudo, ter de se submeter às exigências de cama do matrimônio, num tempo sombrio de dominação inquestionável do patriarcado dos ânus cinquenta, sessenta: um sistema social de poder supremo para o marido, onde a total dependência financeira da mulher a submergia em todo tipo de abuso.
A “MULHER DO LARBIRINTO” cuidava da casa e não tinha, na prática, direitos civis. Os direitos humanos básicos não garantiam para a mulher casada, a liberdade de escolher, ter ou não, muitos filhos. Mas, para a mulher de Paizão Bananinha, ter muitos filhos era, para ela, a garantia de que não seria abandonada, desde que seu medo disto acontecer era excessivo, gigantesco. Seria ela forçada a viver num puteiro se por ele abandonada???
A ESPOSA DE PAIZÃO BANANINHA tinha uma irmã magérrima, ex tísica, de aparência extremamente magra, as faces encovadas, o tronco e os membros quase sem cobertura de músculos. A carne colada nos ossos visíveis, uma aparência de filme de terror. Ela dizia dessa irmã que, após perder o marido, quando tinha duas filhas e um filho, e não tinha ainda uma aparência tão repulsiva, ela se refugiava nos puteiros do baixo meretrício da cidade, embriagando-se e atraindo pessoas, de qualquer sexualidade, com quem transava a troco de pagamento em dinheiro.
EU ME CRIEI EM MEIO A ESSA egrégora, nesse campo de energia familiar coletiva. A alma do mundo da família em meio a uma sociedade pobre e permissiva, de hábitos, pensamentos e sentimentos convivendo com brigas regulares, sucessivas, frequentes. O casal não parava de discutir e se hostilizar verbalmente.
O LARBIRINTO ESTAVA ENVOLTO num clima espiritual repetitivo, rituais diários de lidar com problemas que não poderiam ser solucionados, principalmente porque a “rainha do larbirinto” não parava de parir mais bocas para alimentar, mais corpos para vestir, calçar, educar, em meio a essa força invisível, criada por hábitos e sentimentos de grupo familiar falimentar.
DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 17/08/2026
Alterado em 09/09/2026