A COPA E A CÓPULA
A COPA E A CÓPULA
A GALERA no Coliseu do Serpentário (estádio de futebol) está vestida de camisa amarela. A camisa amarela festeja a Copa do Mundo no "Brazil zil". Outros times, outras camisas, outras cores. Há o aspecto biológico que une as “bolas” todas nas torcidas. Os torce dores mostram uma disposição infantil, entusiástica, em defesa da equipe de onze joga dores que, após o gol, se pegam em abraços, gestos carinhosos, cochichos nos ouvidos, beijinhos nos cangotes, abraços apertados, os corpos juntos rolam no gramado. Sorrisos de aprovação, ao parabenizarem o momento do “olha o gol, olha o gol, olha o gol”. A galera de hominídeos comemora olhando-se no espelho da mútua confraternização.
A BIOLOGIA e a antropologia evolucionista veem esse comportamento uma extensão do “grooming” (limpeza mútua). Os abraços e demais gestos comemorativos são reproduções da reconciliação, ou celebração observados em grupos de chimpanzés, bonobos e humanos. Bonobos são símios grandes que compartilham com os seres humanos 98,7% do DNA humano: 98,6%. Os semelhantes próximos de 100% do DNA.
ELES FAZEM parte da República Democrática do Congo. Seus semelhantes humanos, muito próximos na manifestação biológica compartilhada pelo DNA: são quase idênticos, endêmicos. Povoam as demais Repúblicas democráticas e as não democráticas, nos países do Mundo, não apenas na África. A sociedade globalizada deriva da Criação original. A divindade prometeu a Abraão uma descendência que se tornaria incontável. Incontável em sentido figurado, desde que hoje, agora, as instituições internacionais contabilizam 8,3 bilhões de habitantes.
8,3 BILHÕES de Chimpanzés, bonobos e humanos multiplicadas suas descendências, são comparados às “estrelas do céu”, às “areias do deserto”, segundo está escrito na Bíblia, Livro do Gênesis 22:17. Teria sido Deus quem disse a Abraão e a seus descendentes, inclusive à Berenice: “Eu te abençoarei e multiplicarei sua estirpe como as estrelas do céu e como a areia que há sobre a praia do mar... E na sua descendência serão benditas todas as nações, porque obedeceste a minha voz”.
— Quem disse, Berenice, que Deus não fala aos homens??? Mesmo aos que não ouvem Sua voz???
SALTA AOS olhos a evidência de que Chimpanzés, bonobos e humanos de há muito, muito tempo, não ouvem ou obedecem a “minha voz”. Os tempos são outros, as vozes são diferentes, as gerações, no “Brazil Zil” atual ouvem as vozes dos cantores de Forró, Gospel, Funk, Pagode, Samba, Rock Pauleira, enquanto devoram churrasco com pinga e cerveja nas periferias das metrópoles globais e cidades capitais e do interior.
A DESCENDÊNCIA de Abraão se tornou mesmo incontável em manifestações do crime organizado, manifestas lideranças que se aproveitam do poder político e econômico da presidência de seus países (vide Trump, O Trambiqueiro), para multiplicar suas posses que não precisam ser multiplicadas porque já são grandes.
A GULA-GULA move a vida pregressa dessas lideranças. Essas, se movem a partir do “Efeito Desejo”. Seus antecedentes bíblicos, históricos, seus predecessores sociais, profissionais, criminais (Caim, p.ex.) desde os tempos mais antigos, administram suas sociedades afeitos ao mestrado e ao doutorado da ganância descomunal. O desejo sempre quer mais. O desejo jamais se satisfaz. Suas posses, mesmo que sejam imensas, sempre precisam de mais, mais e mais.
OS ENSINAMENOS do Novo Testamento não confirmam ou ratificam as expectativas que alimentam o insaciável “Efeito Desejo”. O desejo reprimido atinge e derrota as melhores expectativas da sociedade globalizada. Esta, se define enquanto sendo um cenário de gananciosa ignorância e violência mecânica: quem tem quer mais, e mais, e mais ter.
A MAGIA DO desejo em sistemas de RPG (Role-Playing Game) serve de guia a todas as partidas. O desdobrar do jogo determina como os personagens interagem com o mundo, envolvem-se em conflitos, e os dados do jogo afetam cada uma e todas as ações. O principal objetivo do joga dor é construir uma história coletiva enquanto se diverte. Na realidade os joga dores competem para ganhar. Ganhar manda no universo imaginário.
O IMAGINÁRIO dos joga dores está na magia de poder, de maneira literal, reformular suas falhas maliciosamente. Essas malícias se afirmam na maneira de cada joga dor interagir com o mundo, acompanhando os acontecimentos e as decisões. Os joga dores estão, sempre, a afirmar, mesmo que subconscientemente, a empatia com os assuntos da política e da economia. Eles competem para ganhar, porque toda competição pressupõe uma rivalidade entre partes que se digladiam. O objetivo de ganhar na limitação do adversário ou competidor biológico. O jogador se torna um ser possesso que induz sua particular possessão à galera exaltada, enfurecida, que pragueja como se pago entrada para outra dimensão.
O COLISEU do futebol se enche de fanatismo. A galera das arquibancadas se transporta para outra realidade. A paixão eufórica se intensifica pela liberação da dopamina no estado alterado de semiconsciência. O jogo vivido de maneira visceral o torna possesso do universo local coletivo. A patologia da arquibancada se revela na multidão enfurecida, enfurecida.
O FENÔMENO do “Efeito Manada” emerge. O comportamento individual é substituído pela suscetibilidade da pasmaceira coletiva. O Coliseu romano vibrava com os leões, e demais outras feras, atacando e devorando os cristãos indefesos diante dos animais famintos lesionando, mordendo, dilacerando com os dentes, a bocarra rugindo sobre suas carnes. Impingindo tortura, cobrando-lhes os nervos, os músculos, a pele, a carne. Enquanto a galera se divertia a valer, enquanto o imperador, sua trupe, comiam e bebiam, sorrindo da aflição indescritível de quem estava sendo devorado vivo.
COMPLEXOS, recalques, traumas, ansiedades são substituídos pela euforia da energia massificada. A descarga emocional está em curso, navegando no mar revolto das emoções e frustrações diárias. O xingamento, a fúria, os berros, os gritos, os gestos: a válvula de escape fluindo na catarse da identidade tribal. A União do sentimento de pertencimento à tribo que comemora: “olha o gol, olha o gol, olha o gol”.
A REALIDADE da fera na galera comemorando a frustração da vítima, do time adversário. A construção coletiva no contexto lucrativo da biologia dos negócios do grande empresariado. Banqueiros e galera Unidos nos Estados Unidos, a serviço do crime organizado. O mundo todo, torce e distorce a maneira com que os torce dores solucionam, por breves momentos, seus muitos conflitos. Os cartolas dos clubes, da FIFA, sorriem satisfeitos com os resultados dos jogos. Qualquer que sejam.
DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 02/07/2026
Alterado em 04/07/2026