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DESESPELHO ONÍRICO
DESESPELHO ONÍRICO

Ao me olhar na superfície deste espelho estou presente um nono de mim. Máxima parte suportável à vista. Busco tornar visível a parte 1/9° ausente, inachável a olho nu. Os outros eus, latentes, não ousam revelação de existências outras, iceberganas. A maior parte de mim está submersa em meu Inconsciente. Estou nalgum longínquo no nicho subconsciente. Busco ter direito à minha posse e vontade. Busco me fazer acontecer em minha vida presente, futura. Reivindico meu direito de cismar, ou não, com os bloqueios. Criar possibilidades. A parte mais subterrânea, interferência ancestral de vontades alheias, oculta-se submersa num lugar inalcançável na profundidade refletora do espelho holístico. Universal.

Aproximo-me, como que atraído pela alta sedução do cerne PSI, pressentimento vindo dalgures, da inescrutável noite ancestral. Não me comovem esses golpes baixos dos arquétipos cheios de sentimentalidade, presentes nas lágrimas e emoções doutras rinhas, doutras eras. Fortes descargas afetivas fluem, querendo pegar-me pelo sentimentalismo piegas. Do outro lado do espelho inconsciente coletivo, quantas tiazinhas solteironas querendo vingar seus corações solitários através dos fios invisíveis no genoma descendente.

Quantos parentescos sangrando, aflitos por cooptação, nas sombras e expectativas avoengas. Meu caminho de pedras no meio do caminho. Melhor estar sozinho. Não quero nem consigo somar com essas forças. O atrito mutuamente as decompõem. Interessa nada o reflexo das intenções subterrâneas supostamente não subalternas. Que mais podem querer, senão dividir comigo caminhos vicinais de pedras a mais no meio do caminho? Bastam-me as pedras de meus rins. Por que aventurar-me em outras impossibilidades que não as minhas?

Talvez não saiba somar pessoas de fora, fantasmas de dentro. Aceito isto. Meu objetivo talvez seja igualzinho aos mais comuns, mas não o caminho para alcançá-lo. Muda a maneira, o módulo, os passos pequenos, os maiores, a grande esperança invisível, a fé, no saltar os intransponíveis abismos nietzschianos do homem enquanto metáfora da tênue corda estendida entre o animal e o novo homem: a perigosa travessia, o perigoso caminhar, as ameaças do olhar para trás, a tentação do tremer e parar.

Meu reflexo desasemelha-se em condicionamentos os quais me induziram a acreditar. Talvez as pessoas fantasmais de dentro e as reais fora queiram as mesmas coisas, inclusa a possibilidade do não. Sou desigual no detalhe mimetista da percepção. Desejo desidentificar-me. Invisto na diferença, em não estar disponível. Busco descontemporanizar-me com as radicalizações do consumo. Basta estar vivo para ser radical. Estar eu outro, intruso revelado, sob comando dos oito nonos do inconsciente. A amplitude narcísica do outro, quer expandir-se, assanhar-se em minha direção, objeto especular.

Difícil a tarefa de desaproximar-se através da superfície do dessemelho. Decepção: não achar o ponto fraco pelo qual poderia  inserir-me, sutilmente, em meu psiquismo. Narciso não me habita: essa a dificuldade. Quantas sutilezas vivas de corpos dantes semoventes buscam ganhar adeptos, para seitas astrais, através da fina sina espelhada do vidro astral, ancestral, reflexo: Profundidade do corpo metálico, polido no inconsciente especular coletivo. Quem sabe consiga eu libertação dele. Do curral fantasmal do Inconsciente Familiar Coletivo.

Quanta falsa solidariedade querendo emergir do mar astral para ter hora e vez no convívio dos supostamente vivos. Fantasmas do desejo de emergir no aqui agora, paridos do útero fogoso de uma fêmea mãe, sabe-se lá há quantas gerações replicante. Quem garante não ser você, espectro intangível, apenas mais uma vontade recorrente de algum antanho parente vivo, morto. Morto-vivo??? De que nicho subcutâneo, subterrâneo, presentificar-se-ia, se te dessem a chance de emergir da ancestralidade das tumbas de pó para o hoje??? O Agora. O aqui. Comigo não.

