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São Bernardo E "São Bernardo": Dois Atores Três Personagens (II)
“ETHOS” DO PERSONAGEM PRINCIPAL
“ETHOS” DAS PERSONAGENS SECUNDÁRIAS


A imagem de um homem empreendedor, dinâmico, dominador, obstinado, possessivo, determinado, obcecado, vai se afirmando na narração do “tempo ideológico do enunciado”. Ele, Paulo Honório, não desanima com os fracassos: supera os empecilhos sem considerar princípios, quaisquer que sejam: religiosos, morais, éticos, honra ou vergonha. Ele deflagra toda uma série de ações de banditismo, jagunçagem, ameaça judicial, chantagem, para apressar a aquisição das terras da fazenda “São Bernardo”.

O esquema literário narrativo do romance “São Bernardo” é construído quase que em sua totalidade, no “tempo do enunciado”, mesmo após o advento de Madalena, e do suicídio desta, o narrador se desdobra na exposição narrativa que designa toda a sequência de palavras proferidas por um ou vários falantes, pelo conjunto que constitui os dados empíricos (o corpus) da análise e pesquisa linguística.

Em linguística este enunciado se define no segmento da cadeia falada de comprimento narrativo (in)determinado, nitidamente por marcas formais: a fala, a retomada da fala por outro falante, e/ou por outros (discurso direto livre, p.ex.). A palavra latina “dictium” define este tipo de enunciado para que nunca seja confundido com o sentido da enunciação, desde que esta, enunciação, opõe-se ao conceito linguístico de enunciado. Quando não o complementa.

Toda unidade de comunicação oral e/ou escrita, por mais elementar seja, constitui-se forma de enunciado.  Os enunciados são inscritos em certo contexto que fornece coerência ao discurso. Um enunciado dos mais conhecidos no estudo da análise de textos de comunicação diz que “enunciado se opõe à enunciação da mesma forma em que o produto se opõe ao ato de produzir. A extensão do enunciado não importa, ele pode ser de algumas palavras ou de um livro” (Maingueneau, 2001).

No “tempo narrativo da enunciação”, Madalena continuou estigmatizada, culpada, acusada de querer impedir Paulo Honório de tornar “São Bernardo” um lugar próspero, no qual se realizaria a utopia de sua fixação pessoal de proprietário e “herói” construtor da prosperidade local, a partir dos princípios, normas e/ou da ideologia do capitalismo selvagem (“capitalismo cromagnon”).

A ideologia do discurso e da “praxis” de Paulo Honório visava, sempre, a submissão impiedosa, sádica, cruel, sinistra, tirânica, dos corações e das mentes das pessoas submetidas ao controle de sua vontade de dominação. Ele visava obter delas a subserviência total, tirando delas sua humanidade, querendo delas uma atitude apenas de servidores. Seus trabalhadores eram prestadores de serviços, assalariados, coisas, “objetos” de uso e abuso de seu poder econômico, político, ideológico.

Assim como acontece com os eleitores de Lulla Beija-Mão. Os eleitores que compreendem que os trinta dinheiros do Bolsa-Família são uma forma de enganá-los e trair os objetivos da educação de seus filhos. Educação que continuará educando-os para a prostituição e o tráfico de entorpecentes. E para a aceitação de que o estado do processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral de seus filhos continuará miserável e deprimente. Por mais e muitas gerações.

Mesmo nos momentos de maior dramaticidade do “discurso de enunciação”, quando Paulo Honório, num primeiro momento, mostra-se afligido por muitas culpas (após Madalena suicidar-se), ele atenuou o sadismo presente em sua ideologia. Ele, o latifundiário e fazendeiro Paulo Honório, estava possuído pelas premissas de seu “Ethos” ideológico. Possuído em sentido “lato sensu”: física, mental, emocional e anímico (incorporação do demônio da ideologia do capitalismo cromagnon).

Falamos de incorporação para designar a ação do “Ethos” sobre o co-enunciador. Jogando com a etimologia, podemos ver como essa “incorporação” opera em três regimes indissociáveis: (1) a enunciação leva o co-enunciador a conferir um “Ethos” ao seu fiador, ela lhe dá corpo (2) o co-enunciador incorpora, assimila, desse modo, um conjunto de esquemas que definem para um dado sujeito, pela maneira de controlar seu corpo, de habitá-lo, uma forma específica de se inscrever no mundo (3) essas duas principais incorporações permitem a constituição de um corpo o da comunidade imaginária dos que comungam na adesão a um mesmo discurso (Maingueneau, 2004, p.99).

