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ALMAS ERRANTES (E G R É G O R A S) — I —
ALMAS ERRANTES
(E G R É G O R A S)
             — I —

A MÃE É O LUGAR comum de todos. Todos nascem de uma mãe. Mas, o que é uma mãe??? Da onde ela veio??? Quais são seus traumas, seus conflitos de alma, seus mistérios, seus medos??? O que há de inexplicável nela, pode ser revelado por um filho diligente, atencioso, indiscreto???

A JANELA INDISCRETA da alma está aberta, mas, quem tem coragem de olhar através dela??? São muitas as superstições, as crendices, os motivos da imaginação. Mas, quando as marcas ficam na pele, ardem no corpo, as respostas às interrogações não surgem facilmente.

A PESQUISA PARAPSICOLÓGICA alega que possui provas da existência de espíritos, através de ferramentas tecnológicas de captação de energias em ambientes pesquisados. Faraday revelou o “efeito ideo motora”, o cérebro gera movimentos musculares a partir de uma expectativa intencional. O cérebro decide um objetivo e o realiza. Não apenas objetivos associados aos nervos, mas também os associados à vontade. à subjetividade.

EU, JOVEM FILHO DE MINHA MÃE, quando me interrogava sobre sua conduta sombria, que se escondia atrás de uma mulher desconfiada e apreensiva, era “castigado” com manchas vermelhas sobre a pele, nódoas que ardiam de um modo muito incômodo, como se prenunciassem uma ameaça maior, enquanto ela se aproximava de meu quarto sorrateiramente.

MEUS PENSAMENTOS INVESTIGATIVOS sobre a miséria existencial que ela e o marido me forçavam a aceitar, eram dessa forma perversa reprimidos: minha pele no abdome ou nos braços, ficava manchada de estrias ardentes. Era uma manifestação sobrenatural, desde que inexplicável. Nessas ocasiões estava eu a questionar minha miserável situação de impasse a meu desenvolvimento, ela se aproximava de meu quarto de dormir, como se estivesse sendo ameaçada:

ELA, PASSOS CURTOS E CONTIDOS, olhos fixos num ponto vago, numa atitude PSI que parecia ameaçar-me, mesmo estando separada de mim pela porta fechada do quarto e as paredes. Eu visualizava sua aproximação por uma janela com basculante que me separava da sala de jantar. Uma haste lateral na janela me permitia a inclinação das placas de vidro reclináveis da ventana.

UMA SENSAÇÃO DE AMEAÇA E opressão se afirmava com a aproximação dela. Eu podia sentir quando ela se aproximava, mesmo que não a estivesse vendo. Era como se ela estivesse usando suas ferramentas emocionais, próprias de uma mãe, para a perscrutação de minha mente emocional, estando ela plugada no cérebro reptiliano. Cérebro este que se agrupa em torno de reflexos e instintos os mais primitivos.

AS PULSÕES MAIS PRIMITIVAS DESSE cérebro (fome, ânsias, sede, necessidades basilares, agressividade defensiva, medo) estavam em pleno estado de alerta quando de mim ela se aproximava. Como se a dona da casa estivesse sabendo que minha mente emocional estava a buscar uma resposta para a ignorância, dela e do marido, sobre minhas necessidades básicas de desenvolvimento: educação de 3° grau, por exemplo. Ou relações sociais mais apropriadas.

A NECESSIDADE DE ME OPRIMIR DA parte dos pais, era uma manifestação genética deles, uma exteriorização de defesa da economia familiar precária. Todo mínimo investimento em mim, significava estar tirando o pão da boca dos demais irmãos e irmãs em número de nove. Eu era o primeiro de dez bocas para alimentar. De dez corpos para vestir e educar nas escolas públicas ou particulares.

QUALQUER TENTATIVA DE DIÁLOGO era imediatamente reprimida. Nenhum dos dois queria conversa comigo. E incentivavam os demais filhos a se manterem longe de meus argumentos, de minhas considerações. O pano de boca valia não apenas para mim, os demais irmãos se encolhiam em seus medos e aflições caladas. Tinham pavor de ser espancados, tal qual eu, pela loucura ameaçadora de ambos os pais.

O LARBIRINTO OPRESSOR NÃO TINHA saída de emergência. Era dominado pelas egrégoras da família de seus antecessores avoengos. A atmosfera familiar invisível tinha uma força opressiva sórdida, à flor da pele. Ninguém, nenhum dos filhos, tinha o direito de ter opinião pessoal. Exceto eu, nenhum deles nunca ousou ter opinião sobre os pequenos assassinatos que, no larbirinto, diariamente aconteciam. O medo de ser espancado por Paizão Bananinha dominava o Inconsciente Coletivo Familial.    
DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 15/08/2026
Alterado em 09/09/2026
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