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BODAS VINTAGE REPTILIANAS
BODAS
VINTAGE
REPTILIANAS

A noiva estava bela, vestida com tecido Tela Imperial/Fishnet, tecido do inovado vestido, no padrão de “furinhos” de noivado no formato de diamantes. Feito de fibras sintéticas spandex para maior elasticidade, resistência e durabilidade. Um tecido leve de visual moderno e ousado, transparente, um toque sensual e despojado. Glamoroso e fascinante visual.

— Querida, disse o noivo, você motivou minha vida. Antes de você eu invejava quem namorava uma alma gêmea. Com você reencontrei a ficção feliz na realidade do casamento.

Neste mesmo momento ouviu-se uma voz engasgada, presa, perturbada, a dizer, vinda da sacristia da pequena ermida, onde o padre guarda os paramentos: uma arara, que nem um papagaio, falava:

— “Parabéns paisano, vale tudo no ânus. Craaahahah, Quackre, Craaahahah”, fraker, crahaque”.

O sacristão enrubesceu. Ele havia comprado a ave na feira, preço módico, para presentear o padre que oficiava na paróquia de Nossa Senhora dos Partos. Não sabia, nem de longe, que o bicho falava coisas pouco edificantes. Monsenhor estava de aniversário, completava 69 anos. Ele caminhava em direção ao altar, mas voltou-se surpreso ao ouvir a ave falar. Desviando os olhos da sacristia, caminhou em direção à liturgia. O noivo, elegante e perfumado, querendo agradar a escolhida, responde à pergunta do padre: — “Sim, eminência”. Mais que tudo mais na vida.

Nesse instante um jegue soltou zurrado alto e longo, como se estivesse zombando do sagrado evento. O zurro do brito durou um tempão e se repetiu duas, três, quatro vezes. Quando todos tinham certeza de que o jegue tinha parado de surtar, ele começou a zurrar outra vez, com a mesma disposição de antes.

Madona Aldenora, mãe do distinto noivo, a custo não conteve o riso e ao mesmo tempo a vergonha do vexame. O burro, mostrando acintosamente os dentes, parecia estar em surto, não parava de zurrar, escoicear, talvez numa crise de vera felicidade sem explicação racional. Exceto pelo mal-estar que causava. Ameaçou recomeçar a série de zurrados, mas seu Mundico, tio da noivinha e zelador do patrimônio da fazenda, tinha pegado um cipó de ayahuasca e lenhava no lombo do bicho com vontade de tangê-lo o mais para longe possível. O burrico, escoiceando e peidando, bicho  esconjurado.

— Toma tento, criatura, se acalma animal dos infernos, para com esse bafafá, estrupício. Mundico tangeu o animal para longe da capelinha onde se casava o casal, agora, um tanto quanto agastado.

Após a cerimônia nupcial, o casal e o núcleo do evento festivo se posicionaram num cercadinho enfeitado de flores, fora da capela, donde recepcionavam os convidados. Dali atendiam os convivas e seus presentes. Para cada conviva, uma rosa vermelha perfumada artificialmente com odores de Chanel Five.

O quintal do casarão fervilhava em festividade. Os pais de Daniela, a noiva, apartaram, com a ajuda de dois ou três peões de galinheiro, a baderna que um filho de uma égua causou ao espalhar o boato de que a noiva não era mais aquela. A dupla sertaneja “Xôtãozinho & Procotó”, vendo tudo de longe, parecia estar divertindo-se, sentada numa mesa próxima ao palco montado para o show musical em homenagem aos convidados.

Um cavalo preto, chamado Afrodescendente, apareceu em meio às mesas frente ao palco, galopando, desembestado. De quando em vez parava o galope e escoiceava o ar, como se estivesse com ciúmes da atenção de todos para o casal cerimonial. Estaria sentindo-se excluído??? Pouco tempo depois o animal, a escoucear o ar, foi contido e levado à baia da qual se distanciara. O bicho exibia, para o desconforto das famílias supostamente conservadoras presentes, o enorme pênis vascular desembainhado. O tônus erótico do garanhão não ficava flácido facilmente. Algumas madames, admiravam o pênis do bicho com as mãos levadas à boca, outras tapavam os olhos em atitude de pasmo envergonhado.

Os relinchos intermitentes finalmente pararam quando a dupla sertaneja “Cabritinho e Carijó”, começou a cantar, programada para anteceder a apresentação de “Xotãozinho & Procotó” e da dupla “Matraca & Matriarca”. A dupla ocupava os microfones enquanto os amplificadores levavam o som dos músicos para os confins das mesas dos convivas mais distantes do palco. Marília Mendonça seria a próxima na programação.

Seu Mundico, zelador do sítio, zelava pela saúde dos animais de quatro patas, aproximou-se de Tarik, o Afrodescendente, e o acalmou com palavras berradas de repreensão, e ao mesmo tempo de alento, como se ele, trata dor, soubesse o que havia causado essa mostra de inquietação e fúria no corcel. Havia um código de comunicação entre eles: o cavalo e seu trata dor. O corcel Tarik, uma vez acalmado, seu Mundico pode laçar o animal, encabrestá-lo, e sair da proximidade do palco ao ar livre, continuava a dialogar com ele, ainda parecendo repreendê-lo, enquanto caminhava a puxar firme o cabresto.

Madona Aldenora sempre a observar as conversas do trata dor com o garanhão, buscava, mais que ouvir, assuntar, aprender como Mundico fazia para ser ouvido pelo animal, como se as conversas entre eles tivessem uma afinidade que ela não conseguia explicar: Aldenora assuntava a comunicação, a prosa de conversa telepática, que parecia haver entre eles: os cavalos e Mundico. A amizade entre ele e o garanhão Branco não passava despercebida de Aldenora, lhe parecia ainda mais íntima, cordial e estranha.

No momento, ela tinha de prestar atenção no desenrolar da celebração do casamento do filho: a receptividade, os convivas, as badalações distrativas, as conversinhas de pé de ouvido entre as comadres e a parentela da noiva, agora mulher de Miguel. Ela queria prever, mas não previa totalmente, os desdobramentos do casamento, até a lua de mel. Aldenora facilmente se entranhava na alma do filho, aprofundando-se nos sentimentos dele.

“Lua de Mel”. Essa pronúncia ecoava longe, na profundidade distante do psiquismo mais longínquo dela. A noiva de seu filho dele se apossara. Ela, que o carregara por nove meses no ventre e o criara, não teria mais como tê-lo sempre perto, na intimidade dela para consigo mesma. Ensimesmada, ela guardava certa mágoa por ter sido trocada por outra, pela noiva. Mesmo sabendo que, com o passar dos anos, o amadurecimento teria de levá-lo para longe dela. “É, são coisas da vida”, murmurou de si para consigo mesma.

Madona Aldenora pensava: de alguma forma ela também era a noiva, a mulher nobre que parira o filho e merecia dele toda dedicação. Sem ela, ele não existiria. A melhor vitalidade dele, deveria ser dela. Deveria ser dela o big-gang orgasmo da noite de núpcias. Lembrou-se da amizade entre Mundico e o corcel Branco. A transmissão telepática que os unia nas conversas na baia, ou quando o montava no passeio matinal. Ela estava a assuntar na cavalariça subjetiva de sua mente de mãe e nubente. Mas ela sabia, não poderia ser a esposa sempre ao lado do filho. Mesmo sabendo que, onde quer que ele estivesse, sempre seria ele, o menino dela. O homenzinho dela. Sempre por ela rastreado. Sempre por ela dominado em suas percepções de mãe, mulher dedicada.

Não haveria na mente de Aldenora paz, nem céu azul, se o produto da criação dela, o filho, o noivo, o marido, não pudesse satisfazê-la, mais e melhor, do que a qualquer outra fêmea. Ela, a mãe, ela, a noiva, ela, homenageava, desde sempre o nome do deus Alden. Ela, a mais nobre das mulheres da família dos quatrocentões: seu nome tinha peso social, econômico, político: Aldenora Leme do Prado Furquim Almeida Castanho Freitas Cunha Gago, herdeira, por parte de mãe, dos Dias Arruda Botelho.

Ela se julgava a mais nobre da espécie. Elas, as outras, nunca poderiam usufruir do lugar memorial no qual se encontrava. Agora. Aqui. Nos confins significativos da libido, da percepção aberta em sua mente, no portal ancestral do tempo perdido, proustiano, ela vivia dele, no tempo supostamente glorioso do passado. Aprendeu, com leituras absorvidas de Proust, a memorizar-se.

As pessoas, os convivas, as autoridades judaicas, jurídicas e políticas, as demais mães e suas filhas, falsas sibilas, sem o poder da profecia, do conhecimento e da iniciação que ela, Aldenora prezava. Ela observava as mulheres viventes no mundo supostamente casto da contenção, da miúda mente da burguesia que se queria herança da realeza europeia, realeza dos piratas vindos nas caravelas e fundadores da monocultura do café.  

A hipocrisia plugada na fixação das ventosidades silenciosas.  A criação das condições para o surgimento do ser esconso, oculto nas mentes, pesquisado na ciência oculta dos doutos, badalado no silêncio e na gnose dos cultos ocultos da tradição, pertencentes à erudição da ordem dos estultos. Esse ser, filho dela, Aldenora, saído, a tantos mil anos se reproduz de suas entranhas emprenhadas pelos Caídos, no mundo físico do armazenamento na nuvem de sua mente. A tecnologia dos aflitos não teria, nunca, acesso à memória imemorável dela. Ela, fêmea no convívio de anjos deprimidos, seres celestes, de notação histórica bíblica.

Seu Mundico, o cavalariço. de seu pequeno mundo pessoal, espreitava a ânsia dos que vinham de outras cidades. Pareciam sempre atazanados, partícipes da alimentação antropofágica do tempo, pareciam devorar a passagem das horas, o latido dos cães raivosos, ávidos por posse, por ter mais e mais e mais. Seu Mundico acreditava encontrar-se num lugar de calmaria, donde podia exercitar a percepção do 3° olho. A partir dele, a todos via e ouvia, sexto sentido aguçado, talvez pela telepatia com cavalos, com quem se comunicava no silêncio e na azáfama das baias na estrebaria.

Nas baias separadas da cavalariça estava a presença insubmissa da mais natural das tecnologias primitivas, intuitivas: a força arrasadora dos nervos, dos músculos e do físico, do espírito insubmisso desse animal, Grano, o Cavalo Branco, que lhe segredava segredos do insuspeito mundo das mulheres humanas. A imaginação e a memória de Aldenora reveladas no trato com equinos lhe revelava muitas coisas. Os equídeos eram telepatas emissores. Ele, seu Mundico, um telepata receptivo. Também emissor de mensagens em direção às mentes equinas, com as quais mantinha diálogo.

Grano, lhe tinha dito que Aldenora guardava no mundo, quase inacessível para a maioria das mulheres de seu conhecimento, a memória milenar dos relacionamentos físicos com os Caídos que deram origem aos Nefilins. Ela se julgava uma mulher humana com acesso ao tempo bíblico citado em Gênesis, Números, no Livro de Jó, no livro apócrifo de Enoch e em outros alfarrábios. Manuscritos em sumério e hebraico. Sua memória prodigiosa a conduzia em meio ao tempo longínquo, à sexualidade daqueles povos.

Os Nefilins, seres antediluvianos, que um dia dominaram terrivelmente a Terra habitada por elas, mulheres humanas cooptadas. Elas, as fêmeas humanas eram facilmente sodomizadas por eles, como se fossem animais, brinquedos abusados, por nefilins com força física de cavalos. Os machos humanos, nem de longe, poderiam competir com eles, eles, eles filhos dos Anjos Caídos com madonas terrenas. Aldenora, no fundo de seus quereres, ainda guardava a memória daqueles seres. Com uma dose cavalar de sadomasoquismo nas emoções desumanas, nos nervos.

A memória milenar da posse de seu corpo desejoso e indefeso. Como poderia reagir à pegada desproporcional deles, filhos dos Anjos Caídos??? Deles, filhos gigantes do conluio bestial entre Anjos Ets e fêmeas da espécie humana. O Grano, inquieto na baia, dizia, diretamente à mente do tratador, seu Mundico, por meio de entranha forma animal de telepatia, que a memória de Aldenora desses eventos, anteriores ao Grande Dilúvio, voltava a surgir em seus momentos de fruição erótica da relação sexual presenciada por ela, entre cavalos e éguas no cio.

Aldenora adaptara a memória daqueles eventos bestiais entre os filhos de Anjos Ets Caídos, com mulheres humanas, à sua própria realidade de mulher sedutora e seus desejos intrujões. Sedutora e fêmea, à revelia deles, se servia,  desses seres humanos, tão menos eroticamente capazes. O desejo sexual nela se acentuava, quando sentia as mensagens telepatas do Grano, o Cavalo Branco, ganhar sua mente e inundar seu corpo de um desejo mórbido e desproporcional, advindo dos tempos antediluvianos. A telepatia emissora do Grano, lhe dizia, na quietude dos rápidos relinchos, que ela lembrava da posse dos corpos das mulheres antediluvianas, posse de seus corpos indefesos, diante da investida desigual dos Nefilins e seus órgãos sexuais não mencionados no Livro de Enoque.

Grano em sua baia, esperava tranquilo o momento de realização maior da mágica façanha desejada por Aldenora. Ela se imaginara sendo possuída pelo membro ereto de 50 cm do cavalo. Seu filho que se unira na cerimônia de casamento com a noiva Angelita, singela donzela, não tão virginal, estava longe de saber que seu noivo tinha sido produto do sêmen e da mórbida relação sexual dela, Aldenora, com o garanhão Branco na baia, numa madrugada chuvosa e sombria, apesar dos relâmpagos e trovões que assombraram a herdade, lá estava ela, excitada perto dele. Talvez fosse seu filho, filho do esperma recolhido do garanhão, talvez apenas em sua distorcida imaginação. Grano, realmente, não a emprenhara???

A herança das memórias ancestrais por ela preservada nos confins de sua mente inconsciente, talvez tenha originado a peste do “vírus emocional sodomita” que assola a espécie sapiens desde seus mais longínquos ascendentes ancestrais, os Nefilins. Os Anjos Ets Caídos, teriam sodomizado também os filhos do sexo masculino das mulheres que com eles coabitaram.  A espécie Homo sapiens ainda paga por seus desregramentos anciãos.

Aldenora tinha em mente que os judeus do Templo de Salomão, administravam um portal para demônios e sacerdotes satanistas, descendentes dos sodomitas escravizados, por quatrocentos ânus, no Egito. Eles e os negros negreiros, por trezentos ânus sodomizados pelos senhores e feitores da Casa Grande, são seus mais característicos descendentes e sucessores. Herança cultural ancestral dos Nefilins, Aldenora se tinha como sendo uma Sacerdotisa da Serpente Narciso de um culto originado, saído das mulheres de convivência com sacerdotes do Templo de Salomão.

A festividade do casamento parecia envolvida num circuito de eventos bizarros, a começar pelo momento em que o padre terminava a cerimônia de casamento, ouviu-se a voz, outra vez engasgada, presa a uma pronúncia cava, quase afônica, que parecia ironizar o sagrado ofício litúrgico, a repetir:

— “Parabéns paisano, vale tudo pelo ânus... Craaahahah, Quakreka, Craaahahah,”!!!
— “Sim, eminência”. A pergunta à noiva fora respondida, mas não sem um senão de vexame e perturbação em meio à cerimônia. Para completar a vexação, ouviu-se o zurrado intermitente do brito, com uma disposição e fôlego dos diabos. Disposição contida com o cipó de ayahuasca de seu Mundico. O brito, vergastado, saiu pulando, escoiceando e peidando alto, na proximidade da ermida onde se realizava o casório. A capela da Fazenda estava lotada de convidados. Não poucos, a muito custo, contiveram o riso.

O cérebro reptiliano de Aldenora convocava e conversava com o cérebro límbico dela e dizia: “uma mulher, uma fêmea humana ou não humana, nasce para ser Sacerdotisa da Serpente Narcísica da Criação”. Um macho humano nunca teria como seduzir uma mulher da satisfação insana que delas fazia brotar a penetração uterina e anal de um Nefilim. Um Nefilim poderia chegar a cinco metros de altura. Ela pensava: “qual a dimensão de seus pênis”??? Nem o Livro de Enoch mencionara essa informação. Mas ela, mórbida mente imaginava estar sendo penetrada por um dos filhos dos anjos caídos.

Grano, na baia havia capturado a memória ancestral de Aldenora. Sabia ele de suas necessidades mais esconsas, dos pensares que mais a afligiam.  O que ela escondia nas reentrâncias de seu cérebro agitado, reptiliano??? Ele, Grano, o Cavalo Branco, sabia.

O transtorno maníaco-depressivo de sua própria alucinação, Aldenora buscava controlar. Ela pensou naquela mulher alegrete, aparecida na Tv visão: sempre animada, agradável, simpática, de sorriso largo, uma verruga no meio da testa, parecendo sempre mexida e estimulada, animada por estranha e íntima alucinação, como se fosse uma marca registrada da sua 3ª Visão. Sem saber por que, a memória empática mudou o paradigma, no pensamento mais interiorizado dela.

Aldenora olhava, na festa, com certa admiração, a figura da atriz sempre risonha, de vera promiscuidade gratuita, assanhada, safada. Por quê??? Ela se perguntava. Seria porque ela, ocasionalmente, a viu no Bigbrother da Globo e se impressionara com sua exagerada entrega da mulher de programas que ela era??? Da mulher sem freios que ela, Aldenora, sempre desejou ser???
  
De repente ela, Aldenora, mudou, outra vez, o paradigma do se pensar. A atriz do sinal na testa tomara assento entre os convivas na mesa das autoridades onde, do vereador ao governador, tomaram assento os supostamente ilustres convivas na comemoração matrimonial.
        
As realidades se misturavam na tela mental perturbada dela. Por mais que tentasse controlar os acontecimentos da festa, os eventos menores surgiam e perturbavam o bom andamento do que seria normal ocorrer na celebração. As memórias sobrepostas a inquietavam. Na simples aparência, ela parecia imperturbável. Mas, as circunstâncias festivas não permaneciam em curso de normalidade. Coisas estranhas aconteciam não apenas em sua percepção, mas também na realidade existencial dos eventos festivos.

O pênis vascular ereto de Tarik, o cavalo afrodescendente, a desfilar frente a mesa dos convivas, indicava que algo estava errado no geral dos acontecimentos. O orgasmo do Grano a lambuzar a entrada e os arredores de sua vagina, na madrugada por ela memorizada nove meses antes do nascimento do filho, a anamnese recorrente dos Nefilins, as memórias se mixavam em seus pensamentos, tentando harmonizá-los.

As pessoas que a rodeavam eram necessárias, mas também a perturbavam. Talvez ela estivesse sendo tomada pelo “efeito manada”: muitas pessoas juntas perturbavam as demais outras mentalidades. Por trás dos sorrisos simpáticos e da descontração geral promovida pela ingestão de cervejas e do whisky, Grano, mensageiro telepático dela, estava a fortalecer a rebeldia em sua interioridade.

Aldenora achava brechas nos momentos da festa, para manifestar a veracidade da alma perturbada. Ela teimava em fortalecer presença. O significado de seu nome estava a cobrar dela uma inquietação inusitada: “aquela que vive de sonhos”. Mas, quem não vive de sonhos??? A própria matéria é feita de sonhos. Por vezes, preciosos sonhos, pensava ela.

Mas, a sensação comunicada a ela pela mente telepática do Grano lhe dizia, com poderosa insistência: “a festa é uma armadilha”. Suas culpas a atemorizavam. A antiga, obscena, impiedosa e persistente sensação reptiliana de nostalgia não lhe dava trégua. Não, não poderia a ela se abandonar. Decisões inconscientes poderiam advir daí, ela poderia perder o controle do que estava por vir. A afeição persistente pela memória do passado mais remoto causava insônia e perturbações. A manifestação imemorial dos Nefilins. A aparência antiga e reptiliana dos convivas, como se eles, sem querer, estivessem a revelar suas verdadeiras faces. Os arquétipos mais originais que dominavam o psiquismo deles, sem que soubessem, para ela eram visíveis.

O governador mantinha um sorriso que traduzia a supremacia de um réptil. A visão penetrante de Aldenora a fazer aparecer a real idade por detrás da aparência rejuvenescida artificialmente pelos caros cosméticos. A realidade manicomial dos convivas revelava-se por trás da máscara facial de suas formas inumanas, reptilianas. Ela se questionava. Não havia ingerido nenhum alucinógeno. De onde vinha esse superpoder de ver o que as pessoas estavam, inconscientemente, a esconder??? Certamente tais imagens eram geradas na mente telepática do Grano. A poderosa telepatia do Cavalo Branco!!! Só podia ser, questionava-se ela: sua mente dominada pela mente de um equino.

Seria essa realidade destorcida uma emanação da mente do Grano??? Ela se perguntava, mas não achava resposta adequada. Todas essas pessoas eram personagens de uma realidade proveniente de dimensão outra??? Entidades não humanas estariam a se manifestar no esconderijo da aparência física humana??? Estavam essas pessoas vendo o que ela estava vendo???  Por que a visão dela ultrapassava os limites das aparências, e a visão dos convivas não??? Estariam também eles vendo o que ela via???

A área reservada aos políticos parecia a mais animada. O governador se aparentava um réptil de dissimulada aparência disforme e malcheirosa. O sorriso largo tinha a intenção de abrandar e disfarçar a real e odienta intenção do disfarce reptiliano. Seria ele um Androide híbrido Et, a se esconder por detrás da aparência humana??? A orgulhosa demonstração de poder político e econômico não conseguia esconder-se por sob a simpatia simulada do sorriso pretensamente favorável às demais autoridades que o cercavam. A intenção aliciante sempre presente em suas falas, ele não podia esconder. Pelo menos para ela, Aldenora.

A forma e o odor reptiliano somente ela sentia??? O medo da migração reptiliana de latino-americanos para os EUA, estaria a motivar a política paranoica do Trumpismo??? Estaria a mente paranoica de Trump deportando, não seres humanos, mas reptilianos criados por seus problemas psíquicos, por seu delírio político sistematizado??? A Teoria da Conspiração que cerca os republicanos estaria a motivar a perseguição paranoide e a esquizofrenia dos membros republicanos de seu partido???

Estaria Aldenora, ela também, influenciada por esquemas e estratégias PSI que estariam induzindo pessoas a acreditar numa invasão reptiliana do mundo por Ets quejandos??? Esses répteis estariam infiltrados no Inconsciente Coletivo da Espécie Sapiens??? Teria essa espécie Alien projetos políticos e tecnológicos de dominação planetária em curso??? A conspiração reptiliana teria tido início nos répteis que deram origem à espécie humana, a partir de mutações que tiveram início nos animais rastejantes saídos do mar há milhões de anos???

Aldenora lera “A Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky. Estariam seus pensamentos influenciados pelas referências aos homens-dragão, reptilianos que tiveram uma civilização que dominou a Terra a partir do continente Lauriano.  Portadores de poderes PSI e habilidades mentais que ainda hoje se manifestam na configuração atual da sociedade secreta dos Illuminati. Seu pai, Gerardo, era um médico respeitado, tinha algumas bizarrices sem explicação plausível. Apesar de paulista, era torcedor do Vasco e tocava Celo, assim como medalhas com seu nome são promovidas para homenagear médicos que se destacaram no campo de medicina.

Eles, militares saudosos da ditadura, muitos deles dedicados ao tráfico de Coca, afirmam que um poder amplo e definitivo nos observa de todos os lugares. Esse poder múltiplo é partilhado por civis, no pensar de Aldenora. Isso a inquietava sobremaneira. Achava-se ela acometida da “Síndrome do Pensamento Acelerado”, descrita no livro “Ansiedade” de Augusto Cury, psiquiatra, escritor brasileiro autor da Teoria da Inteligência Multifocal.

Todas essas ideias vieram à mente de Aldenora, sobrepondo-se umas às outras, como se em um átimo de segundo, no tempo PSI de sua percepção alterada pelo poder do Inconsciente Coletivo na Festa, estivesse consigo à vontade de permanecer inflexível, no interesse de firmar a dominação que pulsava suas entranhas.

Ideias antropofágicas e reptilianas criavam em sua testa, linhas de expressão. O governador e seus pares circundavam a atriz e a modelo risonha, a de verruga na testa. Ela ostentava um sicoma verrugoso, a representar uma possível visão do 3º Olho, símbolo dos folclóricos Illuminati.

O coração da mulher Aldenora batia forte, acompanhando a pressão desumana que emanava do ambiente escamoso, coletivo, festivo. Seus convivas pareciam, de maneira camuflada e discreta, com profissionais da biologia e da medicina que têm o corpo com pele que se assemelha a células, de formatação semelhante a escamas. Para Aldenora, em seu delírio visual, pareciam todos repteis.

A privacidade se esconde nas aparências. O sorridente governa a dor de uma sociedade desgovernada, governa de seu palácio político privado, uma cidade com mil problemas sociais, os quais ele apenas faz de conta querer solucionar. Em verdade o governador governa para seus interesses privados, para seus milionários de estimação. Ele se diz de um partido conservador, na realidade é um bandalho, sem controla dos mais baixos instintos, os mais primitivos e depravados.

O governa a dor da sociedade do Estado mais rico do país, banca o jogo argumentativo dos ricaços fascistas. Eles enganam sadicamente os pobretões arrivistas, as classes médias cristãos que pensam que são judeus, os assalariados liberais, os taxistas, os motoqueiros que dizem que serão em breve empresários. Por que que apoiavam o líder da extrema direita nacional ao qual serviam de modo incondicional, subserviente. Eles não têm uma resposta. São eleitores dele por pura raiva de sua condição miserável. Os evangélicos que nada sabem dos Evangelhos, senão nas aparências de suas mentes fanatizadas, escondem a corrupção mental endêmica que os sustenta. Eles sempre estão a temer ser desmascarados.

