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A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE (REVELA AÇÕES) — XIX —
A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE  
(REVELA AÇÕES) — XIX —

A CASA DO CASAL ficou aos cuidados de uma mulher magérrima que mais parecia uma pessoa mumificada que se movia e, por vezes, falava: tia Haidin. Ela era mãe de duas garotas que moravam próximas ao principal puteiro da cidade: a famosa comunidade da Rua Paissandu. Moravam com uma parente em frente à Loja Maçônica do Oriente. Ela também tinha um filho, então funcionário do Banco do Brasil. O rapaz tinha a bunda arrebitada, e diziam dele, à boca pequena, que era de tanto dá o fiofó. Também diziam que tanto eles como os primos, filhos do tio dele por parte de pai, que moravam ao lado da Loja Maçônica Grande Oriente, eram chegados a atos de moralidade indefinida.

AS DUAS IRMÃS dele, primo filho da tia Haidin, moravam com tias paternas. Minha mãe biológica, por ser adulta, ela e o marido, venceram a minha insistência em querer ir com eles na aventura turística ao Estado da Guanabara. Após semanas de insistência, a

ELES ME NEGARAM o direito de progênie, levaram na viagem, ao invés de mim, meu segundo irmão e a irmã mais velha das mulheres: Manso e Vanda, respectivamente. Eu não tinha a mínima simpatia do casal meus pais. Primeiro por ter me posicionado contra as sessões de pedofilia paterna. Segundo, por dizer a meus irmãos, já crescidos, que continuavam vítimas dela, também no período posterior à volta deles da viagem ao RJ, que um dia, se pudesse eu denunciaria esses atos de “que não poderiam estar certos”.

MEUS IRMÃOS DIZIAM a ele de minha disposição de, um dia, quem sabe, eu pudesse tornar público essa abjeção cometida contra eles. Eu insistia com eles: “isso não pode estar certo”. E um deles sempre me respondia a mesma coisa:

— Ele é nosso pai e está fazendo o que acha que é certo.
— Ele não pode estar errado. Ele é nosso pai. — Meus irmãos não tinham desconfiômetro. Não intuíam que aceitar ser vítima dessa perversão paterna, ao se sentirem sexualmente envolvidos por essa prática, ainda que não levada aos finalmentes, desde que não havia penetração anal, não poderia ser saudável sob nenhum ponto de vista.

A ESTIMUJLAÇÃO genital de Paizão Coisinha, dele por si só, no bumbum deles, era uma aberração. Um pai fornecer esse transtorno psicológico aos filhos, transtorno esse que futuramente lhes causaria sérias sequelas.” Isso não poderia estar certo”. Tanto ele como ela sabiam que pedofilia não era crime constante no Código Penal. E segundo a Organização Mundial de Saúde, era apenas uma doença, um transtorno psicológico.

EU DESDE CEDO gostava de leituras. Havia lido “tio” Freud em HQs. Era de meu conhecimento que traumas infantis causavam transtornos de comportamento perigosos em adolescentes. O que confirmei futuramente em leituras melhor pesquisadas sobre psicologia e psicopatologias. Mas, acredito que ainda hoje as instituições psicológicas não se moveram no sentido de, no Congresso, criar leis contra ela, e criminalizar na intensidade que ela, pedofilia, merece.

O RESULTADO DESSA impunidade é este que presenciamos hoje, nos dias de agora: milhões de crianças e adolescentes sendo vitimadas por drogas e traficantes que as usam e abusam em vídeos visualizados na Internet Profunda. Uma quantidade exponencial de adolescentes de ambos os sexos e de adultos, quem sabe também de idosos, dedicados à afeições de afetividade destorcida. O país Brasil é um exportador dos mais funcionais de travecos para países europeus e para a América do Norte.

SE ADÃO E EVA foram criados e nominados no Livro do Gênese, homem e mulher, ou seja, o Deus Et os criou macho e fêmea, então o sequenciamento do DNA da Criação está tudo errado. É possível que nos dias de hoje a humanidade esteja mais dedicada ao sexo padrão da sodomia, do que ao sexo papai-mamãe, como era conhecido no século passado.

PAIZÃO COISINHA e a sua mulher sabiam que me abandonar em mãos da tia Haidin, a mim e a irmãos menores, dando a ela uma certa quantia em dinheiro para fazer o mercado e alimentar a todos os que ficaram, era uma temeridade. Haidin era uma criatura que respirava com dificuldade. Cada respiração e cada transpiração eram acompanhadas de um chiado que denotava a dificuldade dela em sorver o ar para os pulmões, desde que havia sido, por um período de sua vida, tuberculosa.

MAS PAIZÃO COISINHA e cônjuge não queriam saber disso. Estavam se divertindo a valer na cidade maravilhosa. Não pagavam hospedagem nem tampouco alimentação. Tinham levado dinheiro acumulado por ele e as economias roubadas de mim. De minha caderneta de poupança na Cooperativa próxima à Casa Almendra, um armazém de venda de comestíveis, eletrodomésticos e fazendas, tecidos de todos os tipos.  

HAVIA NELES UM propósito. Eu ficara à mercê das influências do veadinho filho da tia Haidin, funcionário do Banco do Brasil, que passara a dormir na dependência da sala de espera do consultório de Paizão. O primo Roi Nin quando caminhava, rebolava mais que a Carmen Miranda com suas frutinhas tropicais na cabeça. Ele, após dois meses de espera que voltassem do sudeste do país para socorrer os dependentes menores que ficaram sem roupa, sem alimentação, sem recursos mínimos de sobrevivência, começou a reclamar da falta absoluta de recursos que fazia a pobre tia ficar sem saber o que fazer para alimentar a filiação abandonada do casal.

O PROPÓSITO DELES era fazer com que a longa convivência com o veadinho, sobrinho deles, meu primo por parte dela, tia Haidin, irmã da Mãezona, pudesse exercer influência sobre minha sexualidade. E eu também me tornasse um sujeito tipo “florzinha”, tal como ele e seus primos por parte de pai, filhos do Toledo, e irmão do ex-marido da tia Haidin, que, segundo narrativa materna, fora assassinado por motivos que até hoje não sei dizer ao certo. Porque nunca me disseram, nem eu me interessei saber.

MÃEZONA E PAIZÃO passaram dois ou três meses fazendo turismo no RJ, isto aconteceu há décadas, não lembro exatamente se, 45 dias, dois meses ou 90 dias. Enfim voltaram para à cidade natal e encontraram uma residência devastada pela pobreza: os filhos vestindo roupas rasgadas, magérrimos, mal alimentados, com uma refeição por dia, ingerindo café da manhã de favor, em casas de vizinhos e conhecidos próximos.


Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 19/05/2022
Alterado em 19/05/2022
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