“Ethos” não diz respeito apenas, como na retórica antiga, à eloquência judiciária ou aos enunciados orais: é válido para qualquer discurso, mesmo para o escrito. O texto escrito possui, mesmo quando o denega, o tom que dá autoridade ao que é dito. Esse tom permite ao leitor construir uma representação do corpus e do corpo do enunciador (e não, evidentemente, do corpus e do corpo do autor efetivo). A leitura faz então emergir uma instância subjetiva que desempenha o papel de fiador do que é dito (Maingueneau, 2004, p.98).

Paulo Honório requer pressa, quer produzir para o mercado consumidor capitalista, não há sensibilidade em suas intenções, há apenas a ânsia inesgotável de lucro, afirmada pela noção de quantidade. Luís Padilha é para ele um objeto de uso e abuso. Destituiu-o da posse da fazenda “São Bernardo” por meios ilícitos. E continuou a explorá-lo. Impiedosamente.

Marciano, Rosa, “seu” Ribeiro e dona Glória, Casimiro Lopes, Mestre Caetano, ele alquebra, humilha, debilita a todos, acovarda-os, submerge a cada um deles na necessidade dos despossuídos, dos excluídos das benesses do sistema da ideologia capitalista. Humilha-os, porque sua referência é a cadeia de acontecimentos nefastos que ele superou pela ganância, pela vingança às humilhações sofridas, quando não passava de peão de boiadeiro de outros fazendeiro e proprietários da região.

Desta forma se confirma o “tempo ideológico do enunciado da narrativa”. A suposta posse de Madalena, o casamento... É aí que o romance começa, e já estamos, aproximadamente, no 18° capítulo. Segundo a opinião de teóricos da literatura, (Lukács, p.ex..), um romance é a história da busca de valores autênticos por um personagem problemático, dentro de um universo vazio de significado no qual não há imanência (necessidades psi, procedentes da razão ou da espiritualidade).

Paulo Honório somente no momento problemático da enunciação, passa a ser um personagem que ameaça a afirmação de sua ideologia (após supostamente começar a matutar as razões do suicídio de Madalena). Agora ele não mais está tão senhor de si, coeso, forte, irrepreensível, “dono da cocada preta”. O suicídio dela, sua mulher Madalena, problematiza o autor narrador. E ao mesmo tempo mobiliza sua alienação frente ao reflexo de sua imagem cenográfica.

Lulla Beija-Mão talvez não tenha vivenciado esse momento de enunciação política. Lulla Beija-Mão não questiona nada? Ou, ao contrário, quer se fazer acreditar como herói pobre que ganhou o cargo político máximo de uma nação. Ele não questiona o fato de que alquebrou, humilhou, debilitou a todos, acovardou seus eleitores, submergiu a cada um deles na necessidade dos despossuídos de moral institucional, tornou-os excluídos das benesses das promessas de moralização institucional e da instauração da ética na política. Transparência Brasil não passou de um discurso vil e vazio de sentido.

A luta contra a corrupção não passou de mais uma safadeza de discurso eleitoral de palanque.

Paulo Honório e Lulla Beija-Mão são dois personagens que se equivalem em seus processos de autoalienação. E de alienação coletiva: de seus trabalhadores, de seus eleitores. Eles transformaram suas ilusões em realidades típicas do tropicalismo turístico tipo frevo do carnaval pernanbucano, do latifúndio e da política malvadeza do folclore baiano: Capoeira, Camdomblé, Lavagens de Purificação. O poder era a única coisa que lhes interessava conseguir. O fazendeiro em sua fazenda “São Bernardo”. O Ferreiro Lulla da Silva em São Bernardo (ABC) e o político Lulla Beija-Mão no trono do Palácio do Planalto, encantado por suas conquistas demagógicas.  


A CENOGRAFIA SOCIAL AGÔNICA
DO LÍDER DA BOLSA-FAMÍLIA DOS
ELEITORES DA CORTE BEIJA A MÃO

Cada gênero de discurso define seu próprio corpus. Seu próprio papel. Pessoal. Social. Sua própria enunciação. Consciente. Inconsciente? O discurso político deveria, presumo, suscitar enunciados não de uma esperança desesperada, uma frustração encantada, mas da realização de uma educação que lhes provesse (os eleitores) das ferramentas intelectuais mínimas para a compreensão da complexidade social do mercado de trabalho e do estudo, não de enunciados com falsas expectativas sociais no cenário de enganações demagógicas em que estão inseridas. As massas de eleitores. Do Bolsa-Família.

“A matéria é feita de sonhos”. Mas a vida é feita de ações que, podem ou não realizar esses sonhos. Esses sonhos que você sonha são seus? Quem os sustenta? Quem os alimenta? Quem os engana? A sociedade civil brasileira não merece o slogan que a representação política atual lhe oferece:
— ME ENGANA QUE EU GOSTO!!!