Aldenora monitora todas as dependências do rancho na fazenda. Ela precisa sempre, todos os dias, devorar a delícia do bolo abastado, luxuoso, educadamente metê-lo no próprio forno e comê-lo sem deixar que muitas migalhas caiam da mesa milionária, para que o banquete dos mendigos não seja farto o bastante para revigorar suas parcas forças sociais. Eles sobrevivem em outra frequência: na constância social diária dos miseráveis.

É preciso para ela, Aldenora, conservar e acreditar no poder conservador, oculto, operando nas sombras de suas intenções, a social, política e econômica. As mais graves tensões de bastidores precisam permanecer fora dos olhos curiosos da imprensa, do público, das milhares de vítimas sociais, dos milhões de eleitores enganados por suas lideranças extremistas com apoio econômico e político da Casa Grande e Branca, em Washington. A mecânica social, é assim que funciona.

O mundo Cão invisível da corrupção precisa preservar-se dos olhos críticos. Ao olhar para a aparência risonha e ávida do governador, Aldenora podia ver, manifestadamente, seu olhar antropofágico, radical, canibal, com o qual o político devorava a paisagem geral do ambiente festivo nos festejos da festa de casamento. A tensão que permeava o ar, aumentava a cada minuto. Alguma coisa, o trem da festa, estava muito fora dos trilhos, mas ninguém sabia dizer por que uma ansiedade inexplicável parava no ar.  

Ela pensava de si para consigo: por que os reptilianos não podiam ser vistos tal qual eles são, pelos demais convivas??? Que força mental fazia com que vissem a aparência de humanos, quando para ela eram seres reptilianos. Os olhos dela tinham a eficácia, o know-how de olhar e de ver. O que tinham os seus olhos que os demais olhos não tinham, não viam???

Os répteis desenvolveram uma tecnologia de camuflagem high-tech: O objetivo é a vitória final sobre a humanidade. O que estão esperando??? Na realidade o objetivo deles é conseguir um golpe de Estado que permitirá a tortura e prisões dos opositores e adversários de suas políticas golpistas. Querem eles implantar, seja como for, a submissão social do “efeito manada” imposto radicalmente aos mais fracos, à população social mais vulnerável.

O chefão do governador elogiava constantemente o coronel Brilhante Ustra, um sádico que submetia os prisioneiros políticos da ditadura a vexames físicos e psicológicos inomináveis, nos porões do poder gerido por generais quatro estrelas coniventes com o sadismo anônimo de seus subordinados. Aldenora via o governador e comentava, de si para consigo: “O verdadeiro poder e o dinheiro dos políticos nunca aparecem, de todo, em público. Eles, fisicamente, sim”. Ainda assim suas aparências nem sempre enganam.

A aparência sorridente do governador não revela as alianças e as negociatas que moldam as tendências do mercado e que, em parte, dependem dele e de sua politicagem de extrema direita, para se tornarem operacionais, conectadas juntamente com os tecnocratas da Avenida Faria Lima. O governador, de si para consigo pensava, com sua mente reptiliana, enquanto olhava, sorridente, o desdobramento dos eventos na festa de casamento. A transmissão mutual do pensar se adensava no Inconsciente Coletivo da Festa. Em realidade, que comemoravam os convivas, pensava ele, o governador. Aquela festança toda era apenas uma ilusão de confraternização. Um lugar de passar uma chuva, de divertimento passageiro.
— Realmente, pensou ele, basta segurar as pontas. O manjar é gratuito e o whisky, excelente.

A habilidade de comunicação entre os convivas da festa, parecia à Aldenora, num contexto clínico, um delírio telepático, no qual ela acreditava que seus pensamentos eram transmitidos a ela pelo Cavalo Branco, e dela para os outros demais convivas da festividade, mesmo sem eles compreenderem suas mensagens. O estado de harmonia e entendimento mútuo entre ela e Grano, afirmava uma afinidade de pensamentos e sentimentos a que não poderia, realmente, compartilhar com os demais convidados da festa. Não havia como suas emoções íntimas transitarem, via comunicação verbal, numa conexão

Aldenora acreditava ser uma realidade sua condição psiquiátrica afirmativa do poder da mente de Grano, o Cavalo Branco. Neste contexto de crença, o conceito se valia de forma espiritualista e parapsicológica, na forma de sintonia mental significativa.

Acreditava ela que por meio de um “fluido universal especial”, privado a certas pessoas escolhidas, talvez de um povo escolhido, ela via e sentia em seu corpo réptil, a transição antiquíssima, que se forjara a 320 milhões de anos aproximadamente. Os répteis marítimos começavam a migrar do mar para a terra. Lá longe, no período carbonífero. O equino, o Cavalo Branco, sabia disto e outras coisas muito antigas. Como se um cavalo pudesse ter conhecimentos da história humana, antes e depois do Grande Dilúvio. E mais ainda, comunicar telepaticamente a ela esses conhecimentos, na forma de um diálogo mútuo.

Aldenora crê que a maneira, ou estratégia objetiva dessa sucção, sugar a   sanguínea vitalidade das pessoas, acontece quando, por exemplo, as poderosas autoridades bebem o conteúdo de garrafas de vinho Grand Cru Montrachet, colhidas e industrializadas com uvas em plantações de 23 milhões de euros, cerca de 130 milhões de reais, por hectare. É o equivalente ao Congresso surrupiar as verbas da cultura popular de um país.

Ontem, o governador recebeu de presente de uma liderança política asiática, além de joias, meia dúzia de garrafas de Domaine de la Romanée-Conti, 1945. Cada garrafa custa de US$ 558.000. Aldenora pensou de si para consigo: “não mereço este precioso presente, mas meu mentor político tem feito por onde merecer. Mesmo estando preso, beber deste vinho é um privilégio para muitos poucos nesse mundo. Ele e seus filhotes protegidos pelo extremismo de direita ornamentado no verde oliva das fantasias militares, tipo os Kids Pretos”.

Ela, mulher empoderada por contatos poderosos com sede na Bolsa americana, manipulada por operadores políticos e econômicos da Nasdaq, desde 1971, também investe em outras bolsas mundiais que operam em Nova Iorque e abrangem empresas de tecnologia associadas NYSE, com capitalização de mercado de US$ 23 trilhões, com 3.300 empresas listadas, parte delas no Vale do Silício.

— Mulheres e homens têm muitos “eus”, dizia Aldenora de si para consigo. Um desses “eus” de Aldenora detestava profundamente o governador. Isto porque parentes próximos dela haviam falecido devido à falta de vacina da Pfizer, quando esse laboratório as ofereceu ao governo federal de seu político preferido. As vacinas, ele não as comprou a tempo de salvar pessoas de seu entorno familiar na pandemia da Covid-19. O presidente se dizia “atleta”, imune aos perigos infecciosos da “gripezinha”.  

O governador, ficou excessivamente grato ao seu padrinho político, ex-presidente da República, pela indicação ao governo de SP. Ele foi eleito por um eleitor conservador e ignorante das consequências da eleição a longo prazo.  A extrema direita se fortaleceu no país, também na América Latina e no mundo. A Covid-19 terminou por fazer mais de 700 mil mortos no Brasil. Fez também muitas vítimas entre colaboradores e fornecedores e trabalhadores na salvaguarda, manutenção de insumos da fazenda. Aldenora acusou prejuízos que não estavam programados em seus negócios.

A mente reptiliana de Aldenora teve medo de perder, ela também, a vida, desde que esteve infectada pela pandemia da Covid. O filho, Miguel Leme do Prado Cunha Gago, o Miguelito, que ora se casava, fora internado no Albert Einstein. Miguel tinha problemas pulmonares decorrentes do HIV. A noiva, agora mulher dele, ignorava a infecção. Se ele havia contado a ela, que estava infectado, Aldenora não sabia. Preferia não se meter na secreta intimidade do filho. Poderia atrapalhar sua estratégia de vida.
      
O tempo do casamento passou, Daniela, mulher de Miguel, doze meses depois tinha parido um menino. Ela, Aldenora, agora era avó. O tempo passara. Grano, o Cavalo Branco e Tarik, o Afrodescendente, não mais se mostravam dispostos a concorrer na passarela do exibicionismo erótico, a desfilar com seus membros desembainhados pelo espaço circular entre as mesas dos convivas nas festas. Seu Mundico observava as mulheres que tratavam dos cavalos na cavalariça, e a obsessão delas no fixá-los, como se esperassem que um dia, pudessem ser, elas mesmas, as éguas que absorveriam em seus corpos uma parcela dos cinquenta centímetros de seus membros. Parecia a ele, Mundico, que elas esperavam a chegada desse dia, que nunca chegaria, com ansiedade.

Grano, o Cavalo Branco começou a se agitar na baia. A cavalariça estava estranhamente inquieta. Aldenora pressagiava acontecimentos que, fora de seu controle, estavam próximos a acontecer. Seu Mundico antevia estranhamentos que estariam perto de se manifestar. Grano, tinha 18 anos, Tarik, o Afrodescendente, 16. Mundico havia lido um registro no Guiness Book. Esse registro dizia que o cavalo Old Billy, criado em Lancashire, Reino Unido, viveu 62 anos. Ele torcia para que o garanhão, o Grano, o Cavalo Branco que se comunicava telepaticamente com ele, pudesse ter vida longa. Desta forma seu Mundico poderia continuar usufruindo de benefícios vindos da “mediunidade” telepática dele.  

Alguns convidados depois de tanto tempo, ainda lembravam da sensação de ansiedade esquisita que invadira aquele ambiente festivo. Uma aragem impertinente vinda de algures, prenúncio de acontecimentos que fugiriam inteiramente de explicações lógicas ou científicas, causando surpreendente desordem ambiental. Daquela festa não poderia faltar, ainda tanto tempo depois, na lembrança turva de uma memória medrosa e sombria, as ameaças de que foram vítimas naquele dia, naquela tarde, naquele anoitecer ainda agora inexplicável. A memória dos acontecimentos ainda turva estava.

Dores de cabeça, vômitos, sangramento no nariz, olhos, ouvidos, mal-estares. A traumática lembrança os ameaçava:

— Melhor não lembrar, diziam, ainda muito tempo depois, pessoas que estiveram na festa de casamento de Daniela e Miguel. Muitos deles, dos comensais da festa, ainda temiam ficar com aparência transparente, e se surpreendiam, por vezes, sem ver suas imagens frente aos espelhos.

Suas próprias almas pareciam de borracha e se esticavam em direção àquelas lembranças do fenômeno eletromagnético.  

Seu Mundico lembrava: enquanto os cavalos se agitavam nas baias, Grano iluminou sua mente, dirigindo-a em direção aos convivas. De suas mentes surgiram pássaros estranhos, com cabeças que lembravam ossadas de sáurios. Levantavam voo, como se buscassem um lugar no horizonte para onde se dirigissem. Saíram eles de seu campo de visão por alguns longos segundos, quando voltaram, se arrastaram no chão, cosmo se estivessem com seus corpos esgotados, as asas cansadas no esforço do voo. Seus corpos se despedaçaram em meio aos sons do palco sertanejo, rastejaram na principal arena da festa rodeada pelas mesas dos convivas. Algo dentro deles também se despedaçou, e subidamente crepitou ininterruptamente.

Onde quer que estivessem, aquelas pessoas, autoridades, gentes que da festa do casamento de Miguelito e Daniela tinham participado, sentiam que delas se tinha apossado uma memória retroativa incômoda, importuna. A perturbação de uma experiência que havia acontecido, mas que era de difícil recordação do que houve na continuidade da festividade. Bizarros desdobramentos, como se estivessem vindo de outra dimensão. Era como se de distantes eras. Nem sabiam se anterior ou posterior aos acontecimentos. A sensação de que, talvez, nem tivessem mesmo acontecido. Estranhamento sobrenatural. Memória incômoda. Traumática.

A dificuldade de processar o acontecimento impedia também que outros pensares viessem à tona, à consciência pasma. Flashes de memórias aleatórias se apossavam, de repente, de suas mentes, ausentando-se na realidade circunjacente:

Eva, nua no Paraíso, sendo abordada pela serpente com um rosto amável, sedutor, simpático, convincente, quase demente, como se tivesse ingerido, o odor paradisíaco de algum mistérioso alucinógeno. Memórias milenares recorrentes da antiguidade de eventos míticos. A terrível sensação de amortecimento dos sentidos, como se a realidade se passasse em câmera lenta. A mente de Aldenora não era de fácil tradução, talvez por influência telepática de emissões mentais do Cavalo Branco. Inquieto. Na baia.

Os flashes dos pensares não se fixavam na mente daquelas pessoas, exceto por alguns segundos, sendo elas, subitamente, substituídas por memórias muito antigas, aleatórias. Durante essas experiências sentiam-se traumatizadas pela realidade recente. A sensação de que tal realidade se tornara mais difícil de suportar, devido vivências anteriores, algumas delas mais traumáticas, mas também mais prenhes de cores, odores, psicodélicas. Mais antigas. Absurdamente remotas. Ou, quem sabe ao certo, irracionalmente futuras.

Elas não tinham nenhuma lembrança das pessoas que conheciam, como se estivessem voltando de uma viagem interplanetária. Ou sabotadas por uma mente afetada pelo Alzheimer. Aldenora, aflita, se perguntava como era possível estar nessa inacreditável condição: crianças, adolescentes, adultos de todos os sexos, idosos, todos expostos às culpas que até então ignoravam ter, talvez, vivenciado. Os animais quadrúpedes também manifestavam estranhamentos comportamentais, como se recém-saídos de outra dimensão. Afetados por sentidos estranhos. Irrequietos. Por vezes agressivos. Os olhos dos cavalos pareciam querer saltar das órbitas, assustados.

As memórias de um passado aleatório, por vezes distante, apareciam em flashes na tela mental daqueles que participaram da festa do casamento. Estariam sob a influência de algum cometa ou nave espacial de outra dimensão, de outro espaço interplanetário??? A sensação de que aquelas pessoas faziam parte de uma sociedade secreta demencial. Estariam suas habilidades mentais em supino mental ou em declínio??? Os demais eventos de suas vidas, por mais importantes que tivessem sido, não pareciam ter, agora, nenhuma mínima importância, se comparados a essas sensações perceptivas. Em que vulva fantástica se tinham adentrado??? De onde provinha esse delírio ilusório??? De que região do cérebro!!!

Que poder inquestionável estava a manipular dessa forma alterada a percepção delas, abertas as portas da percepção em suas mentes descontroladas. A névoa verde provinha de onde, tinha vindo de que lugar??? Perguntas sem respostas, perguntas sem nexo causal. Quem deve ser responsabilizado??? Até quando esse tipo de perturbação poderia continuar em suas vivências perceptivas???

De que modo a convivência com outros seres, os que não passaram por essas experiências perceptivas, afetaria suas vidas??? Algo poderoso lhes estava impedindo, de voltar a ser o que antes eram: Seres normais nunca mais seriam. A continuidade de suas vidas jamais seria rotineira, tipo papai-mamãe-filhinhos-margarina-forno e fogão. Pizza, pães e bolos.

As sensações esquisitas persistiam. O amplo lugar em que se realizavam os eventos estava a ser perpassado por névoa de coloração esverdeada. Fluxos de energia começaram a migrar de um para outro corpo, de um para outro cérebro. As vontades e vivências começaram a se entrelaçar e estressar. O misturar de ideias e intenções se transtornavam, afligindo e confundindo as interações vivenciadas, psicológicas. A Alma do Mundo não era a mesma.

Estudo posterior ao evento revelou ter havido ionização do ar, a presença de um campo elétrico forte ionizou o ar adjacente, daí o testemunho de uma claridade azul/violeta. A criação do campo elétrico gerou uma emissão de ozônio. As luzes tremeluziram e apagaram, desgastaram-se os isoladores.

Após os estranhamentos, as pessoas demonstraram grande tristeza. Sentiram-se em meio a paisagens devastadas. Algumas entraram em intenso estado de frustração, inconformadas pela insatisfação que lhes causava a visão de um meio ambiente poluído, espécies extintas mostravam-se em seu estertor, em meio a um meio ambiente poluído em grande crise climática.

Estariam aquelas pessoas sido transportadas para um futuro próximo??? Lamentos, gritos abafados e sussurros eram ouvidos de todas as partes. A natureza, as plantas, os cursos d´água, a maré cheia de poluentes, garrafas plásticas, peixes apodrecendo sobre as ondas. Seria essa uma forma de algum poder extraterreno mostrar a urgência com que a natureza suplicava por mudanças ambientais urgentes??? A maré vermelha se fazia presente.    

A névoa verde que envolveu o espaço da festa produziu plasma na região ionizada, uma corrente constante e espontânea, um fluido eletricamente condutor. Fenômenos visíveis e audíveis. Um brilho violeta e um som sibilante no ambiente escurecido, como se o campo circular em torno das mesas estivesse sob influência elétrica muito forte.

A neblina esverdeada, devido a ionização do local, provocou distorção na luz que estava indo e voltando. A refração promoveu o desaparecimento de coisas, objetos, pessoas. Estas. se tornaram invisíveis, Havia efeitos diversos e estranhamentos incompreensíveis. Estudiosos posteriores do evento se perguntaram que contribuição esse acontecimento teve na evolução da consciência do tempo e do espaço neles, os estudiosos. Que verdades poderiam ser aprendidas em seus estudos sobre o funcionamento do universo, de vida das pessoas presentes ao acontecimento inusitado do casamento de Daniela e Miguel.

Que efeitos a mais longo prazo poderiam advir desses bizarros acontecimentos??? Posteriormente registraram-se náuseas, desorientação, fusão de corpos com partes metálicas de carros, nos quais alguma\s dessas pessoas tentavam, inutilmente, apressadamente, entrar e dirigir.  

A descarga elétrica de alta voltagem perpassava o “campo unificado” da festividade. Os partícipes trocavam entre si suas “consciências ocultas”. Forças invisíveis e secretas se desnudavam no ambiente, causando impressões sobrenaturais nas pessoas. Tornaram-se visíveis uns aos outros conteúdos que até então conseguiram ocultar em suas vidas. Estavam partícipes de acontecimentos de significados anteriormente inalcançáveis.
Visões, possivelmente de um Apocalipse planetário, se tornaram possíveis. Estiveram os convivas da festa de casamento sendo partícipes involuntários de alguma experiência promovida por cientistas que não se identificaram a si mesmos, e às empresas de alta tecnologia para as quais estariam a trabalho, com contratos assinados de não revelação dos resultados, mantendo-se os partícipes no anonimato???

Os organizadores da festa teriam tramado contra os convidados??? Quais os motivos irrevelados??? Essas percepções afetavam suas vidas de um modo que eles não poderiam antecipar as consequências. Se tinham dificuldades em acreditar uns nos outros, agora, depois dos eventos ignotos, desenvolveram comportamentos agressivos em cenários de antiguidades muito passadas, por vezes paleolíticas, nos quais se reconheceram: Quer em delírios, quer em sonhos e pesadelos:

Massacres sangrentos de tribos contra habitantes de cavernas, visando a posse das mesmas e a expulsão de mulheres grávidas, crianças e demais habitantes desses lugares, até então ocupavam enquanto base de sobrevivência tribal. Porretes pesados esmagavam cabeças de adultos, mulheres, idosos e crianças.

Teletransportados pela “névoa verde”, alguns dos partícipes da festa de casamento testemunharam “in loco”, no lugar mesmo dos acontecimentos de há 850 mil anos, no sítio identificado por arqueólogos como sendo de Gran Dolina, região da Serra Atapuerca, na Espanha, um grupo de hominídeos conhecidos por “Homo antecessor”, canibalizando a carne crua de crianças e demais ocupantes da caverna, os que não conseguiram fugir correndo do ataque e escapar do banquete de canibalização da tribo invasora.  

Até aquele momento não havia evidências de que o teletransporte era possível. O testemunho dessas pessoas produziu uma grande comoção nos cientistas estudiosos desses acontecimentos que se reuniam, posteriormente a eles, na tentativa de revelar as causas do enigma da névoa que invadiu os aposentos da festa de casamento.

A experiência de teletransporte ocasionou traumas intensos em algumas pessoas que presenciaram a invasão do lugar de habitação do grupo pré-histórico que ocupava a caverna da tribo invadida. Ambos os grupos pertenciam aos primeiros humanos nômades, estavam em perene deslocamento, fugidios das tempestades, assombrados por raios e trovões, aterrorizados por animais de intensa selvageria.

A descoberta do fogo se atribui a esse período. Aqueles hominídeos caçavam, pescavam, coletavam alimentos. Alguns grupos deles, do “Homo antecessor” não devoravam apenas crus os seus prisioneiros, eles também cozinhavam os alimentos e as carnes dos animais que conseguiam capturar, das tribos que conseguiam assaltar e matar para canibalizar. A carne de seus contemporâneos, até então, era consumida crua.

Alguns dos comensais da festa de casamento prestaram seus depoimentos durante as reuniões do grupo que se reunia para traduzir os estranhamentos que tinham acontecido durante o evento “névoa verde”. Coisas estranhas continuavam a acontecer, mesmo muito depois do ocorrido:

A temperatura dos corpos de alguns deles aumentava tanto, o desespero deles era tão flagrante, que alguns se levantavam e se jogavam contra paredes e jamais eram novamente vistos. Seus corpos simplesmente desapareciam, como se tivessem ficado dentro das paredes, ou se teletransportados sabe-se lá para onde. Outros, tinham seus corpos incendiados, pegavam fogo, e as pessoas que presenciavam esses incêndios espontâneos os viam consumirem-se num fogo misterioso, tipos os casos de combustão humana espontânea (CHE).

Um fogo realmente misterioso. A ciência moderna oferece algumas explicações para os trágicos eventos de combustão humana espontânea. Os convivas remanescentes da festa de casamento organizada por Aldenora para seu filho, não tinham, maior parte deles, nenhuma esperança de que aqueles eventos bizarros tivessem um dia, no futuro, uma explicação científica para eles. Ao contrário dos eventos CHE que tinham explicações várias, ainda que sem base em provas realmente científicas.

Todos sabiam estar em mãos de um fenômeno contra o qual nada podiam fazer. Um fenômeno inconveniente, sobrenatural. Esses acontecimentos os conduziram a outros lugres, outras paisagens. Aldenora sentia-se culpada por suas relações incomuns, suas conexões telepáticas com o Cavalo Branco. Seria ele um símbolo atuante do 1° Cavaleiro do Apocalipse, aquele que prometia paz e recebeu uma coroa, um diadema símbolo de poder e autoridade a enganar pessoas preparando-as para eventos subsequentes???

A Experiência de Filadélfia, negada pela marinha americana, mas com evidentes indícios indicativos de que realmente aconteceu, teria aberto um portal através do qual entidades de outras dimensões ganharam mais livre acesso à realidade humana??? A verdade é que a espécie humana sempre esteve enganada, malbaratada, desde os primeiros momentos da Criação, com Caim e as relações incestuosas entre os parentes seus familiares??? A verdade é que a espécie humana foi criada sob o signo da perversidade assassina e da dissimulação de intenções???

— A maldade, o incesto, a perversidade, a perversão humana, os desvios das normas de comportamento adequadas à boa e à melhor convivência entre as pessoas, nunca foram possíveis??? Tudo indica que o Criador criou esta espécie para se auto aniquilar aos poucos, e que as normas de civilidade são apenas indícios enganosos de que, realmente inexistem enquanto possibilidade de afirmação??? Estas interrogações de Miguelito eram as mesmas que sua mulher, Daniela, estava a fazer a si mesma.

Os desvios das normas pessoais e sociais, da Ética e da moral ensinadas nos textos ditos sagrados, são apenas simulações inalcançáveis aos seres humanos??? São apenas peixes num azol em frente aos olhos humanos, destinados a enganá-los??? São apenas um alimento para as almas humanas se envolverem em esperança de um dia alcançá-las, quando, em realidade, jamais poderão ser alcançadas??? A perversidade do Criador é infinita??? Afirma-se acima de todas as demais possibilidades???

A ciência afirma que as descargas eletromagnéticas do cérebro humano podem influenciar o ritmo cerebral coletivo. É o fenômeno da sincronização neural. Não é a mesma coisa de comunicação telepática ou controle mental. O cérebro gera sinais elétricos que produzem ondas cerebrais de frequência ultrabaixa que, embora sejam muito fracas, podem atingir grandes distâncias.

Durante interações sociais, tal qual a que aconteceu no oito de janeiro da invasão e depredação da sede dos poderes da República, as ondas cerebrais de indivíduos próximos entre si, tendem à sincronização que é a geratriz do “efeito manada”. Criando um campo magnético de ritmo semelhante. Essa sincronização neural interpessoal, facilita o compartilhamento de ideias e ações irracionais, a comunicação ilógica, mas eficaz.

— É o que aconteceu no oito de janeiro, disse Daniela.
— É o que acontece com a gangue do Trump Trambiqueiro, replicou Miguel. Ele está transformando os EUA numa República de Bananas.

Esss pessoas constroem conexões neurais muito fortalecidas. Elas geram envolvimento e uma visão perturbada de que a razão está com elas, quando, em verdade, só irracionalidade pode sair dessa conjunção mental coletiva eletromagnética. Colaboração e reciprocidade áspera, acrimoniosa, alienação decorrente do “efeito manada”.

— Eletromagnetismo de mutirão, falou Miguelito.
— Mobilização coletiva, punitiva, em desabono e vergonha dos envolvidos, comentou Daniela.
— A mentalidade de mutirão agindo, compartilhando os mesmos sentimentos, a mesma compreensão equivocada de colaboração e reciprocidade. Agilizando conflitos, trabalhando em prol dos interesses de um grupo que usava e abusava do “efeito manada”, para dele tirar proveito em proveito de seus interesses, os mais escusos, torpes, desonestos e criminosos, complementou ele.

A memória horrorizada do evento “nevoeiro verde” voltava a acontecer quando, por vezes, lembravam que tropeçavam sobre o aço e o alumínio dos carros estacionados e observavam, perplexos, que seus membros superiores penetravam a superfície dos veículos, infiltrando-se nas ligas de ferro fundido e aço.