Como diriam tantos personagens de Shakespeare: “Eu sou espada”. Sem chance permitir horrores outros como se fossem parte de meu reflexo. Sabe-se, desde tio Freud, do que se alimenta a pulsão que move os corpos seres e entes. Basta-me meu desejo de ter, de poder, de foder. Recuso-me ser conivente com outra vontade de inserir-se através de mim, no mundo dos mortos-vivos. No espelho ímã, visualizo reflexo, sei que não estás sozinho, espectro anexo, do outro lado especular.

A profundidade barroca reproduz-se nos cantos da sala. Estabelece-se peculiar estado emocional. Afloram as dez expectativas genéticas da herança. A presença apenas insinuada tem ligação direta com esse mundo, mas há dificuldade em reinserir-se nele. Nesse mundão mundano. Nesse mundo Cão. Não passa, talvez, de uma sombra genoma, incorpórea, ambulante. De um desejo inexplicável de sobreviver, fazer-se carne outra vez. Fazer-me mais consistente, concentro-me na memória dessa coisa passional do existir, do cooptar ao meu modo, que deve ser semelhante a outras muitas maneiras de inflamar-se, inflamando as fêmeas.

Talvez pensando nelas, na realização de nossas taras, consiga uma distância segura do espectro a se insinuar. Por outro lado, talvez seja por aí que ele possa encontrar maneira mais fácil de se corporificar. Queres acompanhar-me na solidez da solitude, leia os versos de Kerouak sobre o amor. Não se engane ao tentar enganar-me. Não desminta minha tese nem queira revelar-me mistérios de infernos ou édens inusitados. Dispenso seu hálito mefistofélico.  Melhor só. Desacompanhado.

Conheço-me, não me venha com manhas, com dinamismos fisionômicos, com papo de fenômenos empáticos parassensíveis, com fenomenologias transcendentais de clubes acadêmicos. Conheço-me razoavelmente. Impossível desconhecer-te. Estou a conseguir manter o medo sob controle. Agrada-me estar comigo. Agrada-me desagradar-te. Obrigado, se achas que devo ter por privilégio usar-me como cavalo para materializar-se nesse mundo. As pedras tuas no meio do caminho, sem essa aranha céu. Bastam-me as minhas teias. Minhas joias, meu relógio de pedras.

Diz o dito, quem não se envolve não se desenvolve. Quem, nesse mundo de simpatiazinhas não consegue envolver-se??? Desenvolver-se pode ser objetivo mais difícil. Teimo, entre tantas inclusões dialéticas, fixar-me no refletir como se num universo anverso, paralelo. A radioatividade subatômica das células sociais chama-me à participação na zona dos desincompatibilizados. Devo interagir, não sou sozinho, tenho compromissos de integração com a comunidade que me cerca. A coisa latente representa a energia coletiva de um grupo. As solicitações abrangentes do mundo. A insanidade é contagiosa.  Sai fora, Rosa. Estás em toda parte. Principalmente naqueles que dela se escondem.

Posso! Quero! Devo excluir-me desse contágio. Inserir-te nesse tempo não é responsabilidade minha. Agora quero apenas ver-me melhor. Quem sou? É querer muito, querer tudo. Como ser melhormente eu? Excluir-me de ideologias 100 terra, 100 teto, 100 identidade, 100 cidadania, 100 emprego, sem educação, sem centúrias, sem mais nada que não eu??? Eu, reflexo magnético de mim. Contradição sem narcisismo, insisto. Não desejo desse espelho compartilhar influências socio magnéticas, do natal, do carnaval, dos feriados e dias santos dionisíacos. Satanizados. Findos e porvir.

Distanciar-me de cada sedução astral dos que estão a querer introduzirem-se, através do espelho PSI na quarta dimensão do aqui agora. De que dimensão vieram, da Quinta??? Ver-me, eu, não à moda do outro deformador: curvo, côncavo, convexo, metáfora de alguma projeção globalizante de imagens mutantes do nexo da neo-pós-modernidade. O espelho fixo a ganhar ares de povoado, figura inatual, inatural, insinuando-se através da obscuridade, a querer passar para esse lado, busca de solidez. Incorpora ação.