CONCLUSÃO:
“ME ENGANA QUE EU GOSTO”

A coreografia é a fonte do discurso e daquilo que ele engendra. As coreografias legitimam os anunciados. A coreografia é a anunciação. Ela constrói progressivamente seu próprio dispositivo de fala. E em seu momento de epifania revela a cena da própria enunciação. A coreografia social dos eleitores, fonte dos discursos políticos, é o lugar de onde nasce a fala.

A opinião de Michel Foucault afirma a mesma coisa quando diz ser necessário “determinar qual a posição que pode e deve ocupar cada indivíduo para dela ser o sujeito”. Está patente o alto grau de subordinação às ciências sociais e à argumentação pertinente ao sentido pejorativo (na sociolinguística) da suposta evolução de caráter científico. E político. Suposta evolução científica e política que pontifica nessa área: da sociolinguística. Suposta evolução que se faz prevalecer sobre os interesses da sociedade. Sem cidadania. Sem política realmente representativa desses interesses.

Para que haja certa credibilidade e confiança nos discursos dos atores políticos na democracia nacional, na qual apenas supostamente o povo é soberano, será preciso fazer com que aconteça politicamente um evento de enunciação social que justifique esse conceito interativo: democracia e participação popular nos eventos políticos. Todos. Não proibindo os eleitores de participação em sua formalidade secreta. Institucional. Deletéria. Que segrega os eleitores e a participação social e política dos mesmos. Nos eventos políticos enunciativos da cena institucional que não mais seriam do interesse do eleitor, por serem fechados. Secretos. De interesse corporativo. Ilícito. Antidemocrático. Restrito a grupos de corruptos e a seus interesses particulares.

Segundo Foucault, aqui reside umas das especificidades da análise dos discursos, sendo preciso que o principal não é buscar o grau de verdade que os discursos revelariam, mas como se produzem, na sociedade. Os efeitos de sentido de que podem estar constituídos os vários discursos. Na era Vargas, a construção de imagens dos inimigos situava-se na identificação da desordem nacional e na definição do sujeito subversivo, entendendo-se por subversivo todo aquele que criava “desordem” e combatia o regime. A produção discursiva dos policiais no cotidiano policialesco reproduzia o discurso ideológico do governo na manutenção da ordem e combate à “desordem”, com base na utilização de palavras-chaves que designavam quem eram os “desordeiros” (Silva, Estudos do Integralismo, 2002).

O líder político Lula da Silva em seus discursos supostamente democráticos, afirmava a necessidade da Transparência Brasil nos eventos políticos nacionais, assim como o combate renhido à corrupção institucional. Agora, Lulla Beija-Mão beija a mão de supostos opositores políticos que foram responsáveis por uma política de dominação atroz dos ativos financeiros da sociedade em benefício das próprias contas bancárias e de seus ativos móveis e imóveis.

A cena enunciativa do “Beija-Mão” presidencial evidenciou sua disposição em agregar o coronelismo mais atrasado do nordeste brasileiro às suas antigas bandeiras de ética na política, transparência na atuação institucional dos representantes de seu partido... Tudo dissolvido na sopa primata das alianças neolíticas que são pedaços do corpus e do corpo político do Frankenstein Analfabeto. Como unir a cena do “Beija-Mão”, a interesses políticos da sociedade medianamente letrada de eleitores? Lulla Beija-Mão metamoforseou-se de príncipe dos interesses democráticos dos eleitores nacionais, em sapo repugnante no brejo das almas penadas da política da corrupção nacional.

Todo discurso, por sua manifestação mesma, pretende convencer instituindo a cena da enunciação que o legitima... a cenografia não é simplesmente um quadro, um cenário, como se o discurso aparecesse inesperadamente no interior de um espaço já construído e independente dele: é a enunciação que, ao se desenvolver, esforça-se para constituir progressivamente o seu próprio dispositivo de fala (Maingueneau, Ibid. p.87).

Os coronéis Paulo Honório e Lulla Beija-Mão têm nessa cenografia política atual, coincidências comportamentais de vida que não criam a possibilidade, muito pelo contrário, de um discurso democrático. Lulla justifica plenamente a enunciação discursiva da afirmação de um “Ethos” canibal, característico de suas mudanças de cena. O discurso continua sendo enganoso.