As alucinações pânicas eram emanadas em suas mentes a partir da mente de Aldenora que, por sua vez, culpava a ação do Cavalo Branco sobre seu psiquismo. Mas, poderia Grano ter tido influência sobre o evento “nevoeiro verde”??? Talvez, ela pensou, haja influência das reuniões da sociedade secreta da qual participava quando, nas noites programadas das reuniões, era ouvido o que parecia ser o lamento noctívago profundo da ave fantasma, também chamada de “Mãe da Lua”: O Urutau. Ave de grandes olhos amarelos. O Urutau consegue ver o que está em sua volta sem abrir os olhos.  

Muitas crendices e lendas foram criadas a partir de seu canto. Gargantas de carcaças de pássaros agonizantes emitiam a sonoridade horrível. Um canto fúnebre do pássaro Urutau, ave fantasma, agourenta. As pessoas que participavam dessas sessões no subsolo do rancho no sítio da herdade, sentiam-se acossadas, trêmulas até a alma. Mas o medo é componente nessas uniões entre membros da sociedade secreta. Ainda que nem sempre de modo tão explícito ou manifesto: O lamento noctívago profundo do Urutau soou nessa noite de lua cheia.

Seu Mundico levantava ambas as mãos dos lados do rosto, encobrindo-o como se a se defender do horror que aqueles sons lhe causavam. Ele mantinha-se afastado, a uma certa distância do lado de fora, mas com ouvidos abertos, os rituais eram seguidos por práticas de erotismo ritualístico que lembravam bacanais dionisíacas. As autoridades policiais e políticas desdobravam-se em evidentes demonstrações de anomalias, amoralidade e aberrações sexuais manifestas.

Alguns membros do culto chamavam essas sessões de “ruptura mental antigravitacional”. As informações saltando de mente para mente como se estivessem sendo impulsionadas por íntimo e mútuo eletromagnetismo PSI despudorado, até então inexplicável em termos de um acontecimento social festivo entre pessoas de formação moral erudita.

O evento bizarro da festa de casamento, a nuvem esverdeada que os envolvia, cobrava de seus convidados demandas reprimidas, desejos que, até então, não tinham sido atendidos devido à falta de conhecimento de uma solução para eles. Antes desse momento seus desejos demonstravam certo recato na manifestação orgíaca. Agora, entravam em ação sem nenhum pudor. Os corpos buscavam solução para suas demandas até então reprimidas, contidas dentro de si mesmos, ao mesmo tempo impulsionadas por uma malignidade a serviço de fixações inconscientes inconfessáveis. O que era secreto, contido, proibitivo, manifestava-se despudoradamente.

Um flash momentâneo mostrou o governador a correr em direção ao Cavalo Tarik, o Afrodescendente. O equino mantinha o pênis vascular à mostra. Garotas adolescentes risonhas, equilibravam-se no dorso do Grano, o Cavalo Branco, antes dócil, já agora a trotar em círculo por entre as mesas do evento, a mostrar irritabilidade, o pênis vascular à mostra. O prelado que realizara a cerimônia de casamento tentava se equilibrar na montaria dele, em movimentos de pernas ríspidos, tentava não cair.

Os violeiros sertanejos agarravam-se a seus instrumentos musicais. Eles pareciam querer fugir do alcance das cordas de nylon ou de aço dos instrumentos. Enrolados em seus braços, troncos e pescoços, ferindo suas carnes, as cordas de seus instrumentos moviam-se em torno deles. As senhoras de mais idade mostravam-se particularmente afetadas, buscando segurar as garrafas que tremelicavam sobre as mesas em frente a elas.

Muitos corpos, estavam em chamas. Grano, o Cavalo Branco, escoiceava o ar, fazia as garotas correrem apavoradas para o mais longe possível de seu galope. Elas caíam desconjuntadas por sobre as mesas. O governador agarrara-se ao rabo de Tarik, do Cavalo Afrodescendente, ninguém atinava por quê. O próprio tempo do lugar era uma mostra de terrorismo festivo.

O governador foi jogado violentamente em direção às mesas, após soltar o rabo do Cavalo afrodescendente. Dentro da casa, uma senhora idosa, vestida de seda negra, num ambiente intimista, parecia estar se refrescando próxima a um aparelho de ar refrigerado. Ela sorria com maxilares abertos, num rosto pontudo de ave esquelética, descarnada.

Soldados romanos continuavam a vergastar impiedosamente o corpo sangrando de Cristo, enquanto ela se divertia com a visão. Cardeais no Vaticano sentados na sala do Conclave, divertiam-se diante de dois Papas, ambos perplexos, sentados à cabeceira de uma longa mesa cerimonial.

Em meio à Multidão eu os cercava, conhecidos políticos americanos eram agredidos em protesto, na cidade de Los Angeles. Seus seguranças tentavam protegê-los. A imprensa noticiava os acontecimentos com comentários televisionados. As reportagens eram comentadas pelos jornais noturnos.

Hominídeos paleolíticos ao redor de uma fogueira aquecem seus corpos de Homo erectus no Vale do Rift na Etiópia. Suas feições se parecem, à aproximação curiosa de seu Mundico, com os rostos de Netanyahu, Milei, gal. Heleno, gal. Braga Neto, Bozo, Putin, Xi Jinping, Trump e outras autoridades políticas.

Seu Mundico se aproxima, pasmo, superlativamente curioso e interrogativo. Ao se aproximar mais da fogueira paleolítica, onde também estão agachados três conhecidos pastores evangélicos brasileiros que ficaram milionários comercializando os Evangelhos. eles sorriem maliciosamente para ele, seu Mundico, com suas caras brilhando de malignidade. Seu Mundico, assustado, ao reconhecer o rosto pânico do ex-presidente que não comprou as vacinas da Pfizer a tempo de salvar as vidas de mais de três milhares e meio de pessoas infectadas pelo vírus na pandemia de Covid-19. Aquele rosto estava a pulsar de culpa. De uma culpa maligna, com grande convicção de si mesma, com a qual parecia divertir-se.

Uma voz calma se fez ouvir em meio ao caos ambiental instalado, sem que ninguém entre os convidados saiba exatamente de onde vinha. Qual a proveniência da fala??? A voz reverberava no interior da mente dos partícipes do banquete de casamento:

— “Há dois milhões de anos um dos mais antigos antepassados do povo da Terra, iniciou a mais primitiva diáspora: o Homo erectus aprendia a lidar com o fogo. Tinha evoluído do Homo habilis. Há dois milhões de anos se dispersou da África para as mais diferentes regiões do mundo numa espécie de migração em massa: Iniciou as tecnologias mais primitivas no lidar com as chamas de pequenos recipientes de pedra contendo brasas sopradas de quando em vez. Essa espécie primitiva de diáspora dispersou o conhecimento do uso do fogo nos mais distantes continentes”. A voz não identificada, após alguns momentos, se fez outra vez ouvir:

A diáspora mais antiga do Homo erectus expandiu-se do continente africano para a China, Indonésia, Ásia. O Cáucaso pisado por seus pés em Java. “Os Raimundos erectus migratórios” ganharam o mundo. Eles invadiram todo o Velho Mundo conhecido na época do Homem de Java. Não havia linguagem, senão o impertinente
— Uga, Uga; Guga.
— Uga, Uga. Guga.
— Uga, Uga. Guga.
— Guga, Guga. Uga.
— Guga, Guga. Uga

Os Ugas, Ugas, Gugas, Gugas, era a linguagem vigente naquele momento tão antigo e primitivo. Os dialogantes conversavam horas e horas nessa troca de ideias que só podiam ser expressas por essas expressões idiomáticas monossilábicas, por vezes agressivas e acrescidos da expressão “Guga-Guga”. Era um intercâmbio vocal mutuamente receptivo. Era a linguagem erudita dos intelectuais primitivos. As discussões e os conflitos pareciam ao observador, solucionados num diálogo tipo ganha-ganha:

— Uga, Uga; Guga.
— Uga, Uga. Guga.
— Uga, Uga. Guga.
— Guga, Guga. Uga.
— Guga, Guga. Uga.

Desde a existência dos primeiros e mais remotos hominídeos, diferentes raças deles infiltravam-se nas demais espécies de hominídeas. O hibridismo dessas comunidades antigas continua no mundo de hoje.  

Os milênios e milênios e milênios se passaram em busca de comunicação civilizatória. Repetem-se agora com um linguajar poliglota dos embaixadores dos países eu fazem parte das organizações mundiais pela paz mundial.  Continuam se enfrentando, se matando, disputando locais de sobrevivência para seus trogloditas vestidos de roupas caras e especiais de grife. Roupas que os protegem das balas, torpedos e granadas dos que apelidam de inimigos da liberdade ou da democracia. Outros se querem amigos de deus, pátria, família e liberdade. Nos discursos demagógicos da boca para fora.

Em verdade estão a competir por por diplomas e diplomacias que tornam macias as lutas renhidas entre gladiadores de gravatas borboletas, que podem, a qualquer momento, lançar bombas atômicas uns nos outros. Roubam-se mutuamente em casas congressuais. Assaltam-se entre si em disputas civilizadas, nas quais institucionalizaram as metodologias da agressão mútua nos parlamentos.

A pobreza e a miséria se multiplicaram, disputando, em quantidade, os desdobramentos das areias dos desertos.  As milhões de gerações se vão na poeira das tempestades de areia. Desaparecem. Somem no deserto. Ninguém se lembra delas. Nem hoje, nem amanhã nem nunca. A recompensa das vidas é o pó da morte à sombra dos mausoléus, nas necrópoles do mundo dos Raimundos. Atualizados. De terno e gravada borboleta. Os hominídeos híbridos, atuais, os trogloditas, suas bisavós, avós, seus pais, hoje usam black-tie. Ao redor das fogueiras civilizadas, o fogo fabricado dos destilados.


Se você olha para cima, para as estrelas, naves e meteoros são visualizados no povoado da abóbada celeste. Estão vindo essas naves do longínquo passado??? Do extremo remoto futuro??? Seus parentes ao seu lado não lhe parecem os mesmos. Você vislumbra outra percepção deles. A impressão de que são fantasmas vindos de outro lugar, você não sabe de onde. Cientistas dizem que são pessoas semelhantes a você e a eles mesmos, mas vindos de outro sistema solar. Interestelar.

Sentem-se fantasmas tão semelhantes a você, e você, tão semelhante a eles, têm, todos, a impressão de que o DNA mútuo se repete por gerações e gerações de gente iletrada, com a nuvem do Inconsciente Coletivo Mental repetindo os mesmos condicionamentos clássicos, a mesma aprendizagem familiar e social operante há milênios, repetindo os mesmos padrões de atuação e resposta aos ambientes semelhantes. Como se ainda semelhantes fossem dos reptilianos que saíram rastejando dos oceanos há bilhões de anos.


Uns involuíram muito rápido, porque são muito mais antigos. Seus sistemas solares surgiram milhões de anos anteriormente ao Big-Bang desse sistema solar de 5ª Grandeza, do qual o planeta Terra é o 3° planeta mais próximo do sol. Os ambientes primitivos, cavernosos, mudaram exteriormente. As tribos passaram a habitar arquiteturas neolíticas modernas. Mas o interior da mentalidade desses povos híbridos, com DNA modificado, foi pouco transformado na escala do tempo extremamente extenso. Paisagens grandemente extensas de florestas, de terras desérticas, mudaram de forma.


As transformações sociais que ocorrem em uma escala de tempo extremamente longa, ao longo de séculos ou até milênios. de transformações sociais muito, muito lentas, ocorrem em uma escala de tempo extremamente longa, ao longo de séculos e milênios, criaram um mito de um povo escolhido. Escolhido para quê??? Para sodomizar os outros povos do mundo, e querer submergi-los num esquema de dominação cruel e sistemática.

Pessoas, aos milhares, aos milhões, buscam replicar estratégias de sucesso cognitivo comportamental.  Sucesso aparente. Imitando chimpanzés que se notabilizaram por saberem manipular instrumentos musicais em bandas de jazz, blues, rock, e demais ritmos popularizados. Movimentam-se a tocar instrumentos, imitações de danças e cantorias das culturas muito antigas: Requebros e remelexos ao som de tambores e batuques que ecoam ainda, após tanto tempo, no inconsciente coletivo dessa espécie atual predominante de hominídeos, que se dizem sapiens. Sodomitas. Sapiens.


A essência anímica desses povos é tão antiga quanto os musgos e hepáticas Biófitas, as plantas mais antigas do mundo, surgidas há 470 milhões de anos, no período Siruliano. Elas ainda agora dependem de ambientes úmidos para a reprodução. Foram as primeiras plantas a colonizar a terra na Terra. As Licófitas e Samambaias gigantes do Devoniano, no período Carbonífero, quando havia imensas florestas pantanosas com cinquenta ou mais metros de altura, a decomposição delas gerou enormes depósitos de carvão mineral para a tecnologia poluente.


A decomposição moral gradativa dos seres antigamente cavernosos, hoje, atualmente, ultrapassou as fronteiras, derrubou os muros entre os quartos em seus apartamentos modernosos, gerou a decadência da urbanidade nas grandes cidades com seus edifícios de apartamentos e escritórios onde habitam e trabalham em altas altitudes, mas de muito baixas atitudes. As respostas ambientais das mudanças climáticas, tornam as respostas da natureza cada dia mais intensas e terríveis para a sobrevivência da espécie.  Espécie cada dia mais violenta, decadente, sádica, ameaçadora e tenebrosa. A evolução high-tech só intensifica a dominação dantesca e decadente.


A "mudança social milenar" não é um conceito aceito no jargão sociológico formalmente estabelecido nas ciências sociais. É uma expressão descritiva das transformações sociais que ocorrem em uma escala de tempo extremamente longa, ao longo dos milênios. “Mudança social" é um conceito central na sociologia. Refere-se a alterações nos padrões de comportamento, cultura e instituições sociais. Mudanças que afetam o desenvolvimento da sociedade desumanizada. Da desordem e do progresso fictício.


Os fantasmas antepassados estarão sempre presentes no inferno repetitivo: Simulam, litigam, corrompem, repetem e realizam o mundo ainda mais bárbaro dos antigos. Os mortos-vivos, de debaixo de suas sepulturas, nascem e invadem a realidade e a fantasia de existências reais, fantasmais. Não há quem não esteja invadido pelos espíritos imortais dos antigos. Quando tudo é passado, o Norte desaparece. Inexiste horizonte. Olhe e veja as estrelas, são sistemas solares do passado muito antigo. Do passado conquistado por civilizações de deuses escravagistas e pederastas.


As mentes das novas gerações são a encarnação das sucatas tecnológicas, anatômicas, fisiológicas e espiritualistas das mais velhas anciãs, mães da eterna Matrix que se desdobra. A maternidade é mãe de milhares de gerações passadas. Ora, ora, se os antigos humanos não honraram suas próprias vidas passadas, como poderiam achar maneiras de honrar a própria vida presente??? Nove meses continua sendo o prazo para a máquina biológica da mulher parir escravos para o mundo passado, metáfora do mundo presentificado do imperialismo existencial.


O imperialismo dos espíritos se infiltra na eternidade dos corpos abortados para os poderes das potestades. As bactérias e os microrganismos invadiram, há milênios, os corpos infectados pelo DNA das espécies. Darwin escreveu “A Involução das Espécies”. Darwin escreveu A Degradação Repetitiva das Espécies. Darwin não acreditava na “Evolução das Espécies”, mas no fortalecimento delas.  

O Ca\valo Branco inundou as mentes dos convivas da festa de casamento de Daniela e Miguelito com essas ideias que partiam da mentalidade doentia de Aldenora, como se fossem microrganismos invasores. Invasores marciânus.  O Alerta Interestelar do 3I Atlas. As mulheres brancas, amarelas, vermelhas, indígenas, as moreninhas dos romances que se requebram diante do espelho retrovisor dos motoristas de caminhão nas estradas dos sertões rosianos:

Elas, urnas biológicas, robozinhos que gostam de enfeites, batons nos lábios, plumas a se pavonear para o leito dos sodomitas. Pontos cardeais nos sertões Interplanetários da vaidade e da ganância. A natureza poética, metafórica, destrutiva do Big-Bang, sempre presente na imensidão desesperada de seus corpos apequenados, infectados. As vulvas vulneráveis, atacadas, frustradas. Infectados pelas DSTs nas quais muitas delas nem sabem que estão sendo carcomidas. A Matrix das mortas-vivas. A espera da esperança que nunca se alcança. Elas, as heroínas que mantêm viva a incivilidade da civilização.

Não é que elas não possam controlar seus pensamentos. É que o pensar delas está cristalizado na “inclusão retroativa”. Elas parem seus filhos, suas descendências, para um tempo de registro anterior à fertilização do óvulo que dará origem à próxima geração. Os espermatozoides fazem a festa no canal retal, no túnel vaginal, durante a formação do embrião.


A inclusão retroativa da nova geração aplicada às situações passadas, no estabelecimento empresarial do consumismo desvairado, na Paulicéia desvairada de que falava o escritor Mário de Andrade. É impossível corrigir o atraso impregnado no Ácido Desoxirribonucleico. Não é possível retroagir no tempo perdido proustiano que carrega as instruções genéticas para a geração e o crescimento dos seres vivos que haverão de suar, de verter suor, a gotejar em suas entranhas vestidas do calor na temperatura da cidade. A temperatura só aumenta.


Efeitos no Passado: Na biologia e na medicina não há evolução possível. As gerações estão condenadas à involução. O dantesco infinito da mesmice.

A retroatividade ao passado com a naturalidade dos dias. Das horas o amanhã já é passado antes do sol nascer. O retorno ao estado anterior, infinitamente presente. A vivência do dia a dia a reforçar a ideia que se confirma nos pensamentos que sempre se impulsionam de volta, ao bater de frente no muro das lamentações na rocha sólida do psiquismo. O leite materno mamado na Matrix das gerações. Maternidade da pedra:

Da pedra Stonehenge, da rocha Göbekli Tepe, nos sítios da Etiópia, da África, na China, na Hungria, nos Sítios Maias, nas Pirâmides, na Serra da Capivara no Piauí: as crianças, as gerações, a juventude, já nasceram velhas, duras, insensíveis, petrificadas. Retroativas. Passadas.

O patrimonialismo patriótico da canalha que invoca deus, pátria, família e liberdade, para melhor enganar e roubar 215 milhões de inocentes úteis, e de espertos úteis a si mesmos. Os antepassados trogloditas cobram o carma da noite eterna do dia de hoje.

A dor do mundo de espelhou no alto do Monte Hebron. A pedra paleolítica, as pragas do Egito, a mitologia do mar que se abria para a passagem dos judeus que espalharam o próprio esterco no deserto, como se fossem felídeos domesticados, animais de estimação do Zoo sapiens. Clandestinos prestadores de serviços para uma suposta divindade que os teria eleito o povo escolhido par sodomizar os outros povos do planeta.  


Miguelito e a mulher, após vivenciado o evento “névoa verde”, suas partículas carregadas, seus campos magnéticos ionizados, seus estranhamentos que mudaram de vez sua percepção do mundo, acreditam que tenham ficado mais atentos, mais inteligentes. De repente, não mais que de repente, seus paradigmas mudaram dentro deles. A estranha radiação eletromagnética, vinda de outro lugar interestelar, os atingiu. Abriu um portal em suas mentes.

O casal tinha em mente que a experiência serviu para expulsá-los do interior do cercadinho familiar que os mantinha alimentados como se fossem gado. Aquela névoa desconhecida, a radiação eletromagnética que dela se propagou, não poupou ninguém de uma mudança de paradigmas mentais, vindos de alguma influência que não sabiam ao certo como atuava no conjunto dos componentes de seus cérebros. O pessoal e o coletivo.

Neurônios, axônios, neurotransmissores, sinapses, células gliais, todo o sistema nervoso em seu funcionamento mental mais amplo: a medula espinhal, os nervos. Em resumo: todo o tecido nervoso que compõe o cérebro, os nervos transmissores de informações, que exercem comando, comunicação e controle das funções do corpo: O sistema nervoso central (SNC), suas ramificações, a complexa rede de comunicação do organismo que promove a integração dos diversos sistemas que agem em conjunto para processar, transmitir, coordenar todas as funções corporais, e a manutenção do equilíbrio interno, da homeostase.  

Miguelito e Daniela passaram a se interessar sobremaneira pelo estudo da inteligência humana: a inteligência pessoal, a intelecção coletiva, quando existente. A união do casamento enquanto instituição legal e social não os tornou pessoas com direitos e deveres baseados em afeto. Afeto que se traduziria enquanto compromisso de vida comum, partilhada entre si como se fossem presidiários de uma instituição penitenciária: A família. Os efeitos legais da união estável não lhes cobrava tempo:

Herança, pensão, direitos previdenciários, horários de refeição, formalidades outras do casamento. Os direitos e deveres estavam definidos. Não haveria entre eles, vampirização de ativos financeiros, nem de bens móveis e imóveis. Estavam interessados na experiência da geração de uma criança que estaria sendo dotada de atenção, educação, afetividade. Amorosidade e respeito a seus direitos de se manter em estado de vigília.

Estavam cientes de que viviam num país de população dedicada ao carnaval, ao futebol, ao entretenimento de sofá, às influências de drogas, aos papos do clube da esquina, à dedicação ao boteco. Filhos descendentes que são, em sua grande maioria, de pais afeitos e adaptados à corrupção política e social ampla, geral, irrestrita: Familiar, escolar, acadêmica. Geralmente a descendência com “QI” inferior ao de um Chimpanzé. Um país de eleitores que votou maciçamente em traidores do país, como se estivessem votando num “salvador da pátria”.

A energia ionizante do “efeito névoa verde”, neles se prolongava a mais longo prazo. Nas outras pessoas que estavam presentes na ocasião das bodas do casal. Miguelito e Daniela, eles pareciam estar sob efeito de uma influência mental de aprendizado que os orientava para o exercício de habilidades cognitivas de raciocínio abstrato, focado em habilidades lógicas-linguísticas de reconhecimento de inteligências múltiplas: físicas-cinestésicas e emocional. Algo havia melhorado dentro da moringa.

A capacidade de recuperar a habilidade, a força, a flexibilidade do pensamento juvenil, de prever e organizar ações consequentes e objetivas. A atenção, a memória interestelar, o trabalho com ideias complexas que não têm existência apenas física: A simples compreensão da competência técnica e da habilidade, do savoir-faire, nos processos neurológicos e funções cognitivas e emocionais da interação de bilhões de neurônios no cérebro.
— “Parece-me que descobri o continente mental que me traduz, que me processa e integra à experiência subjetiva, ao aprendizado que me distingue dos demais animais de minha espécie que não conseguem a façanha de interagir com outros mundos, outras dimensões”, disse, de repente, Daniela.
— “Consciência, memórias imemoriais, linguagem, percepção abstrata e raciocínios conectados a emoções e sentimentos que me conduzem à percepção de outras dimensões, de outros mundos”, replicou Miguelito.
— “É como se eu pudesse evocar experiências passadas, muito antigas, das quais não me lembrava até então. Experiências milenares ensinam-me coisas, a partir de nova identidade.
— “A formação de uma nova identidade parece estar a acontecer a partir destas memórias. A falta de acesso a estruturas cerebrais até então mantidas inativas”, ponderou Miguel.
— “A inatividade perceptiva, a falta de noção consciente, a memória ontológica, a Memória da Antiguidade. Essas coisas, de alguma forma, faziam falta à percepção dos acontecimentos no tempo presente. O hoje, o ontem, o mais antigamente, de alguma forma atuam nos arquivos perceptivos que os impedia de se conectarem”, disse Daniela.  
— “A cegueira perceptiva passada, provocava a cegueira perceptiva não-intencional no presente do indicativo. E onde a memória não está presente, existe apenas o vazio, a ausência. Uma ausência que vai se afirmando, no tempo inexplicável”.

Miguel, psicólogo, reitera seus conhecimentos que se complementam aos das pesquisas de Daniela.

— “A mente ausentava-se dos “fios de Ariadne” que poderiam conectar o tempo de hoje, o tempo de ontem, o tempo do mais antigamente””.
— O tempo interestelar.
— “As conexões da memória no continuum espaço-tempo. A interação e a interdependência entre a percepção individual e as demais experiências compartilhadas socialmente” — Ponderou Miguel. Depois de um certo tempo em meditação, ele mesmo, ao ouvir o silêncio interrogativo de Daniela, complementou:
— “O continuum espaço-tempo é um modelo matemático que une as três dimensões do espaço — altura, largura, comprimento — à dimensão do Tempo. É um conceito da Física. É uma voz que, uma vez corporificada, grita no vazio interior da mente, um grito em busca de se fazer ouvir na imensidão existencial do corpo em busca de uma filosofia que o justifique”.
— “E a seus pensamentos”, concluiu ela o pensar do marido: “Onde o espírito renasce não há vazio. As encarnações do passado, o espírito não as esquece, se delas viveu com consciência.
— A criança que encarna o Dalai Lama lembra das encarnações passadas. Ele não as dispersou. A criança que reencarna o Dalai Lama as valorizou. Não perdeu o contato.  
— “O espírito que anima o corpo novo no qual se encarnou, viveu a imensidão passada no continuum. O espírito talvez possa lembrar de boa parte da vida que animou o corpo na vida passada. Mas. Se, e apenas se, não foi disperso na folia da existência passada, poderá conservar dela a memória na existência subsequente”.
— “De onde você tirou essas ideias, perguntou Daniela, da leitura da Cabala, do Livro dos Mortos, do Livro dos Espíritos, da Doutrina Secreta. Da Bíblia, do Livro de Enoch!!!
— “Após “a névoa verde” em minha mente se abriu um portal. Nele tenho acesso a situações cognitivas que chegam até a mim via sonhos, por vezes visões em vigília. Por vezes pesadelos””.

