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Existem Águias Em Terras De Urubus???
Existem Águias Em Terras De Urubus???

A “Praça É Nossa Dos Três Poderes” está exposta à execração pública de há muito, muito tempo. E os políticos não estão nem aí. Afinal, eles foram eleitos, segundo a avaliação deles mesmos, para fazer e acontecer os eventos da rotina parlamentar sem nenhum compromisso com prestação de serviços públicos de qualidade para uma população que usa desses serviços sucateados e em eficiente Estado de putrefação.

Dedicados à mecânica rotineira de atendimento a seus próprios interesses, eles legislam, fazem e acontecem, sempre visando primeiramente seus interesses particulares e as vantagens que podem conseguir para os grupos oligárquicos estaduais aos quais pertencem e para os quais se acreditam “excelências”. Excelências do desdém. Do desprezo às necessidades dos serviços públicos em franca oxidação.

O Povo brasileiro para eles não passa de carniça. E eles olham de longe suas necessidades (do Povo) enquanto, por trás dos panos de seus mandatos, abusam da autoridade institucional que lhes é conferida para tramar novos padrões de conchavos, reuniões de conselhos de ética sem nenhum respeito à essência de normas e valores que deveriam caracterizar a atuação deles em sociedade.

Afinal, seus eleitores, para eles NÃO merecem um mínimo de respeito das instituições às quais presidem como se fossem presidiários sem acusação, prisão ou julgamento. Se acham importantes vestidos em seus ternos de grife, sapatos de cromo alemão, os cuecões, meias e pastas cheias de dólares, euros e milhões de reais provenientes dos esquemas de corrupção.  Confiam na impunidade. Nas prerrogativas e privilégios de mútua conexão.

Querem sempre se parecer elegantes manequins travestidos à moda nos plenários cheios do hálito habitual fedido de seus discursos empanzinados do abstrato trato verbal da enganação. Como sabem, na tribuna, defender os direitos do Povo miserável em perene estado de degradação dos sentidos sob a proteção ilícita das franquias e regalias advindas dos acordos, acertos e ajustes.

Ajustes, acertos e acordos envilecem, molestam e abatem a moral e o moral que não têm. E os escrúpulos que deveriam ter ao envergonhar a sociedade que representam e envilecê-la na diária produção sem fim de eventos de corrupção aviltantes que humilham sem parar, diariamente, seus eleitores envergonhados por neles terem votado.

Confiam que, em última instância jurídica, os urubus do Supremo Tribunal do Foro (STF), com suas capas pretas que deveriam indicar excelência no conhecimento e respeito à Constituição, sugerem, realmente, o comprometimento em tornar, mais cedo ou mais tarde, impunes àqueles que deveriam puir por estuprar um sem número de preceitos constitucionais. Servem, esses urubus, não à Constituição, mas à mistificação dela.

O Povo, sob mil faces e disfarces, agoniza nas ruas, lares, escolas, nos sofás das salas de jantar. O Povo aflito e mortificado espera inutilmente a moralização das instituições que promovem perversamente, diariamente, sua decadência que parece irreversível. Ao esquálido Povo só resta agonizar nos bares e galeras dos estádios, em busca de um gol ou de um porre para, por trás deles, esconder a desilusão, os sofrimentos e mágoas.

“De tanto ver crescer as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. O “Águia de Haia” ao falar da cabeleira grisalha dos urubus advertiu para que as pessoas não se enganem com seus cabelos brancos porque os canalhas também envelhecem.

Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 04/10/2017
Alterado em 13/10/2017
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