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A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE (REVELA AÇÕES) — XVII —
A MOÇADA DA PERCEPÇÃO BLUE  
(REVELA AÇÕES) — XVII —

A FUNÇÃO MACRO NA sociedade é exercida por políticos e demais autoridades dos principais poderes. As personagens legislativas do Congresso, por exemplo: os cortesãos ladinos, malandros, corruptos e astuciosos dos membros dos demais poderes republicanos. O caro leitor talvez esteja mais interessado na narrativa da unidade Micro, relativa aos “micróbios” da sociedade: as pessoas de poder aquisitivo menor, que votam nos finórios pseudo civilizados para que lhes roubem o dinheiro dos impostos em conluios que canalizam as verbas secretas em direção às suas contas pessoais bancárias.

AS SEÇÕES PROTOCOLARES da burocracia oficial, roubam, de todos os lados, a sociedade em seu escalão Micro: milhões de crianças e adolescentes jogados no lixão da manipulação das verbas secretas danosas aos investimentos em cultura: educação, dramaturgia, cinema, editoras, formação escolar e universitária deficiente, salários de professores suficientes para que se mantenham cansados, revoltados, carentes de incentivos didáticos.

NO INTERIOR DO LAR DE Paizão Coisinha e de sua mulher, reinava a educação para a subordinação de corações e mentes ao ideário do capital mercantil. Seus filhos e filhas serviriam ao poder político, econômico e social de forma ampla e inquestionável. Seriam metáforas do que foram eles próprios no cenário de uma sociedade devastada pela sodomização precoce de suas crianças e adolescentes. A descendência eles condenaram de antemão à manipulação fácil de hierarquias da ordem e do progresso de uma autocracia civil e militar dedicada à subordinação das conveniências de hierarquias do mando e do desmando de seus subordinados.

A CRIATURA À QUAL EU deveria chamar de mãe, me puxava o tapete por todos os meios possíveis. Chegou um momento em que ela me chamou para me convencer a não insistir em fazer uma viagem que eles programaram para o Rio de Janeiro. Não adiantou eu reivindicar meus direitos de filho e irmão mais velho, porque ela e o marido os aboliram completamente, devido ao fato de que qualquer investimento em minha educação, ou vestiário, significava um dramático:

— “Tirar o pão da boca dos irmãos menores”.

ELES SE FODERAM À vontade. Ela pariu um filho atrás do outros durante vinte e cinco anos. Lamentou insistentemente os quinze abortos que suas barrigadas não seguraram. E eu, seria a vítima principal de sua Família Trapo, por ser o primeiro de dez pequenas assombrações que para eles cresceriam em problemas que mal conseguiam ir empurrando com a barrigada. Passavam muitas vezes os sábados e domingos jogando cartas, num jogo de buraco negro com vizinhos e conhecidos de novenas e amizades forjadas na proximidade de conhecimentos aleatórios.

A EDUCAÇÃO DOS OUTROS noves tinha por padrão o incentivo deles em me estigmatizar como sendo uma criança e um adolescentes que não merecia nada, exceto a execração de todos, simplesmente pelo fato de que havia nascido anteriormente a todos os outros, e por isso mesmo não merecia senão a execração deles. Eu reivindicava meus direitos, mas ela sempre afirmava que eu não tinha direito algum. E que devia aceitar, sem questionamentos, o fato de ser não apenas o “buraco negro” da família para onde convergiam todas as energias regressivas que deles emanavam em minha direção, as quais eu deveria aceitar sem ais nem menos. Ou seria espancado com cinto, corda, palmatória, tamancos, socos, murros, pontapés, ou que mais tivesse à mão do marido dela.

MARIDO DELA QUE ELA subordinou e amontoou de necessidades. Para ela, ele servia de prisioneiro subjugado às necessidades cada vez mais prementes da precária sobrevivência familiar. O pascácio Paizão Coisinha vivia atrelado às solicitações dela. De nada adiantava ele chegar por vezes a ela e, trêmulo de raiva contida e revolta por estar vinte e quatro horas por dia sob a tensão de atender pacientes do então Inps, reclamar dela que não era possível que ela não estivesse vendo que ele não aguentava mais uma boca a mais por ano para alimentar, vestir, calçar, promover a educação escolar com todas as despesas que daí estavam advindo e se acumulando, “tirando o couro” dele. Explorando ao máximo sua mais valia de trabalho escravo. Além do suas energias poderiam aguentar.

MAS A SUA CÔNJUGE havia se transformado numa carniceira fanática. Ela tirava o couro dele, como se dizia na gíria dos trabalhadores explorados até o estertor. O argumento dela era sempre o mesmo e não tinha nada de refrescar suas solicitações e protestos. Todo ano lá estava ela parindo mais uma boca para o serviçal escravizado alimentar. Futuramente, quando eu já estava adulto, uma psicóloga falou a mesma coisa que uma psiquiatra com quem eu fazia terapia disse:

— “Ela nunca quis outra coisa que não fosse um lugar para dormir, fazer suas necessidades básicas depois de se alimentar”.
— Um lugar de cama, banheiro e cozinha.
— Os filhos serviam para algemá-lo, cada vez mais atrelando-o a um esquema no qual ela pudesse alegar as dificuldades que teria se fosse por ele abandonada. — Por vezes eu completava a avaliação delas, dizendo:
— O marido ela um fraco, sem força moral e intelectual. Ela aproveitava de suas fraquezas o máximo que poderia extrair dele. Ela o escravizava mentalmente por saber controlar sua mente, devido a algum trauma ou lesão psicológica que ela conhecia dele e usava para manipular seu psiquismo amedrontado. Eu disse e completei:
— Mas quem pagava o pato de todas essas falhas de caráter de ambos, era eu.
Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 15/05/2022
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