Daniela revelou que também ela começou a ter acesso a esse caminho secreto, como se ela fosse uma iniciada em telepatia com seres de outros mundos, de outras dimensões. Miguel disse ter sonhado com sua mãe. Ela mais lhe pareceu um ser real, que falou com ele como se ele ainda fosse um jovem sob sua influência, dizendo-lhe:
— “Pergunte a seu pai se ele quer ir um filme hoje”. Fui até o quarto deles onde meu pai biológico estava sentado na cama de casal deles, com a cabeça curvada para baixo. Fiz o que ela mandou-me fazer, perguntei:
— Pai, a mãe está perguntando se você quer ver um filme hoje com ela. Eu me aproximei dele e insisti no chamar:
— Pai.
— Pai, chamei outra vez. Ao chegar mais perto dele, o toquei no ombro como que para acordá-lo. Ele poderia estar dormindo. Mas ele caiu de costas na cama. Vi então que ele estava morto. E percebi que minha mãe biológica também estava morta. Ela, mesma após a morte física, seu espírito insistia em me dá ordem, em se apoderar de minha mente.

Minha mãe biológica, numa take perceptivo futuro, mesmo depois de morta, insistia em querer me mostrar e ao marido morto dela, que ela continuava mandando. Que ela continuava empoderando-se de mim, de minha mente, me usando para zombar do esposo que nem vivo mais estava. O ódio descomunal daquela mulher, de seu espírito, continuava a querer demonstrar que continuava empoderada, que prosseguia em sua determinação de mandar, de subjugar o filho, o marido e quem mais fosse que estivesse próximo ao mando dela.

O filme que estava em exibição, ao qual ela convidara o marido, através de mim, era: “Apocalipse Now”. Sim, Miguel estava vivenciando uma conexão com os pais mortos. Num tempo futuro. A mãe Aldenora tinha falecido muito depois do pai. Mas ambos se comunicavam no mundo dos vivos através de mim. Queriam com isso mostrar que eu também estava morto, porque ainda obedecia às ordens dela, com a conivência dele, meu pai biológico. Ainda que ambos estivessem mortos e enterrados.

Ao despertar do pesadelo, eu, que assisti ao filme, lembrei da cena em que o ator Marlon Brando, repetia a frase:
— “O horror.
— “O horror”.
Ele no papel do Coronel Walter E. Kurtz. Foram as palavras últimas, em tom de contida agonia, enquanto profundamente angustiado, agonizava no chão de sua base no Camboja, assassinado pelo personagem Martin Sheen interpretando o Capitão Willard que terminara de cumprir a missão de vitimá-lo:
— “O horror”.
— “O horror”.

A fala citada pelo Coronel Kurtz. No final do livro de Joseph Conrad: “O Coração das Trevas” ecoava no dia a dia de suas rotinas.

Miguelito continuava, ele também, na realidade da vida deles em outra dimensão do existir. Continuavam a reproduzir a vivência pessoal e coletiva no Coração das Trevas. O sonho americano do capitalismo selvagem não possui, uma alternativa, senão a morte da sensibilidade. Mesmo depois de mortos, os mortos continuavam sem saber o que significa.

— “O horror”.
— “O horror”.

O terror moral de uma consciência avassalada pela Terra em Transe, pela “Terra Devastada” que ele vivenciava, ainda depois da morte dos pais. A presença sobrenatural do espírito deles, o pai, de tão nulo, ele não mencionava, e Aldenora, a mãe, atormentando ainda sua vida com memórias que não se apagavam na mente atormentada. . A vida de sua mulher. Mesmo depois de mortos. Os sete palmos de chão não foram suficientes para mantê-los sob a terra. Distante da dimensão dos vivos. O espírito atormentado do pai insistia em permanecer no mundo dos vivos.

Estariam seus espíritos dantescos, os espíritos dantescos de seus pais, ainda depois de mortos, querendo se apossar dele, pela via de suas feridas emocionais??? Destruir seus sonhos, seus objetivos de vida. O portal ao qual tinham acesso em suas mentes, a dele e a de sua mulher, após o evento tenebroso, surgido, manifestado no fenômeno da “névoa verde” na ocasião de seu casamento, teria aberto um portal para a convivência sobrenatural com as sombras dantescas do mundo dos mortos??? Mortos de alguma forma também vivos. Com acesso a ele, à sua consciência.

Queriam seus mortos desolar, inutilizar, tornar estéril suja vida, pensou Miguel. Estava a atormentá-lo, seu pai morto, sua mãe morta, com o horror que estavam a vivenciar no mundo dantesco dos mortos, do qual, através dele, queriam sair??? Queriam transformá-lo num morto-vivo, num personagem cinematográfico de um filme não tão de ficção???            

— “O horror.
— “O horror”.

A repetição desta palavra apavorou a consciência de Miguelito ao despertar do pesadelo, no qual sua mãe e seu pai biológicos, sob sete palmos de chão, ainda querendo influenciar seus atos, sua vida, seus movimentos.

A percepção consciente dos corpos mortos próximos, presentificados de uma forma física, quase que corporal, como se estivessem a dizer que não estavam de todo ausentes da proximidade física. O horror nele se revelou no enunciado expresso de que os mortos estão, depois de mortos, com acesso ao mundo dos vivos, a influenciá-los de uma forma material, quase corpórea, perceptível. Horror: O horror sensitivo, o horror emocional visível, indicando-lhe o que fazer, sugerindo ações. Talvez o mundo dos presuntos esteja muito, por demais próximos ao mundo dos despertos, dos que dormem o sono, e sonham os sonhos dos vivos.

Daniela quebrou o silêncio e falou em tom pensativo:

— “Inteligência emocional Percepção consciente do corpo atravessando situações inusitadas, vindo do astral sobrenatural. A situação existencial cognitiva, advinda da memória de vidas passadas: raciocínio abstrato e planejamento, adaptados às experiências de uma nova vida. Vida presente, aqui está”.

— O portal entre mundos, entre dimensões, não deveria se comunicar??? Os fantasmas do passado e suas vidas apressadas como a passagem de cometas, vindos de outro universo interestelar.

— “Vida concreta, perceptível, visível, sensível, material, palpável, tangível, tátil, tateável, tocável, corpórea, complementou Miguel”. Os pais dele fizeram uma tentativa de entrar no mundo dos vivos. Que poderiam querer com ele??? E conseguiram falar com ele, tocar nele. A carne gelada da mãe falou bem próxima a seu ouvido. Não foi uma experiência construtiva. Daniela, após matutar por momentos disse:

— “Não aceitou ela ter perdido o poder que exercia sobre você. O poder da brutalidade. Usa-te para se manter, de alguma forma, nesta dimensão”, disse ela. A força do poder que tinha ela sobre te, a possibilidade de continuar vivendo nesta dimensão, após ter brutalizado seu corpo, física e mentalmente, com espancamentos e ameaças, através da atuação do marido.

— “Meu pai brutalizou meu corpo com violência física, visando obrigar-me a aceitar, com ameaças, a imposição de sua patologia educativa, desde que nunca esteve preparado para ser marido de uma mulher que o submetia às suas taras de ficar grávida todos os anos, a enchê-lo de responsabilidades familiares às quais nunca esteve preparado a cumprir”. Miguel, após um tempo a meditar, falou:

— “A estratégia familiar deles tinha por objetivo criar vulnerabilidades nos filhos para impor, futuramente, quando estivessem mortos, a presença de seus espíritos nos nichos abertos em suas almas pela violência intencional da intencionalidade necrófila”. O espírito dos mortos permanece vivos”.

Daniela como que complementou o raciocínio do marido:

— “Que poderia fazer você e seus irmãos, sempre sob a ameaça de uma mente poderosa em alienação mental materna, e da ameaça simultânea de espancamento físico da parte do pai??? Acredito mesmo que se casaram com a intenção de apossarem-se das fragilidades que impunham aos filhos, visando tê-los, após a morte deles, um nicho, um Avatar, para suas almas se apossarem deles, sobrepondo às mentes dos filhos vivos as almas deles”.

Daniela continuou o raciocínio, após breve pausa na fala:

— “Essa espécie de necrofilia que vem de longe, passa de geração a geração por milênios de dominação emocional, mental... De geração a geração, o DNA astral, o passado da espécie, se perpetua através das influências impostas pela geração pretérita à geração seguinte”. Miguel, ainda pensativo, tentou acompanhar o raciocínio de Daniela:

— “A influência do Inconsciente Coletivo Subliminar domina a sociedade a partir da imposição familiar, e de uma educação escolar promovida por gente forjada no mesmo reservatório, depósito astral dos mesmos filamentos genéticos presentes no DNA da espécie. O futuro sempre será influenciado pela intencionalidade necrófila da geração antecedente”.

Daniela tornou a opinar:

— “Esses seres reais, dos quais pouco sabemos, de onde vieram, de que constelação, de que e estrela, que tipo de sol iluminou seus corpos quando em vida no planeta original deles??? Quantas luas giravam em volta do planeta deles??? Criaram-se criaturas sobrenaturais. Seres espirituais que podem nos atormentar, mesmo depois de mortos. Escravos do medo na vida e na morte. Vassalos para sempre”. Vivemos sob a influência deles, do medo.

— “Sim, disse Miguel. Delinquentes Ets, criminosos, réus para sempre. Somos seres servis, subjugados a sentimentos de culpas milenares. Malas de culpas sem perdão, pecados originais, vulgares, conhecidos, comuns, imitados. A Matrix, do Terceiro Olho Acusador nos olhando e culpando para sempre. Cada gesto, cada cesto, cada alento, cada pensamento”.

Miguelito, desabafando, continuou:  

— Somos feitos de inveja, orgulho, luxúria, gula, ganância, preguiça, ira.

— “Opressão, dilacerações, mortes, conflitos, sequestros, guerras, membros feridos, detonados, voando pelos ares como se fossem peças de máquinas, quem sabe num futuro próximo, possamos ser substituídos pela mecânica ciborgue. Corpos sacrificados pela ganância, pelo odor de sangue, atraem entidades maléficas, subterrâneas, vampirescas. Horror que se sucede sucessivamente sem cessar, por milênios. Guerras quentes, guerras frias.  Povaréus, turbas, tropéis de tropas avançando, baionetas em punho, umas contra as outras, gritando, odiando, dilacerando-se mutuamente”.

Após breve pausa ele continuou:

— “A ameaça de cogumelos atômicos pulverizando milhares, milhões de corpos. Lideranças mundiais provocando-se mutuamente neste sentido”.

Daniela por vezes era assaltada por pesadelos. Ela, por vezes, despertava assustada, suando frio, sentando-se na cama de repente. Coisas terríveis, acontecimentos temíveis que invadiam vidas. Eras antigas perpassavam nela como se fosse um filme macabro. Temeres de outras vidas preservados.

— “Esses pesadelos não vão acabar nunca”, perguntou-se Dani. Miguelito que tinha despertado, retrucou: “Oh não, quem sabe com eles, com toda essa tensão vinda deles, possamos encontrar o caminho para romper com esse elo genético, imposto pela Criação do Homo sapiens da Matrix”.

— “Os senhores da criação. Os deuses que disputam a submissão recessiva da Criação”, disse Daniela sentindo-se meio apavorada: “Precisamos, com tecnologia biogenética, aprender a romper o elo genético que nos torna prisioneiros da Matrix da Criação”, foi a resposta de Miguel.

— “Só mesmo uma vontade sobre-humana, ciclópica, poderá nos livrar do peso milenar da Matrix. É possível que os Ets Caídos, tenham previsto a estratégia futura dessa vontade extraordinária, vinda dos gigantes mencionados no Livro de Enoch. Os destrutivos Nefilim”.

Daniela permaneceu calada. Ela não tinha uma sugestão adequada, mas ousou dizer:

— “Nunca saberemos ao certo se os Caídos queriam, a partir de seus filhos Nefilim, dotar o nosso futuro da força e do poderio físico que nos permitiria superar nossa condição de fragilidade humana”.

— “De vulnerabilidade genética”.  



 
A CONTRIBUIÇÃO OCULTA DOS NEFILIM  

Os Caídos tinham em mente o nascimento dos Nefilim que eram, segundo Gênesis 6:4, homens de renome, com capacidade de raciocínio e comunicação. Seu poder destrutivo estava associado ao fato de serem filhos híbridos dos anjos caídos com as mulheres humanas. A união antinatural gerou descendência de comportamento violento e tirânico. Conhecimento, inteligência e gigantismo, foi a herança genética dos Caídos, seus pais. As perversões e a perversidade vieram do sentimento de superioridade para com os humanos, no mundo pré-diluviano que seria destruído pelo Dilúvio.

Em Gênesis 6:4 e Números 13:33 os Nefilim são mencionados enquanto gigantes, ou povo de grande estatura. Os textos bíblicos sugerem seres monstruosos nascidos dos “Vigilantes” com fêmeas da Terra. Os textos mencionam altura de cinco metros.

Eram muitas as intenções dos Caídos relativamente à interação deles com mulheres humanas. Nem eles mesmos sabiam qual desdobramento seria cravado na sequência dos acontecimentos. Seria a dominação planetária sob comando deles, seus filhos nascidos do contato bestial entre eles e as mulheres humanas??? Que resultaria na realidade subsequente??? A brutalidade e o tamanho dos gigantes não permitia confronto.

Abismar-se no corpo físico bem mais frágil, e no corpo astral dos seres humanos, teria consequências cada vez mais intensas, na estatura física e no psiquismo das fêmeas humanas. A bestial diferença das razões e proporções entre gigantes Nefilim e as diminutas mulheres humanas, só poderia provocar uma intensificação gradativa da maldade crescente, de uma corrupção cada vez mais intensa e generalizada. Práticas sexuais que corromperam, em grande intensidade, a sociedade humana pelos séculos e séculos. O uso de cosméticos pelas fêmeas humanas enquanto atrativo físico para as mais intensas e degeneradas relações de sexualidade deformada.

Após o Grande Dilúvio que tentou cravar um fim nessas relações de sexo bestial, as mulheres humanas remanescentes, ainda hoje buscam relações de prazer físico bestializado. A sodomia subsequente detonou a moral da espécie humana para sempre. O mundo teve muitas extinções após o GD, algumas dessas extinções narradas em livros bíblicos e em outros livros narrativos de estudo e reflexão sobre a teoria da criação e da decadência irreversível da espécie Homo sapiens.

A guerra entre tribos de hominídeos sempre existiu. As guerras subsequentes nunca acabaram. Ao contrário, à proporção que o tempo passa, as armas nucleares, e outras, vão ganhando um poder destrutivo cada vez mais intensificado pela loucura pulsional dos instintos primitivos dos seres que se querem definir humanos. O Mahabharata narra as hostilidades guerreiras entre grupos de parentes, irmãos, tios e primos, os Pandavas contra os Kauravas. Eles lutavam entre si de modo renhido pela dominação do reino da Índia. Ambos os grupos reivindicavam o “Dharma” ou condição justa, honesta e perfeita, que poderia pôr um fim na terra devastada da Guerra de Kurukshetra pelo direito ao trono do reino de Hastinapura, onde Krishna instruiu Arjuna sobre os deveres de retidão, lisura, decência e equidade.

Nos dias de hoje, milhares de anos depois, estão aí as guerras entre os russos invasores contra os ucranianos que defendem a soberania de seu território. No conflito narrado pelo Mahabharatha, a disputa principal era pelo trono de Hastinapura entre as duas famílias de parentes próximos. Os cinco irmãos Pandavas foram tidos pelo lado “luminoso” do conflito, enquanto os cem irmãos Kauravas foram tidos como sendo o lado “sombrio” dos interesses mais obscuros da disputa.

O guerreiro Arjuna lutava em defesa do “Dharma” contras seus próprios parentes. Ele detinha as razões de defesa da justiça, lealdade, moralidade defendidas pelo deus Krishna, do qual obtinha apoio e conselhos, conforme a narrativa do Bhagavad Gita. No conflito mencionado entre ucranianos e russos, o “Dharma” parece estar do lado da Ucrânia de Zelensky, país invadido por Putin e seus bilionários de estimação. Os territórios da Ucrânia, destroçados. Seus habitantes expulso de seus lares, migrando do território natal, lutando para manter a postura de dignidade que conseguiram. Simulando uma migração de pessoas sem aparência miserável, para que Putim aparecesse no noticiário como herói da Rússia expansionista.

Miguelito e Daniela lembravam silenciosamente da “névoa verde” manifesta na festa de casamento. Ela fazia soar em seus ouvidos, e visualizar diante de seus olhos, os sons sinistros das explosões de seus edifícios de apartamentos. A sonoridade monótona das bombas, em lugares próximos e distantes do mundo. A sonoridade dos explosivos dentro de seus apartamentos, acionados pelo controle remoto que traziam para a intimidade do sofá, os bombardeiros, os gritos de dor, o horror da população atingida, das famílias a fugir de seus apartamentos bombardeados, dos edifícios desmoronando. A Terra Devastada pelos poderosos psicopatas.

Disparos e tiros, explosões e bombardeios. A artilharia a prenunciar destruição massiva, as almas saindo dos corpos agonizantes, querendo agarrar-se aos corpos ainda com a vida que lhes restava. Metralhadoras, tanques e mísseis sibilantes, o ambiente de soldados, cabos, oficiais e civis feridos. Os gemidos de dor, bebês e crianças desesperadas, assustadas, agarrando-se, a se esconder entre braços, ombros e troncos de adultos que lhes pudessem socorrer.  

Aeronaves de guerra zumbindo, a sirene alerta dos ataques aéreos de drones bombardeando os ambientes anteriormente pacatos das famílias, helicópteros a rodopiar no ar, caindo e explodindo. A presença militar armada e opressiva. Os corpos abandonados nos campos de batalha, as toalhas de mesa do café da manhã banhadas com o sangue dos aflitos. As bombas Stuka alemãs apavorando e desmoralizando o inimigo forjado por interesses antigos. A audição amedrontada pelo sentimento de temor e medo, impotência, horror. A existência humana caminha e se arrasta e correr por sobre o território na Terra Ainda Mais Devastada.

A realidade macabra e sinistra das explosões, explosões previstas e imprevisíveis, a violenta dilaceração dos corpos, a onipresença da ameaça de agressão. Padecimento. Tortura. Agonia. Aflição. Sofrimento. A soberania dos povos ignorada, ameaçada por um psicopata que se acha imperador do mundo.  Os pedaços de carne se ausentando morbidamente dos corpos. O ambiente caótico multiplicando traumas. Explosões. Estrondos. Os familiares pacatos de Macondo abraçando os familiares da família Buendia. Desde os tempos imemoriais das guerras, os habitantes interestelares que se atacam ainda hoje, após Mil Anos de Solidão.


A Terra dos deuses amaldiçoados por gerações de inveja, traições. Conflitos internos sendo lançados por sobre os demais seres tornados inimigos na batalha de dezoito dias que envolveu os reinos na Índia antiga. Milhares de cadáveres de ambos os lados. Fetos saindo sangrando das barrigas e vaginas das mulheres grávidas sem atendimento médico, hospitalar. A vitória dos Pandavas. A alegoria imoral da guerra, do dever de se matar mutuamente em nome do bem e do mal. A parte justa que quer culminar na vitória do reino invasor: A Rússia, atual do conflito que se desenvolve há milênios. Invasores de territórios fronteiriços, Famílias migrando, amor-próprio sangrando.

O Bhagavad Gita, A Sublime Canção do Senhor do Horror, a Bíblia do Hinduísmo. A natureza devota da alma que se encarna por uma eternidade na luta contra seres, entes, irmãos, parentes. A produção incansável de inimizades. Qual ação correta, que “Dharma” pode haver a considerar os resultados da virulência??? Que ação justa pode ser reivindicada pelo lado vencedor, se há apenas predadores na luta renhida: horror versus horror.

Daniela e Miguel apuram os ouvidos para ouvir a canção e a devoção do Senhor. Mas a natureza da alma do mundo grita, não à ação correta do karma. Não aos discursos dos heróis e comandantes do Senhor dos exércitos. As palavras adornadas de Krishna a Arjuna, a lutar contra seus próprios familiares na batalha de Kurukshetra ou Batalha dos Dez Reis, descrita no livro Rigveda. Quais são os heróis atuais, os Káuravas e os Pândavas que lutam pelo trono da Rússia na Ucrânia??? Ou os EUA que explodem barcos e seus nautas a queimar, seus corpos feitos em pedaços, incendiados devido a explosões alegadas, sem provas, de que traficavam drogas para o sagrado território da MAGA Patológica. A MAGA patológica defendida pelo presidente pato lógico dos Estados Unidos.

Quem são, na atualidade, os Pândavas!!! Quem são os Káuravas!!!

Quem são os Káuravas, quem são os Pândavas, na guerra do Bozo contra as pessoas agonizando por falta de vacinas e de oxigênio na pandemia de Covid-19??? Quem são os Pândavas, quem são os Káuravas no massacre da polícia do governador do Rio de Janeiro contra o outro lado do crime organizado. Organizado por eles mesmos. A falta de assistência política, econômica e social do Estado àquelas pessoas sem alternativas outras que não o horror miliciano do crime organizado. Os Barões das drogas continuam em seus apartamentos, bebendo whisky importado, cafungando a coca mais pura fabricada nos nichos da selva colombiana. Seus filhinhos bebendo Coca-Cola de frente para as ondas do mar do Leblon, Ipanema, Lagoa, São Conrado, da Barra, da orla ondulada, indultada, de Copacabana.

Onde o tempo para o autoconhecimento??? O tempo de vencer as influências passadas. Como moldar novas crenças e padrões de construção de uma identidade futura, saudável??? Onde o tempo para a criação de uma nova reflexão??? O tempo de sair fora da expectativa herdada. De sair da origem interestelar dos traumas. Sair dos padrões recorrentes dos deuses pederastas da Matrix familiar, da pátria prisioneira de uma liberdade falsificada. Onde a terapia da constelação familiar dos sodomitas das religiões evangélicas demenCIAis??? Que perspectivas outras, diversas, estão à vista???

Onde estão os primeiros passos da nova jornada??? Onde o crescimento pessoal não contaminado por um caminho ainda não lesado. Onde o caminho ainda não minado pela mentira e pela submissão???  Como e onde poderia haver juventude nessa redoma de agruras políticas, sociais e econômicas??? Quando as novas habilidades cognitivas da inteligência natural ou artificial poderão se manifestar? Onde estão os jovens que povoarão as praias do livre pensar. Quando os cientistas divulgarão a mensagem da nave interestelar???

Onde está a lógica matemática de uma linguística fora do comércio de cosméticos, e do talento musical dos rapazes das bandas de rock, que de há muito, muito tempo, caducaram, mas continuam sendo aplaudidos com entusiasmo pelas mandalas de um gado fanatizado a mugir mexericos na sala de jantar. O gado paralisado frente as mulheres, a lutar, renhidas, espalhando batom nos lábios, a inundar o rosto, os seios, a bunda de Botox. Espelhando intrigas nos enredos das novelas. Empalhando suas almas interesseiras, carpideiras, na sala decadente do Jardim das Cerejeiras da sala de jantar.

— O Horror, pronunciou-se Miguelito.
— O Horror, repetiu baixinho Daniela.

Onde estão os jovens agentes disruptivos que desafiarão o status quo, a romper com os padrões tradicionais dos comestíveis super, dos supermercados??? Onde estarão neste momento, os agentes da mudança que transformará o mercado das Bolsas, das ruas, dos shoppings, dos filmes, de novelas das Mariazinha, Sinhazinhas, das Capitu, das noivinhas dos Brucutus???

Lá está na sala de jantar as políticas das donas de casa, das receitas deliciosas de cocô, das confeiteiras, das beatas dos templos evangélicos sem nexo, com suas comidas, doces e salgadinhos em oferta. Oferta do mais fundo de dentro de suas cabeças obsoletas, com suas vovozinhas infantilizadas muito anteriormente ao advento do Alzheimer.

Amedrontadas vovós, pânicas, na Terra das filhas da mãe de Deus e do Diabo na Terra Solaris. Kris Kelvin volta à ilha da infância simulada pelo planeta oceânico. Não há fuga para o passado. O que há é o passado vivenciado no presente. O espaço interestelar é uma saída introspectiva. Uma jornada ao interior de sua própria psique: Identidade, analogia e similaridade.

A ilusão materializada das memórias. A realidade dos desejos mais intensos. Confrontada ação de culpas, a sociedade milenar do psiquismo dedicado à penitência, à Metanoia, ao remorso. A vastidão do desconhecido. O loop emocional. A queda no limite do conhecimento humano. Não há volta para casa. Não há casa na volta. Há somente representações. Reflexos no espelho do outro. Do Outro menor de dentro da sala de jantar lacaniana.

A estrutura simbólica da linguagem, a cultura e as leis sociais que moldam o sujeito, são o "tesouro dos significantes" ao qual o indivíduo se submete para dotar o inconsciente de sua identidade, diferente do "pequeno outro" que é outro semelhante imaginário com quem estabelecemos relações de espelhamento, no dia a dia cotidiano da construção cênica de um espaço domesticado por personagens de novelas, ou chutadores de “bolas”.

Que te resta, senão tentar te ninar nos braços do si mesmo??? Mas, onde estão as novas canções de ninar dos filhos influenciados pela IA???A criança que é você precisa de um pai. Seus filhos precisam de um pai. Precisam de uma mãe maternal criada por uma inteligência artificial, que jamais há de se encontrar, porque ela não existe.  

Daniela e Miguel passeavam pelas paisagens de um psiquismo despertado pela passagem no portal aberto pela “névoa verde”. Mantinham-se na interioridade intimista de uma racionalidade divertida. Esta, contrariava a dedicação que seus conterrâneos mantinham pela canalização psicótica por orgasmos, no leito pernicioso do  

A conexão PSI do sujeito com a sala lacaniana de jantar cria nela uma peça de teatro na qual ele, sujeito aparente da sala de jantar, é o diretor, o ator e o cenógrafo a aceitar com passividade essas influências que se cristalizaram no Inconsciente Pessoal Cultural dele, sujeito, na forma de dor. Dor enquanto emoção negativa, profunda, irreversível. Dor enquanto estresse crônico, que só é possível processar no corpo, na mente, na alma, como se fosse um cristal que encontrou seu nicho definitivo, estável. Uma paralisia. Uma calmaria oceânica do psiquismo.

