Textos

O “ESPÍRITO” E A TECNOLOGIA DA CRIAÇÃO —XXII—
O “ESPÍRITO” E A TECNOLOGIA DA CRIAÇÃO —XXII—

Os espíritos são, muitas vezes destrutivos relativamente ao corpo em que estão e às condições e circunstâncias vigentes em certo momento histórico. Desde as mais remotas origens das civilizações eles fazem movimentarem-se os corpos. Em todos os lugares do universo, em multiversos outros que nunca conhecerão, uns e outros espíritos sempre terão a função de fazer os corpos se agregarem e desagregarem, conforme o “breve histórico” ou resumo da trajetória de um evento na linha de tempo em que se concretizou. Os espíritos fazem movimentarem-se os corpos através de seus sentidos. Em muitas dessas civilizações, esses sentidos são mais de cinco.

Os espíritos usam os corpos para administrar as instituições políticas, econômicas e sociais e promover movimentos coletivos que visam fazer com que seus grupos de atuação, mesmo as agremiações inconscientes dos resultados, possam ter prevalência sobre outros grupos de espíritos criados para se hostilizarem, ou fazer acontecer a dinâmica, mobilidade ou cinesia do mundo.

Um exemplo muito atual é o “esquerdismo”. Direita X esquerda são termos teóricos que surgiram na Revolução Francesa (1789) e iniciaram a prática da divisão de partidos e de grupos sociais fronteiriços que se queriam donos da verdade histórica e, em consequência, das diretivas, instruções e procedimentos com poder de demarcar o ambiente da conduta institucional da sociedade.

A França dos espíritos no Antigo Regime no século XVIII subsistia num estado de intensa e dramática miséria. O 3° Estado pagava os impostos que mantinham o luxo excessivo e a vida preguiçosa, pregressa e devassa nas mordomias ambientais da realeza: seus bailes, jardins e carruagens onde os espíritos das cinderelas estavam em busca de transformarem seus corpos em altezas, após alevantarem as vestimentas e abrirem o caminho para os sargentos pimentas da realeza penetrarem nas arcas dos projetos de princesas.

Os Jardins de Tuileries, Versailles, Villandry, Chenonceau e Luxemburgo, situados ou a construírem-se no coração dos espíritos abastardado de Paris, eram os lugares onde os encontros marcados aconteciam e os projetos de princesas, e as infantas propriamente ditas, iam amarrar seus bodes e combinar a entrada no lupanar dos palácios.

Quem pagava a conta desses espíritos luxuriosos???

Os impostos pagos pelos assalariados, servis servidores dos palácios, operários, criados, servos oficiais da mão de obra, camponeses, aldeões, labregos, recrutas, a pequena burguesia comercial e toda a população que vivia de comer o pão que o diabo amassou. Os poderes absolutos do rei e da realeza não admitiam contestação. E a rédea curta da população era puxada nos pescoços marcados por sangue sugado pelos membros da realeza. Logo essa situação espiritual de dominação, que tratava pessoas como se fossem dóceis cães, seria substituída pela guilhotina dos espíritos revolucionários.

Espíritos oposicionistas eram constantemente presos, levados à Bastilha, onde eram torturados a mando e desmando do rei francês que ia, dia a dia, se tornando um Bozo em mãos das lideranças desse movimento histórico, que mudou a configuração dos espíritos num mundo dominado por realezas vampirescas que, de seus palácios, sugavam o trabalho escravo da mão de obra do resto do mundo.

A Bastilha foi finalmente tomada em 14 de julho de 1789, quando nas ruas da Paris estratificada e hierarquizada pela realeza do topo da pirâmide social, a população dos espíritos inconformados, sacrificados pela crise socioeconômica que o rei Bozo da França administrava, juntamente com o clero que também não pagava impostos.

A família do rei Bozo da França, seu Centrão espiritual formado por condes, duques, marqueses, viscondes e barões, todos juntos mandavam e desmandavam na administração pública e tinham autoridade jurídica para fazer e desfazer leis que os favoreciam e tornavam legal a ilegalidade dos recursos direcionados para seus bolsos e mordomias. A espiritualidade do Velho Regime do Bozo, rei do Centrão da realeza, estava agonizando. E não era sem tempo.  

Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 09/01/2022
Alterado em 09/01/2022
Copyright © 2022. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários