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A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE (REVELA AÇÕES) — XXXV —
A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE
(REVELA AÇÕES) — XXXV —

O BRASIL precisa parar de ser uma grande manada de cornos mansos. Precisa respeitar suas mulheres, suas crianças, seus estudos, sua educação, seus investimentos sociais, suas minorias há tanto tempo humilhadas e empobrecidas para que os políticos do Palácio Centrão do Planalto enriqueçam ilicitamente em conchavos partidários das gangues parlamentares geridas por personagens que, no Maranhão são conhecidas por qualiras. Ou tocadores efeminados de liras.

NÃO FALTAM nas capitais do nordeste brasileiro, famílias e mais famílias prisioneiras da insanidade de madonas, mandonas, Mãezonas. Empoderadas pela gravidez e o casamento, elas comandam o direcionamento incongruente dos filhos, por vezes ignorando completamente suas mais lídimas reivindicações. Elas, grande parte das vezes, se concentram em ensinar, assim como nas escolas e universidades, onde encontrar o Horizonte de eventos do ter.

ELAS, MÃEZONAS, são, mais das vezes, educadas para conseguir dobrar os joelhos na intimidade do quarto. Ser submissas ao Ter. Quanto mais tem o marido, mais elas aparecem na coluna social e desfilam com as roupas da moda e o carro do ano. Querem aparecer a comprar carrinhos cheios de mercadorias no supermercado. E mais não desejam que não seja expor-se nos restaurantes favoritos do exibicionismo social.

AS MADONAS das classes médias proletarizadas pela dominação dos políticos supremacistas, querem exibir suas bundas em crescimento gorduroso, nas festas de aniversário, n os aniversários de casamento, nos noivados da filhinha com os chefetes e chefões do tráfico de influências nas Cortes palacianas dos palácios de governanças.

ELAS, MÃEZONAS, nunca param para ler um livro ou pensar na diferença que há entre Ter e Ser. Elas não têm, nem nunca terão, nem uma nem outra coisa. Isto porque, se não têm plena consciência de que não possuem controle sobre sua filiação, também não têm consciência de que, se esse controle tivesse, seus filhos e filhas não estariam no caminho da idiotização mútua. Não estariam a alimentar conversa sobre as personagens de jogos onde pontificam a violência e o heroísmo degenerado de personagens armados a perseguir bandidos como se eles fossem os mocinhos de uma sociedade criminosa e virulenta.                                      


A FAMÍLIA nacional está, pelo menos um século atrasada na formação educacional de si própria. E se não têm, seus tutores, essa formação formal, como poderiam ensiná-la aos filhos???A juventude vive para se diluir na formatação de um caráter estruturado na instrução educacional televisiva: futebol, dança dos famosos, cantorias de calouros, nos noticiários que são vistos como se fossem parte da programação do entretenimento novelesco ou de programas disseminadores de molecagens de segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo.

AQUELA COISA que eu deveria considerar minha mãe, nunca ouvia minhas súplicas e rogativas no sentido de que eu precisava dela e do marido dela, para fazer crescer minhas potencialidades espirituais, intelectuais, emocionais. Ela era uma negacionista fanática de meus recursos naturais: meus textos literários influenciados pelas centenas de HQs que eu lia no decorrer dos meses e que seriam vitais para a formação de meu imaginário de criança, jovem, adulto. Os clássicos da literatura eu li nos quadrinhos e livros da biblioteca de Paizão Coisinha.

MAS O CASAL não tinha olhos para ver que bastava muito pouco investimento para me tornar um profissional promissor em qualquer curso de formação de curso universitário. Eles não queriam, de jeito nenhum, que eu rivalizasse com eles. Eu teria, se cursasse uma faculdade ainda jovem, as ferramentas para crescer. E eles não queriam que eu crescesse. Lembro que Mãezona me fazia ir para o colégio calçando botas abaixo do que seria a numeração adequada a meus pés.

— Mãe, essa botina está muito apertada em meus pés. Eu mostrava que meus dedos, por vezes sangravam no apertado do bico do calçado. Ou o calcanhar vermelho e inchado de roçar na parte anterior do pé.
— Aguente mais um pouco. No momento seu pai não tem condições de comprar nada para nenhum de vocês. Na real, eu não via outros irmãos ou irmãs a reclamar de vestirem roupas abaixo da numeração adequada a seus manequins.

ELA TALVEZ estivesse motivada a me moldar segundo os padrões de moldagem com que fazia as bonecas e bonecos, princesas e príncipes, reis e rainhas em seu ateliê de vodu. A espátula quente formatava a sujeição plástica das bonecas e bonecos que ela manipulava por horas e horas, dias e dias. Para depois vestir e calçar cada um e todos eles segundo os ajustes de sua imaginação destorcida. É possível que pensasse em fazer a mesma moldagem com seus filhos e filhas.

QUANDO em idade adulta, eu voltava para esse abrigo, esse larbirinto, após grandes períodos de estudo e trabalho cansativos, longe da fonte do negacionismo familiar de meus direitos, era recebido com grande frieza e distância. Para mim sempre um pouco, mínimo de nada e coisa nenhuma. Para os outros irmãos e irmãzinhas, mesadas e ajudas dez vezes mais substanciais que as ninharias que por vezes eu conseguia deles.

— Meu filho, seu pai não têm condições de lhe ajudar em nada. Seu irmão Fulano passou num vestibular na Universidade Rural do RJ, ele está ajudando sua irmã Sicrana, para quem ele comprou um apartamento com a Teresa Crisitina. Ela precisa de um lugar para criar as três filhas Fulana, Sicrana e Beltrana. Seu pai está ajudando seu irmão, o Coisinha Júnior, na compra de um terreno e na construção de uma casinha nele.

VERDADE É que Coisnha Júnior, o irmão mais novo, estava deitando e rolando no se apossar do salário de aposentado dele, Paizão. Com esse salário, Coisinha Júnior comprou carro, fez melhoramentos no terreno comprado para ele por Paizão, e terminou por se apossar de vez do salário dele, negando-lhe o repasse de quantias mínimas, alegando que Paizão não precisava de nada porque tinha tudo em casa.

ERA MUITO ruim ver aquele sujeito idoso, com aparência atormentada, alquebrado pelo trabalho escravo e por um baú pesado de culpas, para criar as crias anuais de Mãezona, mendigar de Coisinha Júnior, tanto tempo depois, vinte míseros reais de seu próprio salário, para despesas aleatórias, ter como resposta:

— Você não precisa de nada, não precisa de dinheiro em mão. Eu faço o supermercado com a Dulcinha ou com a mãe, compro tudo que a casa precisa. Não queira ter dinheiro em mão... Os argumentos de Coisinha Júnior eram os mais sem vergonhas. Mas, infelizmente Paizão havia perdido qualquer mínima influência com qualquer dos filhos. Afinal ele havia investido nisso: na falta própria de força moral. Por menor que fosse.

EU FICAVA vendo Mãezona bem do lado do marido humilhado pela negação do Júnior. Ela não tomava partido. Temia que o Coisinha Júnior que vivia ameaçando suicidar-se, se voltasse contra ela. Ou talvez a matasse. Ela que havia, quando ele ainda estava sendo gestado, agredido o feto em formação, com palavras de baixo calão dizendo que não o abortava porque já havia passado de três meses de gestação. Seu complexo de culpa a impedia de defender a mirrada quantia que o marido solicitava do filho encarregado de sacar o dinheiro do aposentado.

EU PODERIA interferir em defesa de Paizão, mas ele e a mulher sempre me negaram participação nas questões familiares, sempre me jogando para escanteio, como se eu fosse, realmente, um cão que deveria restringir-se ao canil próprio, sem interferir no que quer que fosse nos lero-leros familiares. A estratégia “educacional” de ambos se voltava radicalmente contra eles. Não apenas na pessoa trêmula e histérica de Coisinha Júnior.

Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 22/06/2022
Alterado em 24/06/2022
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