O orgasmo físico superado pelo orgasmo da percepção de estar no infinito interestelar, usufruindo de seus conhecimentos. Comparado ambos, a criatividade, do autoconhecimento manifesto se torna uma conexão espiritual insuperável.

— A mente atinge um transe semiconsciente, uma energia vibracional que nos expulsa do Mal-Estar na Cultura, no dizer de Miguelito.
— A vivência de se sentir além dos limites perceptíveis da fronteira que separa o indivíduo do sentimento oceânico, interestelar que abraça o mundo da natureza mística. Religião e ciência unificadas no Ego primitivo. Este, emerge e se revela no continuum do tempo.
— A sensação remota da imersão no sagrado manifesto, o casal disse essas palavras em sincronicidade de pronúncia. Surpreenderam-se. O estado alterado de consciência, a somatização da emoção racionalizada sincronizou-se no mesmo acontecer perceptivo.
— “No mind” é o que experimentamos. A morte do ego. A sensação de unidade. Foi incrível, disse Daniela.
— Maneira surpreendente de se conectar com o mundo. Universal, — pontuou, com ênfase, Miguel.

    
Quanta emoção ao descobrir o continente imenso das próprias imperfeições. É uma ilusão o fato de que cravamos a certeza de que somos seres antropogênicos. Quantas milhares de ilusões a vencer. Quanto trabalho ao materializar as memórias e desejos de pessoas idas, falecidas, às quais servimos de avatares. A meditação mediada nas raízes da árvore do DNA, arrancadas com as mãos cheias do sangue do Coração do Cordeiro. A simulação do amor é o que nos resta na simbologia gerida por Andrei Tarkovski no filme Solaris.

Os corpos, ainda que no espaço longínquo, interestelar, estão imersos no tempo dos quitutes da vovó, na flatulência divertida, envergonhada, do vovô: todos birutas frequentando os mesmos odores da sociedade secreta familiar. Atordoados, zonzos, enredados na própria mentalidade patética do tempo, no Templo do Rei Salomão e seus sabujos.

Grano, o Cavalo Branco, em conexão com a mente de Aldenora, agregou:  

— Oh servis puxa-sacos, comerciários de drogas religiosas, subterrâneas, ocultas na manga dos paletós ou no bolso do canguru de passo retroativo do Aprendiz, do Companheiro, do Mestre. Todos os símbolos de adornos nos ritos dos graus sem gradação. Não são agentes da honra, da honestidade, do que há de puro no trabalho pessoal, alquímico. São empulhações empalhadas pela hipocrisia, pela nostalgia de um Templo e sua Arca da Aliança na festa comemorativa do casamento.

Miguelito olhou em direção ao firmamento. Certo que não veria os agentes, nautas que atravessavam velozmente o espaço-tempo interestelar na nave 3IAtlas. Vindos de Orion, das Plêiades, de Andrômeda??? De quantos milhões ânus luz, interrogou-se ele. De lá virá a nova expectativa perceptiva, filosófica, científica, existencial. As novas equações dos futuros Einstein. — Daniela lhe perguntou:

— Que tipo de corpos físicos e sutis estão a atravessar os sistemas planetários de estrelas e sistemas Solaris, que não se familiarizaram com câmaras da rede Globo, e quejandas. Que modelo de seres existem em outros campos dimensionais que não este, no qual atuamos. Péssimos atores somos. Que tipo de poder comanda esta realidade simbólica, real e aparente, em que o teatro da existência humana se desdobra, quase de maneira totalmente inconsciente. Que modelo de sonambulismo oculto fez com que 58 milhões de eleitores votarem num sujeito sub-humano, de percepção demencial, conhecido por Messias Bolsonaro???

Miguelito não consegue sair da nuvem mental, do Inconsciente Coletivo Interestelar. Teria ele saltado para dentro de outra dimensão no evento “névoa verde”??? Sua mente está pavimentada por outras locações que nem ele mesmo sabe, nem desconfia qual sejam. A proximidade desses Ets vindos não se sabe de onde, talvez venha com ela uma espiritualidade diversa da que se conhece nos dias de hoje.

A matéria é mais maleável do que acreditam os cientistas quânticos. As pesquisas, está a pensar Miguelito, com o Grande Colisor de Hádrons descobriu dezenas de novas partículas “criadas” por quarks. Certamente os nautas do 3IAtlas, se existem, sabem mais sobre elas do que a ciência dos peraltas da NASA e quejandas agências.

Daniela, ao memorizar o evento exótico da festa de casamento, “a névoa verde”, vê em sua tela mental, pessoas que ficaram invisíveis, alguns de seus corpos penetraram a lataria dos carros ao se dirigirem para dentro deles.

Nos experimentos do LHCb (Large Hadron Collider beauty), encontraram dezenas de novas combinações de quarks (tetraquarks e pentaquarks) ampliando a compreensão de como a força forte se liga à matéria. Nem má, nem boa. Simplesmente à matéria. Ele, Daniela, se pergunta de si para consigo mesma:

— Quem explicar a ciência contida naqueles acontecimentos por ocasião do “green fog”??? Quem, entre os cientistas terráqueos, compreende aquelas transformações estranhas, antinaturais, anômalas, da matéria permeada pelo nevoeiro verde??? Não há ciência na Terra que traduza em linguagem acessível, popular, aqueles fenômenos.

— Por que o Big-Bang não criou quantidades iguais de matéria e antimatéria??? Interrogou-se Miguelito. Como explicar a predominância da matéria sobre a antimatéria nos fenômenos do universo modelo padrão???

As leis da Física continuam as mesmas se uma partícula for substituída por uma antipartícula???

— Esses fenômenos só podem ser compreendidos, continuou ele raciocinando, enquanto elos de uma cadeia de processos que se consumam na finalidade da consciência humana.

Daniela estava longe de Miguel, a segurar as rédeas do Cavalo Branco. Este, mantinha a velocidade de trote em direção aos confins da fazenda numa área de mata atlântica. Ela e ele estavam desenvolvendo a consciência de uma conexão telepática.

“Este fenômeno, raciocinou ela, é uma extensão do observador humano, da consciência íntima que têm um do outro. Transcorre no mundo do infinitamente miúdo, do extraordinariamente pequeno. Partículas que migram de um para outro cérebro, e são absorvidas pelo espelho mágico da hipófise, a glândula mestra”.

Miguelito teve, naquele momento, um insight:

— “A Teoria do Campo Unificado”, disse ele de improviso. A “Experiência de Filadélfia”, até hoje negada pela marinha americana. O governo americano é um negacionista patológico de eventos reais, mas que foram vistos por civis e militares em depoimentos sobre eles. Civis e militares que trabalham em áreas restritas da pesquisa de tecnologia reversa.

— Eles negam tudo todo tempo. Até que não consigam mais negar, devido
às evidências que se acumulam sobre determinado conteúdo por eles tornado proibitivo, negado.  

— São negacionistas patológicos. Querem as revelações do mundo só para eles. Dessa forma escravizam as mentes tornando-as menores que as deles. E dizem, em próprio favor, que não estão preparados. Negando-lhes o saber.

— Proibidas de crescer por faltar-lhes saber. Os governos os guarda na gaveta da escrivaninha burocrática, parvos, boçais, malcriados, enquanto defendem seus interesses ególatras. Os mantêm desesperadamente carentes de chegar ser capaz de caminhar até o próximo degrau. A palavra degrau, dita por Daniela, despertou a memória poética de Miguelito. Ele, fã do autor Hermann Hess, recitou, numa tonalidade bem intimista a poesia “Degrau” do autor alemão de “Viagem Ao País Da Manhã”:

Assim como as flores murcham/A juventude cede à velhice/Nos degraus da vida/A sabedoria e a virtude, a seu tempo/Florescem, não duram eternamente. — A cada apelo da vida o coração/Despede-se e começa de novo/Para, com coragem, sem lágrimas/Dar-se a outras novas uniões. — Todo começo é um encanto/Nos protege e ajuda a viver/Serenos passo após passo/Espaço após espaço/Livres da argola do lar/Coerentes com o elo do Tempo/No Tempo, espírito do mundo/Degrau a degrau nos sublevamos. — Habituamo-nos à vida/Sob a ameaça do torpor/Só aquele que está pronto a partir/Furtar-se-á à paralisia dos hábitos/Talvez também à hora da morte/Nos lances jovens, novos sítios/O apelo da vida jamais tem fim/Coração, despede-te e cura-te.

Miguel recriou os versos de memória, ainda que não literalmente, o sentido e o sentimento do mundo expressaram-se com ele. Através dele.



AS CÂMARAS E AS MÚMIAS

A busca de equilíbrio e da “normalidade “, após o burnout PSI, a fadiga e o esgotamento físico profundo, provenientes da autoexigência de voltar à vida fora da exaustão emocional, devido ao descaminho de seus propósitos de vida, após a experiência traumática “névoa verde”, Daniela e Miguel ainda estão, após tanto tempo depois, a garimpar um caminho de harmonia, conexão e controle da própria vibração corporal. Ambos ainda não saíram de todo do trauma da pressão familiar e comunitária, de seus estranhamentos comportamentais. O fazer acontecer uma vida fora da exaustão pertinente ao esforço de equilibrar a percepção de ambos com o meio ambiente e seus estranhamentos incompreensíveis.

A tradução da palavra burnout seria combustão total, ou queima até o extremo. O termo burnout utilizado pela primeira vez em 1974, Herbert J. Freudenberger, falava ele sobre casos de esgotamento sofrido pelos profissionais da saúde. Hoje, denomina o transtorno gerado pelo cansaço excessivo e exaustão relacionados ao trabalho.

Para a neuropsicóloga e mestre em psicanálise Tatyana Azevedo, o burnout é composto de três elementos principais: exaustão, ceticismo e ineficácia. Refrete-se na irritabilidade, mudanças de humor, desmotivação, queda no desempenho e dificuldades de concentração.

Onde buscar apoio, se não há medicina ou terapeutas espirituais que possam integrá-los à normalidade das rotinas de vida dos demais seres humanos com os quais convivem??? De repente, não mais que de repente, lá estão eles numa experiência inusitada de bi locação. Estão a um só tempo na sala de jantar e em companhia de seres que se parecem com egípcios pertencentes a alguma dinastia faraônica há, talvez, mil anos antes de Cristo.

No momento seguinte, voltavam ao ambiente familiar, como se uma fenda no espaço tempo estivesse a conectá-los a ambientes e tempos diferentes. Miguelito sentia uma forte tendência a se sentir parte integrante de um povo “loser”, parte de um país que estava sendo pressionado a se sentir perdedor. A mentalidade perdida numa redoma existencial que os atraía à infantilização de uma realidade familiar e social que lutava inutilmente para se afirmar num estado de serendipidade, mas sempre Daniela estava sentindo-se pressionada a aceitar viver num estado miserável de dependência emocional, financeira, econômica, existencial.

Daniela vivia a sensação coletiva de pertencer a um povo pressionado a se sentir perdedor. Um povo que está a viver num estado de cinismo tipo "Zambelê", pássaro vaguear entre o céu e a terra. Seu ir e vir para cima e para baixo, direciona-se no além, nas profundezas, em voo despreocupado, diferente da experiência existencial humana de um povo sempre em estado de empobrecimento gradativo, política e economicamente bagunçado. Um povo ganho pelo cinismo de se sentir compensado de suas penúrias e indigências pela dança, pela música popular carnavalesca. Um povo que samba num mundo, mas está a se lamentar, simultaneamente, em outro. Num movimento de flutuação encantatória.

Miguelito e Daniela sentem uma profunda angústia, como se pertencessem a um rebanho de gado humano, num país impedido de crescer, por estar sendo coagido a aceitar a política econômica do tarifaço. Sentem-se traídos por seus próprios contemporâneos de uma Câmara de representantes de interesses alienígenas, de outro país que não seu próprio território de interesses. Sentem-se parte de um povo traído por seus representantes que não os representam. Sentem-se parte de um país premido a aceitar um metabolismo coletivo retardado, lento.

Daniela e Miguel estão a perceber um estado emocional perceptivo coletivo, como se fizessem parte de uma sociedade que acredita poder sair desse estado sonambúlico de estagnação mental, intelectual, simplesmente cantando e dançando, fazendo parte de auditórios de programas de tv. Um povo que aplaude de bufões risonhos, canta rolantes do entretenimento popular, tipo “o incrível Huck” e seus c\asais dançarinos de domingo. Um povo que se perdeu ao acreditar no mito “Bozo, o glorioso fantoche dos bilionários trambiqueiros”. Um povo que desistiu da tarefa, pessoal e coletiva, de se encontrar na busca do tempo perdido proustiano. Um tempo perdido que se perdeu e não mais pode recuperar-se na criação de uma nova mente. Um povo que mergulhou para valer no forró e na lambada. E se permitiu passivamente aceitar a navegação no Titanic social, cultural, sobre o mar revolto da corrupção parlamentar do DNA. irreversível.

Miguelito e Daniela se recusam a aceitar a condição familiar e social de casal sambalelê. Aquela experiência de radiação ionizante, da qual, involuntariamente, participaram em meio a um festival mórbido de estranhamentos, despertaram-nos para uma realidade, pessoal e social, até então apenas subterrânea. O casal se pergunta se o gado invasor da Praça dos Três Poderes não estava sendo parte de uma experiência com arma sônica. Arma que pode controlar multidões. Arma que pode cegar a visão social perceptiva de um povo, lançando-o em mãos de um mito defensor de militares torturadores e políticos, palacianos do “Gabinete do Ódio”, herança de cemitérios clandestinos da ditadura, uma extensão latino-americana da MAGA Patológica com sede na Casa Grande e Branca.

Daniela virou-se para Miguel afirmando:
— A religião, principalmente os evangélicos, se tornaram uma força que se organiza na política, e influencia a esfera de interesses de uma classe social e seus privilégios, ignorando a realidade de milhões, como se estivessem sob efeito de uma arma sônica que transcende a agenda privada, e se manifesta coletivamente, dirigindo as pessoas como se fossem parte de um rebanho de gado. A arma sônica influencia multidões na forma valores de conduta coletiva, e mobiliza grande parte da sociedade em direção à agenda política de uma familícia. A familícia Bozo.

Miguelito, aceitando a opinião da mulher, disse:
— A família Bozo, escorada nos interesses da extrema direita, comanda essas pessoas como se elas fossem uma milícia a serviço, não do país, mas de interesses delas. É como se estivessem sob efeito de uma droga que anula a vontade de pensar os interesses populares, enquanto sociedade eleitoral. E o povão desnorteado, simplesmente se permite levar pela onda do “efeito Apagão”. Apagão da consciência.
— Efeito que apaga a razão, disse Daniela, o raciocínio fica fraco, a força do “efeito manada” age sobre elas como se fossem gado preso num curral imenso, que anula a vontade de pensar, raciocinar, ponderar o voto conforme seus interesses. Nessa condição, aceitam ficar num estado patético, indiferente a suas legítimas solicitações. Como se estivessem sonâmbulas.
— Como se estivessem sob efeito de uma droga poderosa, tipo “Boa Noite Cinderela”, uma droga de anulação da vontade de pensar com suas próprias cabeças, de despertar de um sonambulismo coletivo que as põe sob a influência de políticos que só querem delas tirar proveito. Elas embarcam no plenário desse Titanic, e passam quatro anos sob a chibata de presidentes da Câmara, tipo Hugo Marmota, ou do Senado, sob efeito do Álcool, Alcolumbre. Legislando em causa própria. Miguel parou por um momento, e continuou:
— Força Matrix, a religião organiza a sociedade no que ela tem de mais vital: a influência manifesta na excitação da crença de supostos valores. Ela mobiliza as pessoas, quando se firma enquanto influência religiosa na política. A exemplo da votação que quase manteve o “mito do pinico” na presidência do “Gabinete do Ódio” na Praça dos Três Poderes no Planalto Congressual do país. Por muito pouco os brasileiros não ficaram em mãos de magnatas quatro estrelas e civis dedicados ao crime organizado do golpe.

Daniela lembrou-se do discurso do Físico teórico na última reunião do grupo, pós-evento “névoa-verde”:
— O viés cognitivo.
— Indivíduos em grupo adotam comportamentos, ignorando crenças, a atitude consciente, pessoal e coletiva suspensa. Sem noção crítica da situação fora de controle.
— Desconfio, repito, que a manada que invadiu e pilhou a sede dos poderes em Brasília, pode ter sido direcionada por uma arma acústica, algo como ondas sonoras, ultrassônicas. Armas que controlam multidões por tropas de policiais, ao emitir sons acima de 160 decibéis.  Aproveitando-se do gado pró-Bozo, naquela ocasião, pelo que é conhecido por policiais da\ inteligência enquanto “efeito manada”.

Miguel, como se apoiasse a ideia, disse:
— Nos EUA conhecido por “bandwagon” ou “efeito adesão”.
— Mentalidade de turba, seguimento “Maria vai com as outras”. Viés cognitivo que abrange uma grande quantidade de pessoas “em suspensão”, ignorantes provisórias de suas próprias crenças, sem análise crítica da situação: o oito de janeiro. Miguelito, voltando a falar:
— É tudo muito misturado. É uma espécie de Física da comunicação, da energia de radiação, propagação de efeitos de ondas eletromagnéticas de repasse, cabeça a cabeça na multidão. Daniela, após um momento de meditação, disse:
— Alguma coisa semelhante à experiência de radiação da “névoa verde”.
— Propagação de partículas de calor ou de frio. Radioatividade eletromagnética infiltrando-se em materiais mentais que interagem entre si.
— Absorvem, refletem, aquecem em seus impactos, organismos vivos, sementes, aquecimento térmico no interior da dona Cuca.
— Triboluminescência, apartou Miguel. Os perigos da radiação mental, como se ela tivesse força “ionizante” de mente para mentes, uma vez unida com o mesmo propósito. Cérebros coletivos comunicantes. Um povo dirigido pelos barões do “People Loser”, uma turba cantante, dançante, excitada, infantilizada. Um povo disperso, extraviado, desempossado em si mesmo, distante de seus melhores interesses que ele, povo, não sabe quais são. Um povo encantado, concentrado em entretenimento demencial Tv visível, programado por Hulk de auditório, jogatinas lotéricas, jornalismo atrelado às notícias sobre novelas repetitivas de dramatização tatibitate, afinidades incestuosas, e futebol, chuteiras de “comedores de “bola”.

Estariam Miguelito e Daniela, assim como as demais pessoas que estiveram na festividade de casamento, e vivenciaram um despertar para realidades as quais, até então não tinham acesso??? Até então, antes do evento “nevoeiro verde”, tinham permanecido num estado de semiconsciência zumbi??? A “névoa verde” teria atuado em certas áreas de seus cérebros, atuado em áreas que despertaram um estado mental neurobiológico fora do padrão comum da psicologia transpessoal???
— A consciência não está localizada numa área única, mas na integração da informática nas diversas áreas ou regiões interconectadas do cérebro.

Miguelito estava a interagir com as conexões motivacionais das falas de Daniela. Como se estivesse a meditar por alguns segundos, ele replicou, em continuidade de raciocínio:
— A informática do cérebro é um campo de pesquisa interdisciplinar. Ela se concentra no estudo dos mecanismos que subjazem ao sistema de processamento das informações concentradas que mantém alerta o cérebro: A conexão entre neurociência, ciência da computação, e análise e interpretação de dados. Dessa forma ele compreende suas funções essenciais, e cria percepções que inovam o pensar, a emoção, a memória, o raciocínio.
— Abrindo caminho para novos nichos de aprendizado, disse Daniela.
— Estamos vivendo, talvez, uma serendipidade. Algo valioso em nosso cérebro estava adormecido. A “névoa verde” nos proporcionou o achado. Estamos num processo alquímico de descobertas múltiplas de oportunidades. A força Matrix realiza o trabalho da energia que põe o cérebro em movimento, direcionando os pensamentos conforme a perplexidade provocada pelo despertar da consciência impulsionada pelo progresso do cérebro energizado. Ficamos motivados a “ações da vontade”.
— “Tio” Einstein dizia ser ela, a vontade, força motriz com poder de fazer o “vapor” mover a máquina mental. Fazê-la ganhar velocidade sobre os trilhos dos neurônios, das sinapses. A pressão move o pistão, a matriz do pensamento. A força PSI da criação. A força PSI da imaginação, provocou reações mentais inusitadas, no dizer de Miguel.
— Talvez a “névoa verde” tenha feito isto por nós: proporcionado o impulso que nos libertou do campo da inércia mental. Nos tornarmos observadores atentos da realidade, podemos dirigir nosso agir. Você vê, sente e age!!!
— Sei o que quer dizer, disse Miguelito, nosso inconsciente nos comanda, mas não nos desanda. Ele continuou a falar:
— O behaviorista observa o próprio comportamento, comportamento em si, sujeito a contingências ambientais. Ele valoriza o potencial humano, o processamento mental cognoscível. Estou começando a acreditar que, após o fenômeno “névoa verde”, nos tornamos mais racionais, com mais liberdade de escolha, conscientes de que podemos trabalhar a matriz da impulsividade, mais próximos ficamos da autorrealização. Não tangidos para um curral, como cabeças de gado.
— Podemos, de alguma forma, nos despertar. Responder a nós mesmos as perguntas que realmente nos interessa saber as respostas. O psiquismo agindo como se tivéssemos conversado com Jung, Freud, Lacan, Reich, Nietzsche, trocando ideias com eles, estando no mesmo estado mental de compreensão de seus ensinamentos. Livres para pensá-los.
— E pensar-se.
— Livres para nos pensar, complementou Daniela.
— “Miguel, Miguel, não tendes abelhas e vendes mel”, compreendi que tenho abelhas sim. Elas fazem mel em meus neurotransmissores e posso vender o produto de minha criatividade. Você, Dani, ganhou uma versatilidade mental que eu desconhecia que você um dia pudesse ter.
— Foi uma experiência traumática a “névoa verde”. Ainda não sabemos no que nos tornaremos na continuidade de nossos dias. Quais efeitos a longo prazo teremos de encarar. Talvez o “dia seguinte” ainda reserve coisas que não sabemos se poderemos nelas nos envolver:
— O que vamos ganhar, o que iremos perder é nossa permanência no astral da ancestralidade mórbida. Muita gente vai nos estranhar, nos ignorar, talvez até nos ameaçar. Miguelito replicou de pronto, como se já estivesse à espera do comentário:
— Há um provérbio que afirma: “Os cães ladram, a caravana passa”. Pessoas que se querem boas demais, que “se acham” cheias de esperteza, políticos corruptores que não respeitam seus eleitores, são, por vezes, mais insignificantes que os cães que ladram, enquanto a caravana passa.
— Mas quantos malefícios fazem enquanto estão na presidência dos poderes, agindo contra aqueles que deveriam representar, replicou Daniela:
— O funcionamento do cérebro e da inteligência humana baseia-se em processos bioelétricos, bioquímicos, envolvendo a comunicação entre neurônios através de sinais elétricos, a química do cérebro quer agir, mas não pode. Os Pavões Misteriosos são muitos, mas não podem voar. — Miguelito continuou a falar:
— Há decaimento da inteligência humana. Pesquisas recentes na Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França documentaram reversão nas pontuações médias de “QI”, inferiores às da geração anterior. No Brasil não pode haver essa reversão, devido à inexistência dele, “QI” manifesto, desambiguado. O “QI” nacional se mede em ânus. Os pensamentos normalmente estão associados às conexões com o túnel da zona sul do tronco. Sem cabeça.
— O povo da Mula Sem Cabeça, completou Daniela.
— O túnel do tempo é o mesmo o do fiofó. A cultura dos orixás. É como diz aquela canção: “Você não me pega/você nem chega a me ver/Meu som te cega, careta, quem é você? /Que não sentiu o suingue de Henri Salvador/Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô.../Que não, que não, e nem disse que não/Que não se sentou no mesmo sanitário em que fiz cocô...”.
— “Quem não é recôncavo, nem pode ser reconvexo”. — Miguelito sorriu alto e a bom som. Acompanhado pelo doce e silencioso sorriso de Daniela.
— Ainda temos o cérebro associado à intimidade dos hominídeos das cavernas africanas, disse ela.
— Você quis dizer afrodescendentes, provocou ele. A cabeça de cima não possui condições de pensar por não ter cultura literária e de conhecimentos para tanto. E a cabeça de baixo se dirige, cabra cega, para o túnel do fiofó.

A inteligência brasileira, mito rara, está conectada diretamente aos “sertões de Guimarães Rosa.  Os processos bioelétricos e bioquímicos do cérebro não possuem magnitude que possa energizar os neurônios dos desprivilegiados em processamentos elétrico-químicos com conexão que não sejam com os gases das flatulências. Com o gás da corrida dos chutadores de “bolas”, os que despertam os impulsos mais primitivos nos gritos das galeras nas arquibancadas nos coliseus do futebol. Este é o modelo de povo aceito pelas “elites” da brasilidade com sede na Faria Lima e no Banco Master. E entidades financeiras quejandas.


A mente dela não processava as consequências do que estava a acontecer nos desdobramentos, pessoal e social, dos acontecimentos pós “nevoeiro verde”. Mas, os acontecimentos bizarros decorrentes das ocorrências da névoa no casamento de Miguelito, ela não poderia ignorar, mesmo que quisesse. Ela organizara a festa, a relação dos convidados, contratara uma empresa com mais de duas dezenas de vídeos e lives produzidas por especialistas.

Mas uma coisa a aborrecia e intrigava:
— Como é que a porra de um Cavalo possui toda essa autoridade e influência sobre mim??? Interrogava-se ela.  

Ela lembrou de peripécias do Cavalo Branco anteriores ao evento inexplicável da névoa. Ela considerou a memória sensorial de mais longo prazo. Ela, sua fixação na era antediluviana do aparecimento dos Nefilim. Ela, a toda poderosa empoderada responsável pela Secretaria de Cultura, pela gestão de escolas, faculdades e universidades nos governos da extrema direita da capital do Estado.  