Na fazendo “São Bernardo” Paulo Honório conseguiu subir as escadas na pirâmide social, transformando-se em patrão. Lulla Beija-Mão promoveu a cena vale-tudo da enunciação bastante conhecida da política do poder pelo poder de que ficam imbuídos aqueles que se sentaram no trono de Satã do Palácio do Planalto. Lulla Beija-Mão agora não passa de um cangaceiro da política do poder pelo poder do alpinismo social.

Por meio da enunciação “Beija-Mão” revela-se a intenção inconfundível, sub-reptícia, das cenas políticas anteriores do enunciador. Os traços de seu caráter se revelam na cena da enunciação política focal de seu “Ethos”. Ele, Lulla Beija-Mão, nela, cena, informa seu público ao afirmar de forma incontestável:

“Eu agora sou isto, em realidade sempre fui um buscador do poder pelo poder, sempre fui um político Beija-Mão. Nunca fui aquele Outro, que vocês pensavam que eu era. Aquele Outro Lula da Silva dos tempos do sindicalismo em São Bernardo quando comecei a trabalhar os discursos infestados de mentiras para conseguir construir a cartilha do ABC de como chegar ao poder. Pelo poder.” Uma imagem vale mais do que um milhão de palavras.

Lula da Silva combatia enfaticamente o coronelismo na política nacional quando em seu tempo de sindicalista. Lulla Beija-Mão agora virou não apenas Beija-Mão da política do coronelismo. Ele agora também é um coronel da política que supostamente questionava em tempos de torneiro mecânico. De sindicalista no ABC.


REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS


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RAMOS, Graciliano, São Bernardo, 93ª edição. Grupo Editorial Record, Rio de Janeiro, 2012.


GLOSSÁRIO

1 Romão Sarney, menção à personagem do romance de Aluisio de Azevedo, João Romão, do escritor  maranhense autor de “O Cortiço” (1890). Inaugurou o Naturalismo na literatura brasileira. A personagem João Romão é ambiciosa, pragmática, sem escrúpulos. Recebe de herança um mercadinho e constrói em redor dele “O Cortiço”. Garante dessa forma sua ascenção social em um ambiente marcado pela desigualdade econômica. Romão explora os habitantes do cortiço, abusa dos serviços da escrava Bertoleza. Forja para ela uma carta de alforria, livrando-se dela depois de usá-la e abusá-la. Casando-se a seguir com a filha do comerciante Miranda. Romão Sarney, atualmente, chefia a oligarquia Sayney no Maranhão numa situação social semelhante à do romance “O Cortiço” de Aluisio de Azevedo.

2 “Ao colocar o enunciatário como uma das instâncias do sujeitos da enunciação, Greimas quer ressaltar seu papel de co-enunciador. Com efeito, a imagem do enunciatário constitui uma das coerções discursivas a que obedece o enunciador: não é a mesma coisa produzir um texto para um especialista numa dada disciplica ou para um leigo ou para uma criança ou para um adulto”. (Fiorin, 2008, p. 153).

3 “A matéria é feita de sonhos”, citação do personagem Hamlet da obra de Shakespeare.

4 dictum proprium : Um ditado pessoal ou individual que é dado pelo juiz que emite um parecer, mas isso não é necessariamente apoiado por toda a corte e não é essencial para a disposição.   R P s dictum : a afirmação de que uma pessoa faz sem ser obrigado a fazê-lo, ou, ainda, a discussão de pontos ou questões que não foram levantadas pelo registro ou de sua sugestão de regras que não se aplicam no caso em barra de um tribunal.  Dictum judicial : uma opinião por um tribunal sobre uma questão que está diretamente envolvido, informado, e defendido por um advogado, e ainda passou pelo tribunal, mas isso não é essencial para a decisão.  Obter dictum em latim significa “algo dito de passagem” e é um comentário feito ao entregar um parecer judicial, mas é desnecessário para a decisão sobre o caso e, portanto, não precedential (embora possa ser considerado persuasivo).

5 Enunciador: o sujeito da enunciação, o sujeito que marca a fala, a escrita ou a mensagem do enunciado (locutor, emissor, falante).

Coenunciador: sujeito da enunciação. O que faz companhia ao enunciador e profere marcas especiais (emocionais) no processo construído pelo enunciador. O sujeito da enunciação é o sujeito de uma intenção que insere dúvida e incerteza num universo vazio de significados pertinentes à ausência de imanência, sensibilidade e espiritualidade.

6 Capitalismo Cromagnon: termo utilizado pelo autor de nome literário Decio Goodnews e nome literário Sereno Hopefaith, para designar o processo de produção capitalista e suas instâncias de apoios (superestruturas do poder pelo poder).


DECIO GOODNEWS
Enviado por DECIO GOODNEWS em 10/02/2014
Alterado em 11/03/2014


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