A noite e a madrugada, estações pasmadas em todo tipo de assombração. Claro, deliro? Por certo não estou desperto. Tivesse os olhos escancarados, não veria melhor a veraz presença dessas sombras, a polaridade nublada, trevosa, como se fossem indigentes figurantes de uma manada, tangida por vaqueiros do sertão mineiro à Guimarães Rosa. Espelho revelação, mimese imitativa. Assombrosa. Simulação de si mesma mento. Duplicação de balé fantasmagótico, vislumbre, vidência, como se fosse viajor da luz a trezentos mil quilômetros por segundo.

Insiro-me pelos sertões sem tempo, minhas retinas desdobradas mal cabem em meus olhos. Meu reflexo não narcíseo me basta. Salva-me. De alguma forma acreditavam, os oito nonos, ser eu elo fácil para intentos corporativos. Acharam que me ganhariam a resistência, quer pelo terror da libido, quer pela piegas vontade de identidade. Tenho a nítida sensação: tivesse inclusões narcisistas, serviram enquanto portais de fácil insinuação desses intentos. Deram-se mal. Vejo melhor agora o quanto são pequenas as personagens do livro dos espelhos que se abre em páginas de náusea. Medusa, sartriana náusea, onde a verdade do inferno é a presença narcísea dos outros. Do outro. Outro lado.

Quantos milagres acontecem neste momento através desses instantâneos? O olhar fotografa mil flagrantes por segundo. Entrevejo-me em cada diverso fixar das pupilas de meu único diverso rosto. Não me visualizo adverso. Providencial lembrança de versos longos. Ao longe uma fala de fé se ouve: “A alma que clama está morta, as coisas não são o que parecem ser”. Salta aos olhos o sutil subitamente sísifico, como se a vida fosse um trabalhar insano, carregar inutilmente as pedras do meio do caminho montanha acima. Abaixo, a descer, todo santo desajuda.

Depois de atingir o topo, vê-las rolar estrada volta. Volta novamente a aceitar com humildade cumprir a tarefa extenuante, repetir a rotineira, quero crer dessentida, desinútil jornada. Tentativa de impor rotina e lógica ao solfejar suado do humano desatino. A necessidade de se destronizar da rotina: destronizar-me, desconstruir desigual às solicitações do cartão de ponto, das tapeçarias pseudômonas a fobias dos gabinetes burocráticos. Tapetes vermelhos estendidos nos passos debochados dos poderes. Entendidos. Agonizando na Praça.

Desconstruir-me, distanciar-me da tarefa sísifica da insensatez rotineira da quarta dimensão do sim senhor, do por favor, do obrigado. Nessa dimensão patética do existir, vejo-me destorcido em reflexos que têm poder de atração para cima, para baixo, para os lados, sem que possa controlar a massa do corpo: mantê-la nítida, crível, fixa, coerente quarentena. Desnarciso justificável, luto para ver minha melhor projeção na superfície do lago. Libertar-me do Iago em mim. Quantas monstruosidades caminham pelas calçadas. Enem sabem de si. Apressadas para chegar a lugar nenhum. Quantas máquinas carregam corpos chaplinianos, como se fossem arruelas de uma engrenagem antropomorfa. Sistêmica. Tão poucos seres fantasmas controlam tantos outros tão sadicamente.

Nesse especular em águas turvas transparentes, o diáfano quer se valer de minha meditação. Aprendo a lição: até os objetos supostamente inanimados desejam prevalecerem-se dos outros. Afirmarem-se. Sobrepujá-los. Sobrepujarem-se. Exercer posse e domínio pela simples arma do existir. O monstro não sou eu, é o maldito espelho que me nega melhor imagem nítida. Felizmente dela não preciso. Espelho-me em subjetiva desubjetivação. Agora, finalmente compreendo: são as oito partes subterrâneas de mim. Expõem presença dessa forma. Acontece quando alguém olha alguém em busca de identidade. A perversidade atávica é uma tara. Psicose inconsequente querendo conseguir-me. De repente sinto-me batata quente, sem ninguém querendo ser meu amigo ou parente, pelo simples fato de não conseguir. Que excelente distanciamento.