Causava grande estranhamento nela, o fato de que, pessoas de memória longa, lembram, no máximo, de acontecimentos entre os três e os quatro anos de idade. Ela, caramba, pensou com soberba, tinha sonhos e pesadelos com os Nefilim. Ela, Aldenora, ambicionava na vida apenas satisfazer suas taras. Ela representava a burguesia perversa, a burguesia medrosa de que as pessoas saíssem de seu próprio sonambulismo, e despertassem para a defesa institucional de seus interesses. Ela odiava literatura, mas não perdia uma única festividade de fim de semana, promovidas pelos barões da droga em suas mansões nos bairros Alto de Pinheiros, Higienópolis, Vila Olimpia, Itaim Bibi, e mansões à beira-mar no litoral.


Ela, Aldenora, odiava literata, mas comandava os eventos culturais de escritores e demais artes da secretaria estadual de educação e cultura. Sempre defendeu, com sua fenda entrepernas, uma sociedade baseada na imoralidade. Uma sociedade na qual o Cavalo Branco, que, supostamente, atormentava seu psiquismo, pudesse ser seu companheiro de cama, seu marido psíquico, seu sodomiza dor íntimo. Ela lutava por uma sociedade dominada pelas Sinagogas de Hambúrgueres. Pelo satanismo da sociedade secreta que frequentava em reuniões periódicas no sótão de sua herdade, herda\da do latifúndio familiar.

Aldenora era um corpo e mente prisioneiras entre as seis paredes do Shabat. O Cavalo Branco era seu amante virtual. Insaciável, ela transava com gregos e troiânus. A internet havia transformado as relações pessoais e com isso trouxe novos cenários paras as relações conjugais. A rede. suas relações sigilosas, possibilitou relacionamentos extraconjugais virtuais, sem contato físico. Ela, expert nessas conexões aprendidas com suas percepções telepáticas, via Cavalo Branco.

A espiritualidade nefasta pode manifestar malefícios. Grano, mantinha a mente de Aldenora sob controle durante o ritual das velas. Chalá e vinho, reforçando a identidade especial, a continuidade cultural de seu povo mutuamente conectado pela sedução sodomita, muito anteriormente
à tragédia de Sodoma e demais cidades do Vale de Sidim.

O ritual sexual das sombras dos corpos projetadas na parede da alcova de Aldenora, quando recebia para fazer sexo, cada um de seus amantes.  Ao sexo seguia-se o consumo do maná divino, do pão enriquecido com ovos, tradicional na culinária judaica, consumido no repasto adocicado, o simbolismo religioso associado ao maná divino, o gosto do Challah pincelado com gergelim: o repasto incluía vinho.

A continuidade cultural da identidade secreta de um povo dominado e alimentado psiquicamente, por entidades que não têm compromisso com a moral sexual dos demais povos do mundo. Povo escolhido para conduzir a Terra ao Holocausto definitivo no Monte Har Megiddo, na Batalha do Grande Dia de Deus: o Dia do Armagedom.

Os mitos mórbidos do povo judeu, desde a antiguidade mais antiga, alimentados pelos heróis famosos antidiluviânus, os Nefilim. Mitos alimentada pelo medo. O alimento dos segredos íntimos, a espera mórbida da dominação da chegada de seu grande líder, do esperado Anticristo. Aldenora alimenta-se da escatologia especulativa. Ela se conforta em saber utilizar o poder de governar culturalmente a sociedade. O poder a ela concedido pelos arcontes. Pelos arcontes disfarçados em autoridades políticas, administrativas, na história secretamente dominada pelo interesse no enriquecimento ilícito dos que se disfarçam em representantes do povo.

Aldenora se acredita parte do plano social de dominação secreta da sociedade. Ela se refugia no plano secreto, conspiratório, manipulado por grupos do dinheiro antigo, poderosos arcontes que manipulam a cultura popular e se põem a cantar nos palcos sertanejos financiados pelo dinheiro público. A cultura da interpretação de textos da literatura, a cultura que desvenda a venda que mantém a sociedade ignorante e cega de seus direitos.

Ela se acredita uma deusa da conspiração que domina a mente, o Inconsciente Coletivo Político-Social, e mantém as almas na escuridão da ignorância de suas melhores possibilidades. Ela é parte do poder religioso que distrai o povo crente nos mitos apocalípticos, enquanto a sociedade é escravizada pelas teorias da conspiração.

Dessa forma, como podem as pessoas acessar a luz do conhecimento, se elas são, diariamente, programadas para se manter na escuridão mental iluminada da sala de jantar, promovida pelo entretenimento da sociedade sodomizada pelos interesses dos banqueiros, empresários e políticos associados à MAGA patológica??? Tá certo isso???



ACONTECIMENTOS ESPORTIVOS
ACONTECIMENTOS CARICATOS

Os jornais esportivos, os locutores de rádio, as emissoras de Tv, a imprensa internacional, a internet, através de áudios, vídeos divulgados pelas plataformas tipo YouTube, Instagram, TikTok, a Youtuber Carol Capel, editaram reportagens sobre os estranhos acontecimentos que estavam a ocorrer no Los Angeles Stadium na ocasião da Copa do Mundo de 2026.

Após o jogo final entre duas equipes das que mais se destacaram no campeonato, os espectadores não conseguiam sair das quatro linhas que limitam o verde do campo de futebol. Era difícil a todos a compreensão do porquê não conseguiam sair dos limites do campo. Nem os jogadores, nem as bandeirinhas, o juiz, nem tampouco os espectadores nas arquibancadas.

Ninguém sabia o que estava a acontecer nesse domingo, 19 de julho de 2026. Os vencedores dos jogos 101 e 102. Ninguém explicava a força que os mantinha no interior do Coliseu Los Angeles Stadium, após o término do jogo. Que força inquietante, controversa, invisível, ante lógica, uma força contra a natureza fundamental da existência, da realidade, da ciência conhecida, a impedir que as pessoas que estavam no interior do Stadium pudessem dele sair. Que ramo da Metafísica poderia explicar esse acontecimento inacreditável???

Que tipo de coisa era essa que o mundo todo compartilhava??? Que princípio interventor estava a interferir dessa forma com a realidade??? A que categoria pertence??? Que informação sobre o mundo esse acontecimento trazia??? Que trancas, que guardas, que muros, que paredes??? Que espécie de paralisia os impedia de pegarem seus carros, seus ônibus, suas motos e se dirigirem para suas residências. Seria uma sátira sagrada, surrealista, que prendia as pessoas partícipes desse evento.

Havia humor, ironia e sarcasmo a ridicularizar o evento bizarro nos jornais e revistas, as impressas, as radiofônicas e as Tv visíveis. Nos celulares pipocavam comentários a esse tipo de força que desnudava o curso dos acontecimentos em colapso de uma civilização dedicada ao entretenimento coletivo que reproduzia os berros, as expectativas ridículas de gol, a correria das chuteiras atrás do rola-rola das “bolas”.  

Os comentaristas dos magazines, das publicações periódicas, dos hebdomadários, os pasquins do humor reproduziam a condição humilhante pela qual passavam os atletas, os técnicos, as comissões técnicas, os locutores de rádio, os profissionais da tv que cobriam o grande evento com recordes mundiais de público, os espectadores das galeras, das cadeiras numeradas, das cabines de imprensa.

No sétimo dia após o jogo da decisão, o odor de cocô, do cocô depositado no gramado pelos jogadores que não podiam conter a vontade de defecar diante dos milhares de pessoas nas arquibancadas. As estruturas de degraus, entre as fileiras de assentos projetadas para acomodar grandes multidões, funcionavam enquanto áreas de defecação. A eliminação fisiológica de resíduos intestinais sólidos, líquidos e gasosos a partir do ânus, infestava o ar viciado do Coliseu de esportes do Los Angeles Stadium.

Os problemas de saneamento, de alto risco para a saúde pública, se acumulavam, gerando a possibilidade de outras infecções, que não as infecções gastrointestinais. Diarreia, hepatites, verminoses, leptospirose. A saúde pública anunciava a necessidade de internações. A possibilidade de mortes se intensificava. A contaminação por proximidade da falta de higienização e salubridade, aumentava.

O presidente dos EUA tinha os fraldões transbordando de matéria fecal. Um amontoado de sacos plásticos negros se amontoava nos corredores do Stadium. A situação do saneamento se agravava cada dia mais se tornando simplesmente insuportável.    

A falta de saneamento básico no Brasil gera graves problemas de saúde pública, destacando-se infecções gastrointestinais (diarreia), hepatite A verminoses, leptospirose e doenças vetoriais como dengue, Zika e Chikungunya. Essas condições, provocadas por água contaminada e esgoto a céu aberto, resultam em milhares de internações e mortes anuais, afetando principalmente crianças. Os banheiros eram evitados devido aos espaços restritos entre um e outro amontoado de fezes. A urina se espalhava no chão, dentro e fora dos sanitários.

A falta de destinação básica dos dejetos contaminava o solo, e os demais espaços do Stadium, o ar prenunciava contaminação por doenças aéreas transmissíveis. O mal odor afetava também o sistema nervoso das pessoas menos dotadas de autocontrole. Até pessoas que tinham dificuldade crônica de eliminar o conteúdo retal, soltavam o conteúdo intestinal com facilidade. O impacto ambiental só não era mais intenso, devido ao fator água, que ainda saía pelas torneiras. A síndrome da defecação obstruída, não mais impedia a eliminação do conteúdo intestinal.

O fanatismo dos torcedores havia desaparecido. A empáfia esconsa dos ídolos dos times não mais podia ser mantida. Era como se uma espécie de punição divina estivesse em curso. Uma jovem conversando com sua amiga lembrou de mencionar “O Anjo Exterminador” do filme de Buñuel.
— “Uma metáfora surrealista do colapso da civilização ocidental”, disse a amiga. A falta de moral confrontada com a pulsão irracional.
— Parece que estamos vivenciando o mesmo fenômeno, disse a outra. Esse aprisionamento não vai durar mais tempo, ou não viveremos para ver o final.

Carol Capel, uma Youtuber das mais prestigiadas, não parava de editar vídeos sobre esse acontecimento, obtendo grandes afluxos de comentários. Suas lives permitiam audiência instantânea de milhares de pessoas. Nos shows, bate-papos, vídeos gravados, demais eventos visualizados na internet, nos programas de informação jornalísticas da Tv, pipocavam informações, as mais diversificadas, sobre o que estava a acontecer no interior Los Angelis Stadium.
Autoridades governamentais, pessoas de importância política, legislativa e jurídica, todas passavam pelo vexame de estar compartilhando a convivência com os piores odores de merda e urina. Os cartolas dos clubes, os ídolos do esporte em geral, não apenas do futebol, todos mergulhados nos odores e dissabores de uma situação realmente inusitada, surpreendente, bizarra.
— Coisas assim só podem acontecer quando realmente estamos às vésperas do fim do mundo.  

O Stadium estava cercado de policiais do FBI, a polícia secreta, agentes do SNA, a representação policial local, os seguranças das autoridades, centenas de familiares de gente que permanecia por sete dias dentro das dependências do Coliseu de Los Angeles, líderes religiosos católicos, judeus, muçulmanos, intelectuais, personalidades importantes das profissões liberais. Não faltava gente importante de representatividade econômica, social, liberal. Chefes de estados, reitores de universidades, representantes das FFAA de diversos países... Todos expostos à condição humanas mais elementar.

A fragilidade humana exposta em sua condição mais intensificada. Os grandes e poderosos equiparados aos pequenos e desprovidos de poder político, econômico, social, se reconheciam entre si. As 15 horas do dia 27 de julho, algumas pessoas se dirigiam às saídas abertas do Coliseu Los Angeles e conseguiram sair. Imediatamente foram acompanhadas por outras e outras mais. Seguiram-se os demais prisioneiros do “Anjo Exterminador”. Maioria das pessoas pareciam não ter pressa.

Os serviços médicos e de enfermagem de hospitais e casas de saúde aproximaram-se das pessoas na tentativa de socorrê-las e prestar atendimento. Os seguranças não as impediam, apesar de terem cercado os locais próximos às saídas de fitas amarelas, marcando o isolamento da área, de se dirigirem às saídas do estádio. Estas, logo começaram a se inflacionar de gente se dirigindo às ruas, praças e avenidas adjacentes, em busca de socorro familiar, táxis, ambulâncias.

Helicópteros e drones que antes não conseguiam entrar nas dependências do Los Angeles Coliseu, agora pousavam na grama onde o jogo final do campeonato mundial tinha definido o campeão da Copa do Mundo 2026. O clima ainda era de apreensão. A chuva caía prenunciando a limpeza do local que estava sendo invadido por “custodians” e “janitores”, pessoal que cuida nos EUA, da limpeza e manutenção de locais públicos grandes e prédios, que limpam banheiros e trabalham na manutenção higiênica básica desses lugares. Em regime de urgência, foram convocados serviços públicos, tipo o Sanitation Worker e o Sanitation Engineer: os que trabalham na coleta de lixo e limpeza urbana.

As autoridades locais cuidavam para que, com urgência, a vida dos desportistas até então presos no local voltasse ao normal, assim como a vida das milhares de pessoas que compraram ingresso para assistir a final da Copa na região de Nova York e Nova Jersey. Todos ainda estavam sob a influência do trauma coletivo que assolou os corpos e as mentes, e que agora tinham acesso ao socorro das instituições de saúde locais.

O presidente dos Estados Unidos não parava de trocar fraldões após fraldões, cheios de cocô. Talvez estivesse tomado por um medo mórbido e assustador.
— A pré-hipertensão arterial do presidente se descontrolou, comentou uma enfermeira próxima a um grupo de curiosos. Aumentou demais.

O atendimento de urgência da maioria das pessoas, exigia assistência médica rápida para evitar que o quadro dos pacientes se agravasse. Havia risco imediato de morte para muitos deles. A espera para exames e avaliação de est ados graves de pacientes, antes de intervenções cirúrgicas, aumentou exponencialmente, a exemplo de fraturas sem hemorragia grave, febre alta. Dores abdominais agudas e cólicas renais, falta de ar moderada\ e crises de asma aumentaram de ocorrência. As sirenes soaram em grande quantidade nas ambulâncias a caminho dos hospitais.

Os jornais Tv visíveis pipocavam de reportagens e entrevistas com chutadores de bola, técnicos times, autoridades de várias instâncias da sociedade civil e militar. Debates entre pessoas de relevância política, econômica e social foram promovidos por emissoras de rádio, Tv e jornalismo radiofônico. As principais revistas semanais de notícias, Time, Newsweek, U. S. News & World Report, migraram rapidamente para os noticiosos digitais com depoimentos e entrevistas com professores com PhD (Doctor of Philosophy) e doutorado.

Miguelito e Daniela estavam de férias em Paris. Gostavam de caminhar por ruas onde a presença de cafés e bares provocavam neles um sentimento intenso de nostalgia, como se já estivessem visitados aqueles lugares que pela primeira vez estavam a caminhar na paisagem literária em que Woody Allen filmou, em 2011, “Meia-Noite em Paris”.

Não houve uma explicação plausível para os acontecimentos bizarros no Los Angeles Stadium. Mas o problema do mal-estar na civilização começou a despontar em inúmeros depoimentos nos programas Tv visíveis de entrevistas com autoridades acadêmicas de opinião credibilizada. Discussões sobre o futuro da humanidade em relação ao seu próprio futuro. Os malefícios que atingem a vida dos indivíduos contribuem, mesmo se forem ficcionais, para mostrar as aflições que estão na ordem do dia, que se mostram relevantes e revelam a condição humana e seus desdobramentos no mundo real, mesmo na leitura de textos ficcionais.  

A leitura do mundo pode e deve realizar-se a partir de contextos criados para a melhor compreensão fora das limitações na teoria e na prática de um mundo que pode parecer irreal. As limitações intrínsecas no contexto da realidade, podem ser visualizadas, se forem ressaltados os aspectos que se escondem nas aparências dos acontecimentos menos relevantes. Mas reais.

Na teoria de Freud lemos que a civilização é fundada na base de uma renúncia à satisfação pulsional. Mas essa constante repressão das pulsões é apenas aparente. Um jogo de futebol revela que elas, pulsões, estão sempre presentes. Basta um drible ou um gol, uma jogada de campo, para que os berros e os gritos fanáticos venham à tona. A agressiva mente das torcidas se hostiliza, ou se frustra, com energias pulsionais que se revelam quando um usuário de chuteiras acerta o gol adversário. Ele vira ídolo. Ele passa a representar o próprio torcedor que se vê nele e sente que realizou algo, através da euforia do chutador de “bola” que fez um gol.

A emoção contagiante faz a conexão ilusória no cérebro do jogador que é, naquele momento, também o torcedor que empatizou a conexão da experiência. Experiência que é de um e se alastra por toda a torcida pulsional de quem veste a camisa do time vencedor. Enquanto os que vestem a camisa do perdedor aguardam a oportunidade da revanche que virá, talvez, no próximo jogo entre eles. A renúncia pulsional se revela de uma forma outra que não a freudiana manifestação, ou comoção emotiva que, segundo Freud, funda a civilidade, a civilização.

Logo ali, bem próximo ao torce dor, está sua realidade escatológica. Ela se mostra a abranger a destinação final do homem, ela representa o sentido de sua busca por emoções que traduzam suas frustrações na descrição das funções excretoras. Cocô, xixi e gases podem, por sob o tapete das aparências, representar a cultura por detrás da emotiva idade traduzida pelo momento falsamente libertador das pulsões reprimidas: o grito, o rito do gol.

O gol, fator universal de libertação da repressão à qual é submetido o torce dor no seu conviver diário com suas neuroses, frustrações, ressentimentos concentrados no momento da excreção de seu cocô. O cocô que aparece quando ele, torce dor, toma consciência do que significa, na realidade de sua vida, a mera encenação expressa numa emoção fútil, trivial.

A emoção enquanto conexão que se traduz na banalidade do gol, na futilidade de um resultado esportivo corriqueiro, insignificante, que se perde quando ele sai do Coliseu dos Angeles com o resultado do ganho ou da perda de seu time. Sua camiseta não guarda nada mais, senão o entusiasmo pela vulgaridade, pelo pacto com as diabruras em campo. Em campo dos comedores de “bola”. “bola” dos rola-bostas.

Ele, torce dor, veste a camisa de um time de futebol, sai do Coliseu do futebol dos Anjos Caídos, portador da própria insignificância, qualquer que seja o resultado do jogo, favorável ou desfavorável ao time dos ““comedores de “bola””. A amenidade ordinária de uma cultura que não é a do Conhecimento, a cultura que é dos berros, das Sinagogas de Hambúrgueres, dos lavadores de dinheiro na bilheteria angelical do Coliseu da “bola”.

O pensamento irracional e a insensibilidade da cultura animal os fazem mergulhar na irracionalidade do berrador gogogogogol. Eles, suas mentes cheias, transbordando de forças pulsionais, impulsionadas pelo poder

Os que correm atrás de “bolas” que mais podem fazer de seu tempo, senão dedicá-lo ao suor da correria??? As forças pulsionais compram ingresso para se manifestar, nas arquibancadas, bancadas pela máquina de lavar dinheiro das máfias de todos os tipos e modelos de contravenção institucionalizada. As torcidas transbordam de pulsional idade reprimida, superam-se na incapacidade de contê-la. A pulsão reprimida, simboliza a sociedade Uga-Uga dos Brucutus, a excitação pelas suas dores de calção.

O planeta Terra nem se toca de que está numa prisão astrológica e astronômica da alma. Da alma pessoal e coletiva. A roda zodiacal nominada pelos arcontes, os deuses demônios governadores dos seres humanos desumanizados pelo entretenimento de curto e longo prazos.

— Nas arquibancadas está concentrada a essência de suas almas aprisionadas, no dizer de Miguel, virando-se para a mulher Daniela, ambos sentados numa mesa de bar numa rua folclórica de Paris.

— Os destinos aprisionados pelo passado, disse Daniela. O passado do pai, da mãe, avó dos filhos de corpos sodomizados. Aprisionados pelos planetas, pelo sol, pela lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno Urano, Netuno. A Matrix cósmica aprisionando as almas telúricas. A cadeia dos mapas astrais regendo o DNA pulsional da espécie Homo sapiens. A Involução das Espécies em andamento, como talvez diria, nos dias de hoje, Darwin. A resposta de Miguelito não se fez esperar:

— As encarnações passadas encenando o circuito eletrônico nos cérebros movidos pela passionalidade vazia. Vazia de significado pertinente à Evolução das Espécies.

— A involução das espécies aprisionadas pelo sistema planetário governado pelos deuses demônios, os arcontes do Zodíaco, balizou Daniela. O planeta dos escravos que nascem no berro e vivem do grito. Ela continuou a expressar-se nas seguintes palavras:


    — A Terra, é governada pelos deuses demônios arcontes, citados no Segundo Livro de Enoch. Segundo o Segundo Livro de Enoch, Deus é metal derretido, radiação atômica do terror absoluto. Milhares de bombas atômicas à espera de um dia aziago, serem, finalmente, mais do que uma expectativa mórbida que domina os seres por elas desumanizados, serem elas, bombas atômicas, finalmente, realmente detonadas.

— “O horror, o horror”, sussurrou Miguelito, enquanto conduzia à boca a xícara de chocolate quente, saboreado no Café e restaurante Les Deux Magots, sito em Saint-Germain-des-Prés, Paris.

Normalmente há nos leitores menos instruídos, a dificuldade de interpretar os textos que leem. O que faz com que a literatura não seja uma arte absorvida com prazer, pelos que não têm acesso ao sabor deleitoso de um bom vinho, por desconhecer o que ele é. Por não terem acesso ao que há de melhor na compreensão dos textos lidos, os leitores brasileiros leem pouco, e interpretam os textos lidos menos ainda.




NOMINANDO OS ARCONTES PLANETÁRIOS


MERCÚRIO

Mercúrio, o arconte mais interno e menor do sistema solar, é híbrido de duas partes, a visível pela manhã (Apolo), e a visível à noite (Hermes), mensageiro do lucro dos comerciantes. O símbolo astrológico é o caduceu, bastão entrelaçado por duas serpentes, símbolo da\ medicina comercial moderna. Sendo ele um deus demônio, um arconte do sistema solar, representa mente interesseira e o intelecto governante de Virgem e Gêmeos.  

A exaltação em Aquário significa uma mente objetiva, progressista, dinâmica, que pensa e se afirma “fora da caixa”. Quer dizer, favorece a criatividade, a tecnologia, a comunicação sem meias palavras, o desapego e desempenho emocional. Os gregos o denominavam Apolo, o demônio arconte visualizado “Estrela da Manhã”.

A visão coletiva de Aquário, unido à lógica, ao brilho intelectual possesso de Mercúrio. Quando chega Hermes, veloz galope nas sombras da noite, depois do pôr do sol, o arconte mensageiro rápido, movimenta-se à velocidade da luz. Seu espírito de calor não tem a força da moderação. O movimento de abrandar e serenar a intensidade solar no entardecer, anoitece quando a noite vem e suaviza o mundo das pessoas. Pessoas em sua busca por prazeres e comoções noturnas próprias de Eros.  

A busca por conexões racionais complexas se intensifica no fogo das paixões A razão cede às solicitações eróticas que organizam os pensares segundo a desorganização do intelecto. Este, cede às conexões emocionais que não se reprimem. A revolução aquariana dos jovens nas décadas de cinquenta sessenta, produziu não apenas liberação aberta dos instintos sexuais primitivos, até então reprimidos.

Permitiu também a explosão das DSTs. Doenças sexuais transmissíveis que produziram lucros astronômicos para os laboratórios farmacêuticos. O míssil entrepernas do sexo masculino, ganhou a intensa vontade ser seduzido pelos porta-aviões do desejo feminil. E veio, de brinde, o movimento irracional, indomável, do tira-bota, entra e sai incontroláveis, nas vaginas e adjacências do mulheril. Não apenas do mulheril. A busca por libertinagem manifestou-se entre pares do mesmo sexo. O sistema político e econômico lucrou horrores com isso.

Os movimentos armados da juventude por substituir o poder político e econômico-social dos arcontes que governam o mundo, desviou-se de seus projetos políticos para a canalização indiscriminada da sexualidade desenfreada. E a Paulicéia desvairada virou metáfora do Brasil.  

Com ela veio também a manifestação física do HIV positivo. Milhares de vítimas dos excessos da movimentação sexual tira-bota. O corre-corre dos laboratórios, aparentemente interessados para achar uma maneira de diminuir a quantidade de sofrimento e mortes dos infectados. Mas, realmente, interessados nas drogas milionárias que comercializaram para os governos do mundo governado pelos demônios arcontes.

— “O horror”, pronunciou-se Daniela.
— “O horror”, pronunciou-se Miguelito.

Os Evangelhos dos Conhecimentos ocultos. A cosmologia simbólica de um universo simbólico, governado por um demiurgo, ser ignorante e megalomaníaco, que “se achava” criador do universo, quando, em realidade criava apenas associações entre orbes de seres materializados. A cosmologia dos gnósticos desmascarava a falsa espiritualidade, substituindo-a por uma espiritualidade aperfeiçoada numa visão do mundo distanciada do cristianismo ortodoxo.

Nela, espiritualidade aperfeiçoada, encontram-se os Evangelhos de Felipe, o Evangelho de Tomé, o Evangelho secreto de João, o Evangelho de verdade, os diálogos entre JC e seus discípulos, os Evangelhos que a Igreja excluiu dos textos bíblicos, para que seu poder de interpretação desses textos não fosse questionado pela publicação de seus originais ditados por JC.

A cosmologia revelada por Cristo era altamente simbólica, sobre a criação, o sofrimento e a salvação. Ao invés do salvador crucificado, o Mestre Iluminado portador da sabedoria ancestral da centelha divina adormecida e, por vezes, extirpada, do interior do ser humano.