Ignoro ser olhado com igual desatenção pelos desatentos. Buscam-se uns nos outros. Ver no outro a própria alma duplicar-se em farsa, em força. Desejam-se mutuamente afirmados. Querem por força se reproduzirem a partir do reflexo metonímia, metáfora de intenção inconseguida. Sonho, desejo despertar. Será esse poder invocado por avoengos??? Serei instrumento provisório dos mortos??? Alguém batia as botas, e logo os parentes cobriam os espelhos, viravam a superfície refletora em direção à lisura da parede. A sutil faísca quântica da alma do morto facilmente poderia tomar conta do reflexo. O corpo morto corporificar-se travez.

Os vivos temiam culpas cobradas pela anima do falecido. Tremiam de medo de vê-lo, reflexo acusador, misterioso, a cara de pau retificada, como que ressurgida do paletó de madeira. Os pelos dos poros eriçavam-se em direção ao além. Como um pavão mostrando urdida belezura medrosa. Assombrosa. Esconjuração sobrenatural, batiam na madeira três vezes no lugar certo da mesa. Resistiam à tentativa de encarar a presença do morto na superfície, tanger o perfil hediondo do que de dentro deles mesmos temiam ver. O morto não era outro, senão cada qual deles. Ainda vivendo-se.

Certeza de preconceitos fantasmais, superstições antepassadas, cultivadas como planta decorativa de estimação no húmus da alma. Regada todo dia, repetidas vezes, geração após geração, fatigadas metáforas sisíficas. As astúcias ancestrais escondendo-se. Sobrevivendo esgueiradas nas frias finas pálpebras das pupilas mausoléus. O corpo criança, adolescente, adulto, idoso, enquanto túmulo remanescente. O mesmo outro.

O morto mirando-se de dentro dos parentes, garantia de sobrevivência de culpas terríveis, pagando inutilmente o carma milenar da ancestralidade. O fluido medo, desencontrado do plasma do desejo dos mortos mumificando-se: cabeça, tronco e membros, no corpo cavernoso dos descendentes. Mirando com eles as paisagens comuns, negando-lhes uma escolha, criação de vida própria, um futuro, que não extensão da usina de sonhos antepassada. Ultrapassada. Desdobramento dos ossos pulverizados pelo tempo, simultaneamente presentes nos filhos, netos, bisnetos: vidas cristalizadas, mundaréu de gerações nidificadas antes de nascerem mundo afora, caminhos de desmemorias, antecipação da morte em vida. Igual intencionalidade cadavérica. Desinconsciente coletivo.

Os supostamente vivos, sem olhos, sem olhar, sem essência. A visão limitada perpetrando-se do astral além túmulo: pulsão, proibida tarefa de se destranscender. O mesmo olhar limitado, intruso, realidade vinda do sem fim paratumular de outra dimensão do desistir. Do desassistir. Os cacoetes carmas, como atavismos, realizando-se através da descendência. O aceite passivo da morbidez. Não, obrigado.

Faina vã sobrevivente, perenes recomeços empenhados em marionetizar os vivos do outro lado do se desassemelhar, do outro lado dalgures, da terceira margem do rio. Putos da vida, veem, em mim, a desgarantia da perenidade deles, em minhas desrotinas, não mais para tumulares. Esse sonho desespelho, agora não tão pesadelo, desejo dele sair, despertar, desconstruir-me desse nada. Desconhecer-me dessas desoportunidades. Desejo tornar-me vivo, diferente deles, criar sonhos caminhados com passos até então inexistentes, desonhados. Ter certeza de que não vou reproduzir alguma astrofísica nebulosa, algum gás estelar do dia dos mortos, direcionado desdestino, desproduto do passado compulsivo cro-magnon, sapiens tipificado. Híbrido.

Desenraizar-me de sonhos ingeridos por mim. Eu, anatomia preenchida por toda essência rudimentar das moléculas de proteínas, enzimas e aminoácidos específicos, produto das 500 mil cópias da sequência de nucletíodos Alu, existentes no genoma, prova incontestável que a maior parte do DNA é composta de lixo, sinal de que a raça humana possui genoma instável. Preciso despertar-me, sair desse outro lado especular, subatômico. De mim.