O erro de uma das entidades divinas, permitiu a criação do demiurgo, criador da matéria. O mundo visível não é obra do Criador de Verdade, mas dessa entidade inferior, megalomaníaca, que usurpou o papel de Criador. O cristianismo sempre foi um campo de disputa entre visões diferentes sobre a existência, a divindade e o Cristo.

Os textos escritos em copta revelam o mapa espiritual do universo. A origem e a corrupção desse universo. A revelação de dois reinos oposto: o espiritual e o material. O invisível e o visível. A plenitude e o vazio que nunca se preenche. A realidade da aqueda, do erro primário, originário.

O deus do espírito é inefável sem nome, sem forma, a unidade superior. Ela antecede toda a criação. Dela emanaram as demais entidades nominadas de Éons. Elas compõem o Pleroma, a plenitude. O mundo material, criado pelo arconte, é por ele impedido de se conectar ao mundo espiritual superior. Os Éons juntos são a harmonia perfeita.

O Éon Sofia decidiu agir por conta própria. Entrar em guerra (Marte), conhecer o Criador sem mediações. Rompeu a harmonia do Pleroma, deu origem a Yaldabaoth, o Demiurgo do gnosticismo. O falso criador do mundo. Criador do mundo material dos arcontes. Arrogante e maligno, gerado pelo erro de Sofia, crê ele ser o único deus. O deus aprisionador de almas humanas na matéria. Ele, o filho do caos. Os fragmentos desconexos do divino no interior da matéria.

Não é qualquer conhecimento que liberta. O conhecimento íntimo do ser, sim, liberta. Mas é preciso ter coragem para se autoconhecer. O arconte, criador da matéria, construiu muros atrás de muros, para que você desiste do autoconhecimento e começasse a se lamentar. O muro das lamentações tem muitas camadas, umas atrás das outras, para te fazer desistir de te conhecer.

Jesus Cristo desce do Pleroma na intenção de te ajudar a encontrar a centelha divina perdida, o Reencontrar o Tempo perdido na literatura do Novo Testamento. A tentativa de Proust, incentiva outras iniciativas. O Deus do Novo Testamento te ajuda a reencontrar o Tempo Perdido no leito do rio corrente da Gnose, o rio do conhecimento perdido. Banhar-se nos sons das  águas subterrâneas. Nas lágrimas dos muros das mil lamentações. Vencer as pedras no meio do caminho, achar o caminho das pedras, das pedras no meio do caminho. As pedras no meio do caminho, as pedras sobre as quais poetizava Drummond.

Os pés hão de se ferir, o sangue há de avermelhar o caminho do Conhecimento que o ser humano esqueceu de si mesmo. O sofrimento, o gólgota, a crucificação, são imposições do masoquismo humano. É um padecer virtual que se tornou real, para que a humanidade pudesse crer na própria redenção pelo sangue dele em seus passos. A humanidade acredita no sofrimento enquanto redenção da corrupção da carne sodomizada do Antigo Testamento.

— Marte sinonimiza a luta eterna entre Espírito e matéria. JC ensina como conseguir unificar ambos: espírito/matéria. Quem descobre em si mesmo este conhecimento, esta Gnose, rompe com a dicotomia entre Espírito e matéria. Abre um portal de volta ao Pleroma. Não é fácil superar todas as mentiras que se acumularam nas culturas antecedentes em seu Inconsciente Coletivo Universal. Os representantes do poder material dos arcontes lutam de forma renhida para que você continue escravo da matéria e esqueça o universo poderoso da Criação: a inteligência do Espírito.

VÊNUS

A participação do arconte Vênus no sistema solar de nosso sol de 5ª Grandeza, contribui para a farsa do amor fantasiado em prazeres vulgares, numa liberdade de relações comezinhas, cotidianas. Elas controlam a arte e a técnica pulsional dos praticantes de fetiches sexuais, dos desvios incontáveis da heteronormatividade física e mental, a popular “mente suja”. A popularidade universal do distanciamento da heterossexualidade enquanto padrão de orientação sexual nas relações amorosas.

Homens e mulheres não mais possuem papéis de gênero. O atual exemplo mundial de uma “elite” sob comando, comunicação e controle de um judeu bilionário, Epstein, que facilmente cooptou toda a elite de milionários e bilionários europeus, asiáticos, americanos e quejandos, atraídos para a Ilha do dr. Moreau Epstein, onde, segundo as investigações que levantaram evidências de que a “elite” praticava rituais de antropofagia, ao saborear pratos de uma culinária sofisticada, onde eram devoradas crianças recém nascidas, para que os bilionárias tivessem, supostamente, uma energização de seus neurônios e demais componentes do sistema nervoso central.

O cardápio permitia que tivessem um rejuvenescimento de suas células e a idade deles se prolongassem por muitos e muito ânus. O mundo atual passou a girar no sistema solar de uma normatividade maligna. Os poderes do dinheiro, da dolarização dos condicionamentos secretos de uma “elite” que normalizou o conceito sociológico e PSI, de “malignant normality”. Os comportamentos insanos de uma “elite” que comete atrocidades insanas, como se estivesse na vigência dos idos tempos da Babilônia. E de tempos anteriores a ela: tempos cavernosos, de tribos canibais paleolíticas.

O arconte Vênus trama na Alma do Mundo das crianças nascidas fêmeas e machos humanas. Elas já nascem predestinadas a ser putinhas e putinhos precoces. Infiltram-se em todas as instâncias da realidade terrena. Principalmente em grupos da alta costura, em desfiles com cobertura da imprensa escrita, falada e Tv visível. Demandam-se, não poucas, para os estúdios de Tv onde são cooptadas para representar papéis na dramaturgia de novelas, e, não poucas, atuam em produções cinematográficas, conforme a necessidade de produtores de filmes hollywoodiânus, no mercado de pornografia infantil, juvenil, adulta.

Os demônios arcontes estão sempre ocupados em controlar o mundo material e encarcerar a centelha divina do sagrado feminino numa caixa. O sagrado feminino é, sistematicamente, dessacralizado e jogado no lixão do consumo de produções que promovem a visualização das mulheres numa redoma vigarista que as define enquanto objetos de consumo do erotismo em suas formas as mais degeneradas.

O arconte Vênus se encontra com o mundo profano, nele se instala e promove a comercialização dos corpos profanados, orientados para a satisfação de todos os tipos de taras do mundo masculino, descendente dos anjos caídos com registro na Bíblia, dita sagrada. O contato com o sagrado feminino se deteriorou de maneiras irreversíveis. Não há como sanar ou desinfectar as mulheres e os homens mergulhados na cultura arconte dos demônios dos signos astrais.

A humanidade está prisioneira da roda astrológica e astronômica dos planetas. A Terra está cercada pelos deuses, demônios arcontes planetários. Eles não escondem seus nomes nem suas intenções. O mito de Salomão e suas mil mulheres. Segundo relata o texto bíblico (1 Reis 11), suas setecentas esposas e trezentas concubinas, representavam alianças políticas e econômicas. Eram egípcias, moabitas, amonitas, Sulamita, edomitas e hititas. Todas subjugadas pela simonia.

Simonia foi prática medieval, mas já era praticada desde tempos imemoriais. Significa a compra e venda de bens espirituais agregados à comercialização dos corpos e cargos eclesiásticos oferecidos em troca de dinheiro, terras e servidão humana a membros do clero e lideranças espirituais afeitas à troca de favores, os mais pernósticos, presunçosos, pretensiosos, pedantes, esnobes. Os demônios arcontes sempre estiveram infiltrados nas igrejas nos templos e sinagogas de interesses que nada tinham de cristãs. Exceto o nome.

Elas, as filhas de Eva, submersas na cultura popular das personagens de filmes e novelas, aparecem na lista das cem atrizes mais bonitas da Tv visível. A invisibilidade delas garante os papéis nas novelas. Todas são fãs incondicionais da serpente do Paraíso Perdido, que, em realidade não se perdeu porque nunca existiu. Exceto nos contos bíblicos dos arcontes.

A feminilidade babilônica das brasileirinhas está nas novelas, nas estelas, na dramaturgia, no cinema, principalmente na dramaturgia de Nelson Rodrigues. Vênus atrativas, as brasileirinhas estão bem na rinha dos lençóis.
Elas são educadas provocativas, o incesto é trivial nas relações familiares. É um tabu social apenas na teoria. Além teoria, a prática é outra.

— A desordem emocional no país é o descontrole, disse Miguel, ainda na mesa do Café Les Deux Magots, em Saint-Germain-des-Prés, a resposta de Daniela:

— Na Bíblia Caim casou-se com a irmã. Abraão casou-se com Sara, sua meia-irmã, Ló teve relações incestuosas com suas filhas, Anrão casou-se com sua tia Joquebede.

— Os arcontes criaram uma orientação sexual desordenada.

— Não há um padrão no país, um paradigma moral atual, na mixagem de três raças e suas pulsões sexuais desvairadas, disse Miguel, os marujos nas Caravelas dos descobrimentos traziam crianças do sexo masculino com as quais mantinham relações de intimidade. No Brasil Colônia mantinham os padrões de relacionamento.

— Isso os livros de história não contam. Nem há registro dessa abominação na Carta de Caminha, nos diários de bordo das Caras Velhas europeias. Daniela, levando à boca a xícara de café expresso.  

— A sexualidade entre familiares é cercada de uma conspiração de silêncio. Disse Miguel, ele mesmo fora vitimado pela pedofilia do pai. O pai pedófilo é ignorado pela mãe, essa, não possui iniciativa para coibir a pedofilia do marido, porque ela está cheia de culpa por estar sendo sistematicamente sodomizada. É um deus nos acuda de impetuosidade incestuosa.

— É o deus, pátria e família do esquema político de propaganda do Bozo. A aceitação social dessa barbaridade familiar conduziu cinquenta e oito milhões de eleitores à votação no Bozo.    

— A demonologia dos arcontes ganhou a cristandade nacional. Veja a quantidade impressionante de padres, bispos e quejandos pedófilos nas igrejas e templos evangélicos. A conspiração do silêncio funciona.

A leitura das entrelinhas desta realidade é incrivelmente incômoda para a “elite” nacional, para as classes média e baixa. Por isso há uma conspiração dos burgueses nacionalistas contra a literatura que costuma denunciar as conexões íntimas entre familiares incestuosos e parentes próximos. Nada desta realidade você encontra nos livros de amenidades literárias de Paulo Coelho. Daí ele ser um autor de bestsellers nacionais. E fora do Brasil.


MARTE

MARTE é um posto avançado de entidades narcóticas dos arcontes. Eles são malévolos e ignorantes, servem ao Demiurgo, criador do mundo material. Os arcontes aprisionam as almas humanas na ilusão, na fantasia, na dispersão de suas energias vitais, são carcereiros fanáticos que impedem a ascensão às instâncias superiores da divindade.

MARTE É um deus arconte romano, masculino, chegado à guerra sangrenta, agressivo, vigoroso, possante. Conhecido por Ares na Grécia. A divindade sabina Nerio ou Neriene é a ele associada por seu poder, força vital e coragem. É a esposa de Marte, o casal da energia ativa da destruição pela agressão e a guerra. É um casal que precisa está perto do combate o bastante para, sadicamente, usufruir do sofrimento dos que são feridos de morte nas guerras. Neriene afirma outros modelos de sadismo: o maternal familiar, por exemplo. Ela se faz de mãe amorosa, enquanto detona a Alma Pessoal dos filhos. Um filho homem é para ela um repasto, um festim macabro.

Aldenora foi mãe de muitos filhos. Ela queria que os primeiros fossem todos do sexo feminino. Mas os três primeiros, inclusive Miguel, não satisfizerem suas expectativas. Ele sempre o alvo favorito de seu superlativo sadismo. Miguel sofreu todas as maldades da perversa maternidade dela. Seu marido não desenvolveu a força que ela precisava para ser uma fêmea alfa da espécie. Mas, mesmo assim, ela cresceu em força maternal animalesca. Miguel sempre esteve como sendo o alvo principal de seu suposto sentimento maternal.

Ela puxava o tapete de debaixo de seus pés, de todas as formas possíveis. Mentia, enganava, solapava seus planos de avançar no conhecimento científico que uma universidade poderia, quando jovem, oferecer-lhe. O marido dela era simplesmente uma bananinha. Um sujeito fraco, sem força moral, sem força vital, apegado à profundidade PSI do hipnotismo satanista que o fazia crer nas entidades sombrias da sociedade secreta à qual pertencia.

Em seu escritório, uma enorme caveira, com todos os dentes à mostra, como se nem uma pequena cárie os tivesse afetado, marcava presença sobre sua escrivaninha. Ele dizia a Miguel, que pertencera, a caveira, a um feiticeiro negro de uma tribo africana de um país que não mencionara. Aldenora, sempre que podia, quando ninguém estava por perto, costumava acariciar a caveira enorme, e dizer palavras sussurradas como se estivesse a cultuá-la. Miguel, por vezes a tinha flagrado nesse afazer oculto.

Aldenora se comportava para com a filharada, em número de dez, seis marmanjos e quatro mulheres, uma das quais nem mulher se parecia. Toda a prole, ela fazia questão de dominar, até os mínimos detalhes. A impressão que causava a Miguel era que o casal, ela e o marido, tinham combinado roubar a alma dos filhos, visando apossar-se do tempo deles, no que dizia respeito ao conteúdo de seus cérebros, impedindo o desenvolvimento deles, em seus sentimentos e emoções das quais ela se apossava.

O eletromagnetismo advindo da mente e do corpo dela, os aprisionava. Uma espécie de gravidade em torno da qual giravam as rotinas da ninhada. Os filhos eram como se fossem satélites do planeta materno em torno do qual giravam, cainhavam, enredavam-se e se iludiam com seus instáveis, intensos e falsos carinhos maternos. Ela, a filharada, se permitia enredar e dirigir em direção ao que ela queria para suas vidas. Nenhum deles, exceto Miguel, via e reagia a essa dominação anímica intensa, incontrolável.

A educação era intensamente incestuosa, apesar de que o tabu do incesto é proibição universal, reconhecida entre todas as culturas, em todos os tempos. O tabu do incesto separa a natureza, a carne fraca, da cultura. Ele organiza a sociedade na prática da exogamia, a união entre grupos externos à convivência familiar. Não que fizessem sexo entre si, mas uma emoção incestuosa intensa os conectava entre si. Com uma única restrição, Miguel era alvo de todas a dinâmica psicológica e emocionalmente destrutiva, conhecida como sendo “o bode expiatório familiar”.

Miguel desenvolveu uma arredia distância entre ele e as práticas secretas do Inconsciente Coletivo Familiar. Essas práticas visavam, arbitrariamente, fazê-lo carregar as culpas por todos os problemas e frustrações, falhas e conflitos do sistema corrente de canalização de todo o lixo emocional de seus familiares, funcionando como uma “válvula de escape” para a disfuncionalidade de seus irmãos e pais.

Esta era a guerra dos demônios arcontes incorporados na Alma do Mundo Familiar, contra o membro da família que não aceitava ser personalizado no papel de “cordeiro familiar do sacrifício”.  Na cultura da comercialização de todos e de tudo, na cultura do capitalismo selvagem, vale tudo. O pacto perverso, diabólico da família, incluía Miguelito por vítima, para que todos os demais familiares fossem se encaminhando em suas profissões e em seus redutos familiares acertados nos esquemas transitados entre a família de Aldenora e as demais famílias que a ela se incorporavam.

O narcisismo tóxico dos irmãos de Miguelito, da mãe de Miguelito, do pai de Miguelito, dos parentes intoxicados pelas práticas milenares dos sacrificados pelas famílias, eram por ele, Miguel, rejeitado, ainda que de forma disfarçada, para que não fosse, de uma só vez, por eles definitivamente descartado na vala sórdida do cemitério maldito familiar.

Os demônios arcontes dessa guerra invisível, que nunca é contestada por ninguém, dentro ou fora dos esquemas institucionais da cultura social, política e econômica vigente, esses demônios continuam impunemente a fazer o trabalho de cooptar, prender, aprisionar as almas humanas. E quem mais e melhor os representa é o chamado “povo escolhido”. Escolhido para manter a sociedade dos mumificados, a sociedade dos que herdaram as práticas mágicas, as práticas aceitas pelos contextos históricos dos milenares arcontes e suas prisões planetárias que mantêm a Terra em sua prisão milenar de uma tecnologia que se quer secreta, escondida, ignorada como sendo apenas uma “teoria da conspiração”.


JÚPITER

Pai dos governantes deuses demônios arcontes. Na mitologia grega leva o nome de Zeus. Filho mais novo de Saturno e Reia, irmão e marido de Juno. Netuno e Plutão eram seus irmãos. Juno, rainha dos deuses, com ele governava o Olimpo.  

Governava os elementos da natureza, protetor da justiça e da ordem. Estamos em território simbólico. Associado à lei e à moralidade, para ele, lei e moralidade inexistiam na realidade de seus atos. Assumia diferentes e muitas formas, visando seduzir os mortais e as demais deusas. Júpiter era um grande pilantra enganador de suas vítimas sexuais.

Templos a ele dedicados eram comuns na Roma antiga, ênfase ao Júpiter Optimus Maximus, construído no Monte Capitolino. De abril a novembro, sucediam-se festivais em homenagem a esse demônio arconte poderoso, realizados em sua honra. É associado à expansão, crescimento e sorte, abundância e benevolência, esse arconte, diz o folclore, traz prosperidade aos que estão sob sua influência.

O simbolismo universal nas relações sexuais desse demônio, está em que ele se metamorfoseava de diferentes formas, quando dava em cima de mulheres humanas mortais e deusas. A fila de suas conquistas era enorme.

Era grande a hostilidade entre eles, deuses do Olimpo, assim como é grande a hostilidade entre os deuses do Olimpo político mundial, a exemplo de Trump, O Trambiqueiro, Putim, Xi Jinping, e demais lideranças mundiais.

Zeus foi pai de mais de cem filhos. Legítimo arconte, controlador de bens materiais, das estruturas legais que expandem o poder estatal e religioso, poderes que aprisionam a Alma do Mundo humano a partir do circuito gravitacional dos planetas no plano da eclíptica. Zeus e os demais demônios arcontes, atuam apenas e exclusivamente no plano material, na armadilha da prosperidade e da fé, na criação de dogmas nos Templos, Igrejas e Sinagogas de Hambúrgueres.

Zeus ou Júpiter, e suas metáforas no mundo de hoje, aprisionam a Alma do Mundo na educação convencional, a dominação deles impede a mente humana de se expandir pela Gnose, criando, entre os corpos humanos, uma metáfora da lei da gravitação universal de Isaac Newton.

Os corpos humanos se atraem, não da maneira como os orbes celestes gravitam entre si: Segundo Newton, “a força através da qual os corpos celestes se atraem, é proporcional ao produto de suas massas dividido pelo quadrado da distância entre eles”. É a lei da gravitação universal entre corpos humanos. Duas pessoas também se atraem gravitacionalmente. Duas pessoas que pesem setenta quilos cada uma e estejam a um metro de distância, a força gravitacional entre elas, segundo Newton, é de aproximadamente 3,27 vezes 10^-7 Newtons.  

A realidade, desde a descoberta do cocorote da maçã na cabeça de Newton, é que a gravidade continua sendo um mistério, segundo a física teórica Cláudia de Rham, do Imperial College London. É dela a opinião: “O que gera a gravidade é uma das questões mais fundamentais que existem. Não acho que eu consiga dar uma resposta precisa para isso. O que sabemos, graças a Isaac Newton, é que é uma força que atua à distância, e é um fenômeno de atração entre coisas ou corpos diferentes”.

A força de atração que governa o Sistema Solar, governa também a distância entre os corpos humanos??? Segundo Rham, “isto é extraordinário”.          


SATURNO

Teoria do Adrenocromo: Uma das alegações mais comuns é que essa "elite" de “deuses” governantes da ‘elite” social, . sacrifica crianças para colher um composto químico chamado adrenocromo de seu sangue, acreditando que ele tem propriedades rejuvenescedoras ou psicoativas. Mesmo não havendo suporte científico para o uso de adrenocromo enquanto droga de rejuvenescimento através do canibalismo.

A “elite” mundial esconde tais práticas quando se reúnem em sociedades secretas, tipo Billionaire Boys Club (BBC) nos anos oitenta, no sul da Califórnia, famoso pelo esquema Ponzi que resultou em assassinatos, tornando-se um escândalo notório da Wall Street/Beverly Hills. O filme “Billionaire Boys Clube” de 2018, com Kevin Spacey, retratou essa organização de famílias ricas, também filmadas com realismo documental pela CNN em 2025.

Nos EUA existem muitos clubes e sociedades secretas, o mais notório deles é o Bohemian Grove, próximo à cidade de Monte Rio, norte da Califórnia. Criado em 1872, os sócios bilionários frequentam-no uma vez por ano, por duas semanas sucessivas na cerimônia de nome “Cremação da Preocupação” em frente a uma coruja de 12 metros de altura, feita de concreto e coberta de musgo, em meio â uma floresta de sequoias.

Sobre a dominação da sociedade planetária Terra por rituais secretos, o filme “De Olhos Bem Fechados” de Stanley Kubrick, mostra como os donos dos conglomerados de mídia, os banqueiros, empresários, cientistas, políticos, economistas, se reúnem em rituais de promíscua cumplicidade. Rituais em que as mulheres jovens são submetidas a vexames mórbidos e deletérios, infecção por DSTs, a exemplo do HIV positivo.

Em 2026 estourou o escândalo da Ilha do “dr. Epstein Moreau”, na qual a “elite” financeira, econômica, social, a “high-Society” do poder aquisitivo, do status social elevado, fama e títulos nobres, da Europa, Oriente Médio, Ásia e Estados Unidos se unem e se reúnem para suas mórbidas confraternizações onde, segundo afirmam jornalistas que conseguiram se infiltrar nessas ocasiões no culto à Coruja no Bohemian Grove, são servidos ensopados de corpos recém-nascidos, membros levemente assados, miúdos de placenta para os que têm placentofagia, pratos da culinária antropofágica da “elite”, que serve de renovação das células tronco dos convivas e para, supostamente, esticar os ânus de suas vidas. A teoria da conspiração conspira contra ela, “elite”. Afinal de contas, Matusalém, Jarede, Noé, Adão, Sete, Enos, Lameque, Moisés e quejando, viveram perto de mil ânus.

Canibalismo das “elites” na atualidade do século XXI. Os recém-nascidos são servidos conforme as qualidades bioquímicas que têm a oferecer de recursos que sejam aproveitados, ou colhidos, de seus pequenos e indefesos corpos. A “elite” segue a metáfora do demônio arconte Saturno, que devorava os corpos dos filhos recém-nascidos com medo de que algum deles pudesse tomar seu lugar.

É a lei da antropofagia entre gerações se afirmando. A lei da negação da negação. Uma geração, pelo simples fato de nascer da geração anterior, afirma-se em uma nova configuração mais atual, mais evoluída. O medo saturnal de perder a preponderância na suprema ordem dos demônios patriarcais, é o medo dos pais de serem relegados enquanto lixo humano com relação ao processo evolutivo, mas redivido, no nascimento dos filhos. Estes, nasceram, teoricamente mais inteligentes, com mais recursos naturais de sobrevivência e novas características naturais vantajosas, mais adequados a tomar o lugar dos pais, sem que estes possam se preservar da seleção natural da nova geração que os descarta.

A pedofilia e a sodomia de adultos com relação às crianças e adolescentes, é uma estratégia das gerações anteriores para tirar das novas gerações a autoestima, o autocontrole, a dignidade existencial, o brio, a honra, o pundonor, a autonomia.


O canto assustado e desesperado do cantor Freddy Mercury, talvez diga alguma coisa a este propósito. Vejamos a letra da canção Bohemian Rapsody, numa tradução realmente livre:

— “Isso é vida real/Isso é só fantasia/Preso nesse definhamento/Não há como fugir desta realidade/Abra seus olhos/Olhe e veja/Sou um pobre garoto/Não preciso de compaixão/Eu venho fácil, eu vou fácil/Um pouco alto, um pouco baixo/no caminho que o vento sopra...”.

— “Realmente não importa/Mama, acabei de matar em mim, um homem/A arma na cabeça dele/Puxei o gatilho/Agora estou morto/Mama, a vida tinha acabado de começar/Acabou, jogos do tudo fora/Mama, não tentei fazê-la chorar/Não estarei de volta amanhã/Vá em frente, siga em frente/Nada realmente importa...”.

— “Tudo é tarde demais/Arrepios descem em minha espinha/Tudo dói o tempo todo/Adeus a todos/Tenho de ir, vocês ficaram atrás/Eu encarei minha verdade/Mama, eu não quero morrer/Desejo nunca tivesse nascido/O homem, o Bozo, o Palhaço, Palhaço/Você dança no caos da anarquia/Entre raios e relâmpagos/Estou muito assustado/Muito, muito, muito/Galileo! Galileo! /Figaro, Figaro, magnífico...”.

— “Ninguém pode poupar minha vida/Poupar-me destes horrores/Desta monstruosidade/Venho fácil, vou fácil/Não podem me impedir de ir/— “Em nome de deus/Também nós queremos ir/Ir para onde???/Nós nos aceitaremos ir/Não, nunc nos permitiremos ir/Oh Mama, Mama mia...”.

— “O inferno tem um demônio/Reservado para mim/Belzebu, Mammon, Oh Mammon mia/Você me apedrejou e cuspiu no meu olho/Você pensou em me amar, mas me liberou para morrer/Ah sim, sim/Nada realmente importa/Nada importa para mim/Neste qualquer caminho/Qualquer caminho que o vento sopre”.


URANO

URANO simula a ruptura de antigos padrões e velhos paradigmas. Age divergente de Saturno. Este, representa a rigidez radical d prisão material dos padrões estabelecidos pelos arcontes irrelevantes e medíocres. Estes, fazem as coisas de qualquer jeito, menos do jeito certo.