Sair deste nada rudimentar, minimalista. Como se estivesse habitante do outeiro dos elefantes brancos. Dentre mãos perco a direção da porta para o despertar. Olho para o espelho, cruz credo, nem sei quem que, usando meus membros, rapidamente se benzeu nada menos de sete vezes diante de mim. Na superfície, quantos mortos. Medo do futuro, de não refletir na árvore genealógica dos antepassados!!! Intuo que o maldito espelho não havia devorado meu desreflexo. Eu devorei as vontades telúricas, uterinas, de voltar ao seio da mãe, ao útero da terra original dos ancestrais. Não vejo minha imagem reflexa, um evento anunciador de vida naquelas inclusões fantasmais, góticas.

Aceito de coração desafeito, desafio separar-me com as próprias mãos, quebrar o cordão umbilical que me unia a outra intencionalidade cósmica que não eu. Telúrico. Desespelho, desnarciso. A certeza de que não mais pertenço às trevas da ancestralidade. Nos filmes sobre mortos-vivos, eles não refletem a própria imagem. A diferença: eles foram acolhidos pela terra materna, uterina, do sepulcro. Eu, pela liberdade de seguir meu caminho cósmico sem mico. Não morri, terei morrido? Renasci. Comemoro minha Páscoa pessoal. A vida começa Aqui.❤ Agora. ❤. No coração sem negritude.

Busco nalgures evidência física do corpo. Desimagine-se com tal intensidade a ponto de provocar a desimagem no espelho!!! A situação incomum. Um rito de passagem paranormal, desincompreensível. Estranho. Acredito sinceramente em algo mais do que obsessão auto sugestiva, despropósito PSI. Escrevo para que esta revelação não fique de mim para comigo, segredo apenas mente minha. Apenas mente em minha mente. Quem sabe o leitor tenha a manha de abstrair desse sonho alguma verdade que não tenha tido irradiância em seu limitado horizonte de eventos.

Talvez ainda esteja descomovido demais para refletir razões mais que as do desentranhamento. Sim, por fim posso ver outra vez meu rosto. Devo-me atribuir a responsabilidade de me desconstruir desse nada. Novos traços. Uma vida nova exige raízes novas. Quais? Desse nascimento abissal, desse salto mortal sobre a necrópole universal dos narcisismos presentes e antepassados, chegarei a existir conforme padrões geridos por minha desvontade de ser o que querem que eu seja???  

Transcenderei as desrazões pelas quais viviam e transcendiam os antepassados dos  mortos? Morrerei na praia tentando desvencilhar-me do infindável fio de Ariadne no qual passei toda a vida a querer liberdade? Consegui criar, ao narrar este destrauma onírico alguma desmatéria desconsistente, uma frase mais que de efeito literário???

Finalmente os olhos entreabrem-se, ufa, estou aqui pronto para me banhar e sair. Seque-la do sonho dessa des.dor de cabeça. Faz parte do sono despertar, da vida nova, construí-la da desconstrução.

Trilhar essa estrada, repisar novas pedras em meio a novos descaminhos. O viajor não terá de ir buscar, montanha abaixo, as pedras roladas, reconduzi-las, faina inútil, mesmice, vida abaixo, vida acima. Sem sair do deslugar. O controle de minhas ações não mais no inconsciente. Talvez tenha realizado o objetivo de tio Freud: livrar-me de angústias, traumas, complexos e outras inclusões que me impediam de alçar voo livre.  De achar o oxigênio. O ar despoluído de um novo sonhar. Desperto. Cabeça saída do abissal mar revolto e de seu desabrigo.

A descompreensão mais ampla da vida que pulsa sob a consciência, torna-me mais leve, alado, livre do carma sisífico doutras pedras no meio do caminho. Autóctone, estou pronto a me desfazer  outra vez. Se preciso, crescer, desdirecionar-me, ainda que, relativamente, criar meu desdestino. Meus passos. Descompassos. Passagem, dodeskaden, desincerteza, desfavela, descontentamento. Transcendência além mediocridade. Desafinar-me. Desatinar-me dessas influências.
DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 17/03/2026
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