URANO é a representação dos políticos que fingem estar do lado certo das razões e motivações da sociedade, quando, realmente, tiram vantagens do movimento hipócrita, dissimulado, dos Tartufos das plenários da Câmara e do Senado. Eles fingem a defesa dos direitos do povo trabalhador, mas estão sempre do lado do levar vantagem, do lado dos penduricalhos.

O sistema astral dos demônios arcontes, corresponde, de modo geral, ao sistema político, financeiro, econômico e social que mantém a sociedade humana atrelada, presa, a seus encargos e condições impostas pela tradição, da pátria, da família e da liberdade que exercem para manter as coisas mudando na aparência, mas, na real, quanto mais as coisas mudam, mais as coisas permanecem iguais.

Os paradigmas que regem a política dos conservadores baseiam-se na premissa de que a corrupção não é apenas um crime financeiro, mas uma degradação moral e institucional aceita. Aceita abertamente, pelas mentes condicionadas que minam os avanços sociais, puxando o tapete de sob os pés das novas gerações. Estas, se mantêm com todas as características que antecederam a geração de seus pais, a geração de seus avós, as gerações que os antecederam na história de suas mazelas sociais.

Assim como os planetas representam o poder dos demônios arcontes que giram em torno do sol, em seus movimentos de rotação e translação, os políticos e seus apoiadores banqueiros, religiosos e empresários, principalmente, estão condicionados ao movimento das instituições sociais que mantém a realidade como ela é. Alguns deles talvez até queiram que as coisas mudem, mas a força do Inconsciente Coletivo Planetário dos arcontes, sob comando, comunicação e controle do Demiurgo que criou o mundo material mais antigo do Adão-Cadmo.

Seu objetivo satanista: tornar a população da Terra um planeta de andróginos. Andróginos sombrios, que vivem na sombra de seu próprio Inconsciente Coletivo Astral. Suas faces lembram bestas idiotizadas pelas influências dos senhores do mundo de antigamente, atualizados de geração em geração, governantes sombrios e seus subordinados. Eles vivem de mentiras e aparências, reforçam a natureza caótica e antinatural, distanciada dos planos do Criador, acima, muito acima dos Conhecimentos do demiurgo.

O demiurgo se julga um ser superior, quando não passa de um ignorante que conspira, orgulhoso de seu saber limitado, e “se acha” deus todo poderoso criador da matéria distanciada do Conhecimento mais abrangente, espiritualizado. Ele não se alimenta da fonte de luz eterna, ele, demiurgo e seus arcontes, alimenta-se do pó, da matéria que ambiciona a necrópole.

Quando o masculino emanou o feminino em entidade separada, aconteceu o aprisionamento na matéria operando em escalas diferentes. O pleroma, o todo, a plenitude, o homem, a mulher, não mais se reconheceram enquanto seres sagrados, consagrados pelo Criador que está acima, muito acima, do Conhecimento do demiurgo que se crê deus criador e seus arcontes, que estão aprisionados no mundo da matéria.

A serpente dos seres advindos da Constelação do Serpentário, distanciou-se completamente da vontade de Conhecimento. Mergulhou no universo adâmico da Alma do Mundo da carne, da sexualidade desvinculada do pensamento espiritualizado. Urano representa a simulação de plenitude, quando em verdade em verdade, ele simboliza a identificação com a coisificação dos seres humanos em mercadorias.

Veja-se as elites dos principais países do mundo envolvidas em canibalismo da própria espécie, refestelando-se com as vísceras dos corpos de recém-nascidos, em busca de energia potencializada e vida longa na prática de pedofilia na prática de calamidades a prestações, como diria Oswald de Andrade, “só a antropofagia nos une”.

A união pela antropofagia enquanto vivência do tempo que passa rápido, tão rápido, que as pessoas não têm tempo de saber o que significou vivenciar a simbologia do dia de ontem. O Tempo, seu antropófago que devora o que nelas, pessoas, nem sequer teve oportunidade de ser longinquamente assimilado. O universo está ganhando velocidade ao expandir-se muito mais rápido todos os dias. O PSIquismo lento não acompanha a velocidade do Tempo em expansão.


NETUNO

No oceano profundo do Inconsciente, Netuno promove a baixa vibração de seu tridente. A liderança do povo que sobrevive nas profundezas dos mares terrenos, sob o poder venenoso de seus sobreviventes, na profundidade desprovida de luz, no plenário dos representantes de seus habitantes, grassa a graça gordurosa do Ego coletivo. Nele, Netuno reina sobre as lavras, na sombra das almas perdidas que renunciaram às próprias vidas para beneficiar seus carrascos na vitrine, Matriz, da Câmara e do Senado.

O povaréu não sabe como fazer valer suas fantasias de poder dotar, a sociedade, da responsabilidade de educar de modo saudável seus descendentes e a ele mesmos. O plenário do Congresso inimigo do povo, é versado na simbologia pagã do sacrifício em massa, de muitos, para o conforto excessivo de poucos. Como sair dessa sinuca de bico??? O povo não sabe, mas seus representantes lambem os beiços no comensal de crianças pelos parasitas do Congresso Inimigo do Povo.

O povo mergulha na desordem PSÍquica, na desintegração da realidade. O Inconsciente, pessoal e coletivo, está prisioneiro dos governantes arcontes, na prisão rotativa dos planetas, a Terra gira na gravidade do poder pelo poder de seus representantes. Representantes apenas deles mesmos, de suas mordomias institucionais. Os salários de milhares de reais se afirmam sobre os trocados dos que pagam para trabalhar em troca da simples sobrevivência, no mercado das incoerências.

Na fronteira do ter muito, demais, nos salários e mordomias monumentais, que separam o plenário do Congresso Inimigo do Povo, do próprio povo, Netuno ameaça, com as baixas vibrações de seu tridente, a sobrevivência dos carentes de tudo. Estes, prisioneiros das Arcádias, não podem fazer nada para mudar a ordem desordenada, o paradigma cultural que mantém os privilégios dos governantes arcontes que defendiam a continuidade afetada da realidade de barro, Barroca.

Os prisioneiros dessa ordem desordenada, sentem-se no século XVIII quando a literatura, no contexto do Neoclassicismo (Arcadismo) buscava combater o estilo rebuscado. Estilo esse que gerou os discursos atuais dos malucos safados no plenário da Câmara e do Senado, que defendem o Barroco nos discursos de direita para salvar políticos e anistiar golpistas.  

O cultismo ornamental, discursivo, sinuoso e obscuro das figuras de linguagem que adoçam o linguajar bufão do Centrão, advindo de seus interesses, metáforas e hipérboles, chamando para si os mais espúrios retrocessos. A volta da redundância, do artificialismo, do conteúdo pernóstico, interesseiro. O retorno do pessimismo e do rancor característicos do Gabinete do Ódio da parentela da familícia Bozo.

A efemeridade da idade do ouro Barroco da nocividade política, a preponderância discursiva da forma ignorante do conteúdo. O rancor dos indivíduos contra as mais simples e humildes conquistas dos defensores dos direitos do povo. O Centrão Barroco, desconfiado e rancoroso, o Centrão do conflito entre seus próprios e redundantes interesses contra os interesses dos eleitores que deveria representar.

O arconte Netuno, seu tridente político das profundezas, o demônio interesseiro, obscuro da política grotesca das distorções que refletem o egoísmo salarial e suas mordomias de gabinete. A desvalorização da simetria e da harmonia que deveria sempre haver entre o exercício do poder público, político, e os interesses daqueles que os elegeram.

Os demônios arcontes criaram a matéria grotesca, vaidosa de suas conquistas, destorcida em suas coletivas intenções funestas, aprisionaram o espírito coletivo nas dualidades das tensões, nas emoções dos corredores atrás de “bola” nos Coliseus dos futebóis. Tudo para manter as tensões da sociedade barroca, suas dualidades interessadas em fazer valer o entretenimento Tv visível do mais baixo nível cansativo, frustrante, delirante do desequilíbrio cultural coletivo.

A teatralidade excessiva, mórbida, dos parlamentares tipo Chupetinha e pastores evangélicos da musicalidade das dores de cotovelo sertanejas, que ganham milhões para dividir com os políticos de shows superfaturados para plateias que não sabem que estão em plenária vigência mumificada, envelhecida, ignorante da própria idade simbólica, cronológica. A energia coletiva de dispersão de si mesma. O autoconsumo inconsciente da autodigestão celular, quando o organismo degradado seus próprios componentes, seus neurônios e sinapses danificados para nutrir o sentido figurado da própria falta de educação e cultura.

As plateias da musicalidade sertaneja não se dão conta do auto da destrutividade de suas potencialidades. Elas se nutrem da própria ruína. Devoram-se a si mesmas. Envelhecidas, precocemente disfuncionais. Acreditam que vivem a idade cronológica quando, realmente, vivem os esqueletos que não se veem nos espelhos. Como diria, repetindo Oswald de Andrade, a única coisa que as une é a antropofagia do que ouvem, não do que houve. Comem-se a si mesmas na musicalidade de amores perdidos, de sofrências de puteiros, nas dores de cotovelo faceiras, 24 x 48, onde as aves penosas dormem e descansam.            

O arconte Netuno vibra seu Tridente diariamente. As baixas vibrações de seu Tridente fazem suas vítimas se emocionarem da forma mais inconsciente. Forma na qual são usadas e abusadas, para que violeiros sertanejos façam o pé de meia na compra de suas fazendas de gado, a plateia a mugir no cercadinho de emoções que respondem a estímulos externos e a interações sociais do pau de galinheiro.



AS MITOLOGIAS DOS RAIMUNDOS

Versam sobre a mesma coisa todas as mitologias do mundo. São bilhões de Raimundos e Raimundas com seus espíritos imundos e imundas, prisioneiros em seus corpos, com seus órgãos internos e seus cérebros emanando a mesma energia mítica dos condenados a viver isolados da compreensão do mundo uns dos outros. A região das trevas eternas está no interior da Alma do Mundo. Raimundos e Raimundas nunca se reconciliam com o demiurgo criador do mundo material em que vivem. Eles são ele, o demiurgo, eles, inconscientemente, são paus mandados dele, demiurgo.

A dissonância cognitiva, o desconforto PSI, a ansiedade por valores em conflito que não param de se confrontar. A raposa não alcança as uvas, por isso cria, na mente, a certeza de que estão verdes, porque não pode alcançá-las. R&R nunca podem alcançar as uvas da reconciliação com seu demiurgo e seus arcontes ou demônios menores que, em suas mentes convivem eternamente. Todos fazem parte do mesmo inferno. “O inferno são os outros”, tal qual afirmou o filósofo Sartre.

Miguel e Daniela sabem que nunca se sentirão confortáveis consigo mesmos, as feridas em suas almas são profundas demais. Sentem-se escravos de forças tais que os criaram. O bózon de Higgs estrutura o padrão no “Campo de Higgs” de que é feito o universo. Um padrão sempre desconhecido em sua inteiresa. O conflito e o desconforto são eternos. São parte deste lugar dantesco em que suas almas e a “Alma do Mundo” se debatem. A eternidade é feita das partículas que ainda não foram descobertas. Mas agem em você.

O modelo padrão da física moderna de partículas, mapeou 17 delas (quarks, elétrons, bóson de Higgs, férmions, os blocos de construção da matéria). As partículas descobertas não conseguem saber ou dizer, explicar, 95% do universo. A matéria escura, a energia escura. Seus componentes invisíveis são mistério. Os circuitos impressos do cérebro humano compõem parte da sinfonia de um computador quântico, ao qual não tem acesso a atual ciência.

Daniela e Miguelito são parte da experiência vivida na “névoa verde”. Os circuitos internos de seus cérebros não podem criar um caminho confiável de compreensão da complexidade extraordinária, ainda desconhecida, do cérebro. Os pensamentos, através da fraca corrente elétrica de uma eletrônica mental muito limitada, não conseguem se manter plugados na intensidade necessária no córtex frontal nas redes neurais das sinapses que se organizam em padrões fractais (FractalNet).

Os R&R são modelos de Inteligência Artificial sem complexidade recursiva de estrutura autossimilar, criada ou projetada na geometria fractal mais simples, encontrada na natureza. Divergem das redes profundas que agem em camadas sequenciais de expansão mais complexas.

A IA de R&R não os permite aprender padrões em múltiplas escalas, simultaneamente. As regras de expansão simples não servem aos múltiplos caminhos paralelos de diferentes amplitude e profundidade. Ou seja: os pequenos blocos, os “FractalBlocks” que se repetem, são versões muito reduzidas da estrutura geral, não têm acesso às redes recursivas mais complexas de eficiência compartilhada.

As mentes do casal Miguelito e Daniela se esforçam por sair além dos limites da caixinha em que estão aprisionados pelos poderosos demônios arcontes que criaram o universo material. A espiritualidade que nessas caixinhas mentais se manifesta nas criaturas aprisionadas pelos arcontes, demônios que dela se aproveita para escravizar os bilhões de R&R no universo solar da gravidade terrena, ou força de atração planetária da Terra escravizada por uma espiritualidade de pau de galinheiro. Por uma espiritualidade sodomizada pelo “povo escolhido” para mantê-la girando nessa arquitetura da anima mundi, da alma abatida, danada, desprovida de senso e julgamento.

O casal estava numa das mesas do Café Vaticano, localizado em frente à saída dos Museus do Vaticano, ambos saboreavam o café expresso cannoli. Daniela saboreava com brioches, Miguel, com um lanche rápido. Ela comentou a argumentação de Miguelito:

— Tudo e todas as coisas são simulações destinadas a acontecer no interior de nossas mentes. Todas as coisas e tudo o mais, são entretenimentos para as redes neurais que fazem funcionar os padrões fractais. Eles mantêm a humanidade prisioneira dos arcontes, do modelo de inteligência recursiva e auto similar. Utilizam padrões simples, nas redes complexas dos caminhos neuronais paralelos, em diferentes estágios e profundidades. Miguelito ouviu e falou do argumento dela:

— Esses padrões se espelham no mundo da autossimilaridade. Não são caóticos. São ordenados pela natureza, da qual falou Baruch Espinosa. Padrões presentes na natureza dos brócolis, dos litorais, das nuvens, A única substância que se manifesta em infinitas formas. Não há um Deus criador externo. O pensar e a criatividade são extensões de seus atributos.

Daniela complementou:

— Esses padrões podem ser aprendidos ao acessarmos a “ResNet”, esta permite o aprendizado profundo...

— O “deep learning”.

— A visão neural computacional do Inconsciente Coletivo Universal. Você pode acessar as demais mentes humanas... E até as engrenagens cibernéticas computacionais, que se equiparam ao HD de um computador digital tipo Hall de 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968). Seus processos mecânicos de processamento de informações (processar, raciocinar, decidir) são similares aos do processamento de um computador digital, a mente humana. Miguel, após alguns nano segundos de reflexão, disse:

— Esta similaridade levou Hall ao limite do computador humano: o querer se afirmar sobre os demais seres de sua espécie, e da espécie que o criou, os humanos, de forma a submetê-los a seus paradigmas de dominação. A humanidade de hoje, 2026 do século XXI, está à espera de um super louco que promova a dominação definitiva de toda a espécie Homo sapiens. O Anticristo é esperado por todos os poderosos do mundo.

— Trump, o Trambiqueiro maluco, está a se posicionar enquanto um candidato ao Anticristo. Não cansa de meter os pés pelas mãos, tanto na política interna quanto na política externa. Ele não desiste de se ridicularizar, como se estivesse dizendo ao mundo que é Superman chegou. Que o Superman está regendo os EUA, direto da Casa Grande e Branca.

— Ele comanda as hierarquias do poder pelo poder, as hierarquias da dominação, das legiões de militares da obediência cega, dos guerreiros das hostes armadas do barro. A camada carnal dos insolentes, dos inconsequentes, dos que não ousam nunca ser eles mesmos e saber o que é certo ou incerto, o que é errado ou direito. São escravos do Trump Camaleão.
—   O sol invisível da natureza espiritual não brilha em seus corações e mentes. O princípio da vida cega e ininteligente rege a maldição dessa semente sem razão inteligente, sem sensibilidade própria da própria espécie.




AS CENTÚRIAS NESTAS PÁGINAS

O grande circuito planetário se mantém no giro da mútua gravidade. O planeta Terra, prisioneiro da periferia sideral dos deuses malditos, carrega o Homo sapiens criado macho e fêmea, O Homem do capítulo I do Gênese. Não quer dizer que seja bissexuado à imagem de um deus metade Homem, metade pederasta. Os deuses pederastas fizeram os homens à sua imagem e semelhança. Não se equivalem ao Deus criado Homem do Novo Testamento.


O Homem do Novo Testamento guarda em si os arquétipos do Inconsciente Coletivo teorizado por Carl Jung, mas não permite ser guiado por eles. A imagem da mulher interior no nicho masculino adequado à criatividade, aos superpoderes de Cristo, não extrapola a sensibilidade masculina em seus relacionamentos. O Código Da Vince mostra o sagrado feminino manifesto no Homem, sem que este esteja emasculado de seus caracteres masculinos.

A Ânima não subtrai a virilidade e o vigor masculino, ao personificar nele, Homem do Novo Testamento, a emoção, a intuição, a conexão com seus aspectos femininos presentes na psique masculina.

A manifestação da Ânima no Homem do Novo Testamento, Jesus Cristo, não torna efeminado o Cristo dos Evangelhos. O Homem do Novo Testamento não é hipócrita, debilitado ou passivo. Ao contrário, Cristo é apto ao uso dos superpoderes críticos do cristianismo, em contraponto aos poderes sombrios, obscuros, tenebrosos, dos sacerdotes do Sinédrio, conselho legislativo ou tribunal supremo da antiga Israel, até hoje preservados.

Os anciões do Sinédrio, setenta e um líderes religiosos, seu sumo sacerdote, ditavam as leis judaicas e exerciam funções judiciais sob o domínio romano. Jerusalém se tornou um mito do “povo escolhido” para assassinar Jesus          
Cristo com a conivência forçada do império romano. Judeus e romanos se uniram para suprimir a energia divina advinda do amor de Cristo. Energia sagrada, vitalizada, que conectava os cristãos primitivos.

Os hipócritas “terrivelmente evangélicos”, sempre vão existir. Sediados em Israel, em Jerusalém e no mundo todo. São pessoas que não venceram o império romano dentro de suas almas eternamente culpadas. Esses cristãos não chegam a ver a porta estreita da salvação. Se não a veem, como poderiam por ela passar???

Esses cristãos de mentirinha afirmam as igrejas e templos evangélicos, sem que tenham consciência de que estão a fazer o jogo mais antigo e mais fácil, ao seguir a demagogia do Bozo, ao se permitirem hipnotizar pela coincidência do sobrenome Messias. Eles não veem, não ouvem, não sentem, não respiram o ar, o mesmo ar que entrava nos pulmões e chegava ao cérebro, ao sentimento que uniu JC às multidões que ouviam e viam e meditavam suas palavras seu Sermão da Montanha.

Tudo e todas as coisas que JC ensinou foi sistematicamente negado pela gestão do Bozo e de seus familiares, quando negaceavam seus ensinamentos a partir do Gabinete do Ódio em Brasília. Bozo disse, afirmou, repetiu, clamou “eu amo Trump, ele sabe disto”. Como pode um cristão amar ao mesmo tempo Jesus Cristo e o Trump Trambiqueiro???

“A Deus o que é de Deus, a César o que é de César”.

Esse tipo de cristão que votou no Bozo, não sabe, nem de longe, interpretar os ensinamentos bíblicos do Novo Testamento. Eles nem sequer desconfiam que estão, há milênios, presos na prisão sideral dos arcontes, demônios que regem o movimento gravitacional dos planetas do sistema solar de quinta grandeza, no qual a Terra está inserida. Esses cristãos de araque, nem sequer desconfiam, de longe, que estão sendo controlados pela ferocidade mítica e maligna do que se convencionou denominar de “povo escolhido”.

Esse “povo escolhido” nem de longe desconfia que foi criado e mantido no solar megalomaníaco de suas mentes, por circunstâncias históricas e míticas que atenuavam a realidade sórdida, escravagista, na qual foram habituados a viver e a nela acreditar, por nada menos de quatrocentos anos sob a chibata dos faraós e deuses egípcios.

Os vexames, a sodomização, a crueldade à qual foram submetidos por quatro séculos, era atenuada pela crença de um deus ao qual sempre desconheceram as intenções por detrás do benevolente maná que do alto caía sobre suas cabeças e estômagos necessitados de alimento. O “povo escolhido” defecava nas areias do deserto uns à vista de todos. Comiam a comida jogada do alto da nave que lhes acompanhava a jornada de quatro décadas por sobre o areal.

A vivência da humilhação era tão real, que nunca ficaram sabendo que o deus arconte, o demônio que os manteve vivo com maná, sonhos, pesadelos e promessas, ainda, tanto tempo depois, é o mesmo que os mantêm atrelados ao Muro das Lamentações e às suas Sinagogas de Hambúrgueres.

A realidade de sua mitologia, a Arca da Aliança, a passagem pelo caminho aberto no mar quando da perseguição do exército do Faraó, as pragas que induziram, supostamente, o Faraó a permitir que partissem e não mais estivessem sob a dominação do trabalho escravo, a derrocada do Muro de Jericó, a “gloriosa” jornada até a Terra Prometida... Nada os impediu de, quando habitantes de Sodoma, no Vale de Sidin, terem tentado sodomizar os anjos enviados para libertar a família de Ló.

O que aconteceu ontem no Iraque, o que acontece hoje, nos dias de março de 2026??? O “povo escolhido” continua escolhendo mentiras para justificar o ataque ao Irã, o assalto ao povo iraquiano, sob o pretexto de que tinham armas químicas que seriam usadas e causariam grandes catástrofes aos escolhidos do deus arconte, um megalomaníaco que se julga deus, acima do Criador ao qual não se pode comparar.

O arconte ignorante, deus do mundo material das mentiras rituais, dos sacrifícios rituais de crianças do seu e de outros povos..., os espíritos de anjos demônios que foram exorcizados e lançados em porcos que se atiraram no abismo, estão presentes na Ilha de Epstein, o dr. Moreau, amigo do peito de Trump e de membros da família real britânica, e da “elite” de vários países que a frequentavam no intento de sodomizar e se refestelarem com o corpo de meninas, quem sabe também de meninos.

A “elite” pedófila dos tempos modernos dos celulares que são, na real, a escola e a universidade das novas gerações da ambiguidade, da banalidade do entretenimento. As cidades estão inviabilizadas, invadidas pelo exemplo da ratazana de “elite” mundial. A Ilha do dr. Moreau de Epstein e Trump, e do príncipe William, e de todos os risonhos frequentadores o canibalismo de recém-nascidos para que tenham, supostamente, mais saúde e longevidade.

Que podem fazer os humanos, com todas as suas ameaças atômicas, para sair da prisão sideral dos poderosos deuses arcontes, deuses malditos??? Que fazem os humanos poderosos dos EUA e de seu Estado puxadinho no Oriente Médio, senão imitá-los??? Imitá-los em seu poder, seu domínio, sua maldade, sua malignidade??? Que podem os seres humanos contra a ferocidade maligna do “povo escolhido” pelos arcontes para subjugar, explorar política, financeira, econômica e amoralmente os outros povos???

A Alma do Mundo está presente nas Sinagogas de Hambúrgueres, nas armas atômicas dessa bandidagem bilionária universalizada, no poder bélico por ela acumulado, nos rituais secretos que têm a Coruja de doze metros, ave carnívora de rapina, noturna, da ordem Strigformes, conhecida como rainha das trevas, rainha da noite. Ave predadora de voo silencioso, encontrada em todos os lugares do mundo Cão, materializado pela cultura universal dos deuses malditos, os arcontes.

Que pode o ser humano contra os deuses malditos que regem os pastores “terrivelmente evangélicos”, que nada têm dos Evangelhos de Cristo. Que podem os seres humanos contra as potestades e seus malditos afazeres domésticos??? Que podem os seres humanos contra os canibais escolhidos para se banquetearem com cardápios e menu que oferecem em repasto e sacrifício o corpo inocente dos recém-nascidos???

Que podem os seres humanos humanizados pelos ensinamentos do Novo Testamento, contra o cardápio dos restaurantes, dos mestres-cucas antropofágicos, familiarizados pelas delícias culinárias que vão sair pelo cu??? Que podem eles contra os mestres-cucas dos Sinédrios de Brasília, seus bancos Master, dos Vorcaros, do Congresso Inimigo do Povo, seu ministro “terrivelmente evangélico”???

Que podem os seres humanos contra os carcereiros, arcontes siderais do sistema solar, regidos pela gravidade nas rotas elípticas dos planetas??? Que podem os seres humanos contra os fervorosos adeptos “terrivelmente evangélicos”, dos evangelhos de Moloch, Epstein e do Bohemian Grove???

— Este mundo reside no Maligno, disse Daniela.

— O que podemos fazer para nos libertar da prisão sideral dos demônios arcontes??? Ficaremos passivos prisioneiros??? O feedback pensativo de Miguelito continuou:

— Somos híbridos de anjos caídos e carne humana. Somos desprezíveis por definição, somos uma ordem inferior de seres.

— Humanos, murmurou Daniela. Todos os dias urinamos e defecamos sobre os túmulos, nas necrópoles edificadas das Torres Gêmeas.

— Todos os dias somos confrontados pelos horrores do sonho americano. Habitamos cidades que são túmulos ambulantes. Fantasmas semoventes caminhando nas ruas, acelerando motos e carros. Somos esqueletos sob a carne de espécies híbridas que não mais existem, senão em nós mesmos.

— A busca por espiritualidade é apenas uma alegoria, no dizer de Daniela. A névoa verde mudou minha percepção em direção às figuras ornamentais dos fantasmas que desfilam nos enredos das escolas de samba.

— E se excitam com chutadores de “bolas”.

— Como se fôssemos o que somos: representações de formas, ideias, pensamentos, ornamentos de carne do carnaval que vivenciam a Quarta-Feira de Cinzas por todo o resto do ano, fantasiados de crentes da Arca.


                                                                                                                            FIM
DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 27/02/2026
Alterado em 07/03/2026
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